Índice
Carta ao leitor
Cenários: As parcerias entre grandes empresas na disputa pelo mercado global
Entrevista: John Battelle, autor de um livro que disseca o Google
Celulares: Os modelos que fazem sucesso no mundo inteiro
Foto digital: Um guia para armazenar, compartilhar e imprimir suas imagens
Informática: Vem aí a próxima geração de processadores, de 64 bits
TV digital: O Brasil adota um padrão de alta definição semelhante ao japonês
Medicina: Os novos equipamentos que mostram detalhes milimétricos do corpo humano
Inteligência: Ela já chegou às roupas, aos carros e aos eletrodomésticos
Sem fio: Como funciona o WiMax, que permitirá acesso à internet de banda larga em cidades inteiras
Entrevista: Jean Paul Jacob, o futurólogo brasileiro da IBM
Games: Os novos jogos e máquinas que transformaram o entretenimento em arte
Tradução: O primeiro software que ouve uma frase em um idioma e a pronuncia em outro
Rádio: A transmissão digital chega ao Brasil e renova um velho meio de comunicação
MP3: Por que o iPod faz tanto sucesso com suas diferentes versões
Entrevista: Ted Nelson, o pai do hipertexto, critica a internet atual
Guia de produtos: Os lançamentos no mercado de eletrônicos deste fim de ano
Celulares
PDAs e smartphones
Câmeras digitais
Computadores
Periféricos
Impressoras e multifuncionais
Filmadoras
TV e home theater
DVDs
Tocadores de MP3
Aparelhos de som
Som do carro
Outros
 
 

Os games agora são obras de arte

Evolução dos consoles e amadurecimento dos jogadores abrem caminho para superproduções, com direito a crítica especializada


Igor Ribeiro

Yoshikazu Tsuno/AFP

QUASE CINEMA
Cena do game Dead or Alive, para o Xbox 360: novos jogos são feitos por centenas de colaboradores

O videogame não é mais coisa de criança – e os números da indústria de jogos eletrônicos comprovam essa afirmação. Calcula-se que haja 110 milhões de jogadores de videogame em todo o mundo. Pelos dados da Microsoft, a média de idade dos consumidores americanos de jogos eletrônicos é de 26 anos. Trata-se de um público que amadureceu manipulando os consoles e cujo nível de exigência evoluiu junto com os equipamentos. Hoje, a produção de jogos não é um nicho para as companhias de software, e sim o principal negócio de grandes empresas e o centro das atenções de departamentos inteiros das grandes desenvolvedoras de programas. A complexidade dos jogos atuais surpreenderia os fãs de videogames do início da década de 80. Atravessar todas as fases e cenas de determinados games de aventura demanda semanas de prática e a leitura de manuais de mais de 100 páginas, detalhados como livros técnicos.

 

LANÇAMENTOS DESTE NATAL

Fotos Divulgação

50 CENT BULLETPROOF
O game de ação para PlayStation 2 e Xbox é protagonizado pelo rapper americano 50 Cent, com direito a trilha sonora com músicas e remixes originais

AGE OF EMPIRES III
Na nova versão desse consagrado jogo de estratégia para PC, da Microsoft, o usuário vive a história da colonização da América ao longo de quatro séculos

FIFA 2006
Cada vez mais realista, o jogo de futebol da Electronic Arts tem versões para PC, PlayStation 2, GameCube e Xbox

O amadurecimento dos consumidores de videogames, ao lado do crescimento dos volumes vendidos para o público infanto-juvenil, demonstra que as novas gerações se envolvem com os jogos de maneira definitiva. Há quem aposte que os pós-adolescentes de hoje continuarão utilizando os consoles e os games até a terceira idade, com programas específicos. O advento dos jogos eletrônicos é, portanto, uma questão cultural. Os meios de comunicação passaram a dedicar aos games espaço e atenção, publicando resenhas dos lançamentos mais aguardados e dando extensa cobertura às feiras internacionais do setor, nas quais são apresentadas as últimas novidades. Trata-se de uma repercussão decorrente de uma combinação de ações de sucesso: marketing e tecnologia. À medida que os recursos gráficos aumentam, graças à capacidade de processamento das máquinas, os desenvolvedores podem trabalhar com cenas de maior realismo, sons mais refinados e enredos complexos.

"Para criar um bom game é preciso inspiração e muita criatividade", diz o especialista brasileiro Bruno Costa da Silva, gerente de um dos grupos de desenvolvimento do console Xbox, da Microsoft, na cidade americana de Seattle. Há games que são verdadeiras superproduções, feitas por equipes de centenas de colaboradores. De certa forma, copiam o esquema de produção do cinema, como a elaboração de um roteiro preliminar, um desmembramento de cenas desenhando os principais quadros e a composição de uma trilha sonora especial. Um exemplo é o game Age of Empires III, do tipo real-time strategy – ou seja, jogadores de qualquer lugar do mundo, conectados via internet, interagem sobre um mesmo roteiro. A trilha sonora foi executada por uma orquestra sinfônica exclusivamente para o game. O orçamento ultrapassou 30 milhões de dólares.

Uma nova geração de consoles está sendo gestada para disputar o dinheiro do público. Das grandes empresas, a primeira a lançar novidades neste fim de ano é a Microsoft, com o Xbox 360, que deve chegar às lojas americanas no próximo dia 22. Entre as evoluções em relação ao Xbox anterior estão a ampliação da capacidade de realizar jogos on-line; a maior interação com a TV, já que o aparelho também toca DVDs; e melhores gráficos e sons. A Sony ocupará a cena um pouco depois, com o lançamento do PlayStation 3 no primeiro semestre do ano que vem. Há muita especulação sobre esse novo console, mas é certeza que terá um processador poderoso e o leitor de DVD de alta definição Blu-ray, que pode armazenar 25 gigabytes de informação, cinco vezes mais que um DVD comum. Outro trunfo da Sony é a exclusividade de alguns títulos populares, como o game de lutas Tekken.

No segundo semestre de 2006 sai o Nintendo Revolution. Além de processador e capacidade gráfica mais avançados, a empresa japonesa promete lançar um dispositivo de controle que permite jogar com uma só mão e configurar os comandos com maior facilidade. Embora as filiais brasileiras ainda não tenham anunciado quando venderão esses novos consoles, espera-se que as novas máquinas dominem o mercado, com a chegada de aparelhos comprados no exterior.

 
Fotos Reuters
Issei Kato/Reuters

NINTENDO REVOLUTION
Deve ser lançado no segundo semestre do próximo ano, a um preço estimado de 370 dólares (cerca de 800 reais). O processador tem 2,5 gigahertz

XBOX 360
O novo console da Microsoft, lançamento mundial deste fim de ano, custa 400 dólares e tem processador PowerPC de 3,2 gigahertz

PLAYSTATION 3
Previsto para o primeiro semestre de 2006, terá um chip de 3,2 gigahertz e deve custar 400 dólares (900 reais, aproximadamente)