| | Internet
até na água A banda larga wireless, acessível
em cidades inteiras, começa a chegar ao Brasil graças a
uma nova tecnologia chamada WiMax  Bia
Baldim Sérgio
Moraes/Reuters
 | A
NOVA ONDA O surfista Neco Padaratz em uma prancha
dotada de monitor wireless: ninguém vai consultar os e-mails e pegar onda ao mesmo
tempo. Mas como propaganda a idéia chama atenção |
Acessar a internet de banda larga sem fio já é possível em
diversos pontos de grandes cidades do país, graças aos hot spots,
transmissores instalados em lugares públicos, como hotéis e restaurantes.
Fora desses locais, porém, o dono de um notebook ainda é obrigado
a se conectar a um cabo ou à linha telefônica para navegar. Pelo
mesmo motivo a necessidade de uma estrutura física de transmissão
de dados , a internet de banda larga é um privilégio de cerca
de 5% dos domicílios brasileiros. A principal alternativa sem fio disponível
atualmente, a internet via satélite, é cara.
Esse quadro deve mudar a partir de 2006 com o surgimento de serviços de
banda larga sem fio de longo alcance, primeiro nas cidades grandes e depois, provavelmente,
no interior. Isso só se tornou possível graças à evolução
de uma nova tecnologia, batizada WiMax, que permite transmitir grandes quantidades
de dados em alta velocidade e a longas distâncias até 50 quilômetros
(em condições ideais), contra uma centena de metros do wi-fi usado
nos atuais hot spots (veja quadro na pág. 34). É fácil
perceber o potencial dessa nova tecnologia em países como Brasil, Índia
e Rússia, onde é economicamente inviável levar cabos e fios
de banda larga aos quatro cantos do território.
Há projetos experimentais de implantação do WiMax em cidades
como Campinas, Belo Horizonte, São Paulo e Ouro Preto esta última
foi escolhida para os testes porque a passagem de fios e cabos causaria danos
ao patrimônio histórico. Esses pilotos envolvem empresas privadas
e, em alguns casos, apoio público. Uma dessas empresas é a Editora
Abril, que publica VEJA. Prevê-se que em 2006 o serviço esteja disponível
em São Paulo e, em 2007, no Rio de Janeiro. A Abril acertou parcerias com
a Intel e com a Samsung, para que notebooks e computadores de mão já
saiam de fábrica compatíveis com o WiMax. A partir de 2007, todo
laptop com plataforma Intel terá acesso WiMax e wi-fi. Se tudo correr como
previsto, dentro de alguns anos o internauta que vive em uma grande cidade brasileira
poderá escolher entre três ou quatro serviços do gênero,
pagando uma assinatura mensal para acessar a internet de banda larga onde quer
que esteja. Nos últimos anos, outras tecnologias
foram testadas no Brasil e no exterior. O WiMax foi escolhido porque é
fruto de um acordo de mais de 300 empresas, entre elas gigantes como Intel, Nokia,
Samsung e Siemens, para chegar a um padrão eficiente e economicamente viável.
"A padronização do WiMax vai permitir que muitas empresas fabriquem
e trabalhem com essa tecnologia, barateando os custos", afirma Ronaldo Miranda,
diretor de marketing e vendas da Intel para a América Latina.
Yuriko
Nakao/Reuters
 | NO
JAPÃO Este smartphone lançado no mercado japonês,
o W-Zero 3, é um celular que permite acessar a internet sem fio e receber e enviar
e-mails |
No Brasil, a regulamentação
do setor está a cargo da Agência Nacional de Telecomunicações
(Anatel). Como o espectro de ondas eletromagnéticas é limitado,
será preciso ter concessão do governo para operar o serviço
wireless, assim como acontece na televisão e no rádio. Algumas empresas
que detêm concessões caso da Editora Abril já
preparam o serviço de banda larga sem fio. Em outros casos, haverá
leilões para escolher as empresas que vão operar as freqüências.
A princípio, todos os serviços serão
pagos, mas é provável que o governo negocie com as empresas projetos
de acesso de banda larga sem fio para comunidades carentes. Segundo José
Luiz Frauendorf, diretor-geral da NeoTec, uma associação que reúne
operadoras de certas freqüências, especula-se um custo de 50 reais
mensais por usuário, que pode aumentar dependendo da velocidade e dos serviços
que esse consumidor desejar. Nem tudo é
perfeito no WiMax, que não tornará obsoleto o acesso à banda
larga por cabo ou fio telefônico. Assim como o rádio e o celular,
o WiMax tem limitações físicas por depender de radiofreqüência.
Isso quer dizer que muitos usuários conectados ao mesmo tempo poderão
tornar a navegação mais lenta. A solução é
aumentar o número de transmissores. A qualidade do serviço dependerá
da elasticidade da oferta. A nova tecnologia também abre outras possibilidades
além do simples acesso à internet. Pode ajudar na segurança
das grandes metrópoles, ao permitir que se instalem câmeras de vídeo
wireless. Também podem ser imaginados serviços como ver TV pelo
celular e usar o notebook como telefone móvel. 
Pioneirismo coreano Na
Europa, na Ásia e nos Estados Unidos, muitas cidades já dispõem
de conexão sem fio em grandes áreas. Mas
em nenhuma é possível conectar-se à internet de qualquer
ponto da cidade, como parques, ônibus e metrôs: é preciso estar
perto de um hot spot, a antena que permite o acesso wireless. A Coréia
do Sul deve ter em breve o WiMax móvel na maior parte do território.
País com a maior proporção de pessoas conectadas por banda
larga no mundo, será pioneiro no projeto de internet de alta velocidade
sem fio. Neste mês, a segunda maior cidade do país, Busan, entrará
em testes para provar que a tecnologia é viável. Os coreanos poderão
acessar a rede de seus notebooks em qualquer ponto da cidade e, no futuro, em
qualquer lugar do país. Nos Estados Unidos, a cidade de São Francisco,
na Califórnia, é a mais desenvolvida, com 450 hot spots. Projetos
mais audaciosos, como o da prefeitura da Filadélfia, que pretendia proporcionar
acesso de banda larga de qualquer ponto da cidade, causaram protestos. As operadoras
de telefonia e de TV a cabo, que vendem esse tipo de serviço, não
aceitaram a competição. Protestaram e conseguiram a aplicação
de uma lei estadual que determina que elas sejam as responsáveis pela construção
e operação da tal rede municipal. | | |