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Inteligência por toda parte Esqueça
o problema de se adaptar aos novos equipamentos. Eles é que acabarão
se adaptando a você 
Tatiana Vaz
AFP  |
NOVO ÔNIBUS Apresentado
no Japão no ano passado, este veículo de transporte da cidade de
Nagoya dispensa o motorista em certos percursos |
De um ponto de vista estrito, há exagero no emprego do adjetivo "inteligente"
em referência a qualquer aparelho doméstico capaz de desempenhar
uma função que normalmente não se espera dele. Afinal, a
definição de inteligência artificial, tal como os cientistas
a perseguem, envolve a capacidade de uma máquina analisar o ambiente, aprender
e se adaptar a ele. Mesmo assim, cada vez mais produtos de uso cotidiano facilitam
a vida humana e, numa definição menos exigente, de fato têm
alguma forma de inteligência. Roupas cujas fibras se abrem e fecham em função
da temperatura, carros que detectam obstáculos e acionam os freios ou geladeiras
que analisam o ar interior à procura de bactérias são exemplos
de "inteligência" aplicada a produtos do dia-a-dia.
Tecnicamente, há uma distinção entre objetos "inteligentes"
e objetos apenas "espertos" ("smarts", em inglês). Os inteligentes conseguem
armazenar e programar informações sobre seu uso. Os "smarts" simplesmente
respondem a estímulos sensoriais, como a temperatura. Um exemplo já
incorporado ao cotidiano é o do pára-brisa que detecta as gotas
de chuva e aciona o limpador. Outros objetos têm utilidades mais prosaicas.
Um pesquisador inglês criou recentemente um prendedor de roupa que identifica
mudanças na pressão atmosférica e recolhe o varal quando
a previsão é de chuva em menos de uma hora. Dois estudantes de uma
universidade alemã inventaram o porta-copos que avisa ao garçom
que a tulipa de chope está vazia. Nesse caso, minúsculos sensores
medem o peso do copo. Nos últimos
anos, o guarda-roupa tem sido um dos alvos favoritos dos pesquisadores. Sensores
adaptados ao vestuário e tecidos criados em laboratório permitem
criar roupas que se adaptam ao ambiente. Pesquisadores da Universidade de Bath,
na Inglaterra, criaram uma camisa que se adapta a variações de temperatura.
O tecido é coberto por uma finíssima camada de material absorvente
de água. Quando a pessoa começa a transpirar, essa camada reage
e as fibras do tecido se abrem. Da mesma forma, quando o ar exterior esfria, elas
se fecham. A "roupa inteligente" foi apresentada na Expo 2005, no Japão,
e espera-se que dentro de poucos anos a tecnologia esteja disponível nas
lojas. A mistura da lã com fibras condutoras de calor também deu
origem a outra inovação: meias elétricas. Ligadas a uma bateria,
semelhante à usada em celulares, as meias permanecem aquecidas por até
quatro horas. A criação, de uma empresa neozelandesa em associação
com um fabricante de lã australiano, deve chegar ao mercado em 2006. As
mesmas empresas pretendem tecer cobertores de lã com fibras condutoras
de calor, criando um edredom ainda mais aconchegante para o inverno. Outra possível
aplicação dessas fibras são tapetes que mudam de cor conforme
a vontade do dono ou tecidos que brilham no escuro, quando aplicada uma leve carga
elétrica. Dada a alta competitividade
na indústria de calçados, é natural que os tênis esportivos
também sejam um laboratório de pesquisas. No ano passado, a Adidas
anunciou o primeiro "tênis inteligente" do mundo. No caso, a inteligência
está em um chip que ajusta em tempo real o amortecimento da sola, conforme
o impacto de cada passo do usuário. Localizado sob o calcanhar, um sensor
magnético envia informações ao microprocessador, capaz de
realizar 5 milhões de cálculos por segundo para ajustar os amortecedores
do calçado. Corredores não são os únicos a se beneficiar
da miniaturização dos chips. Um par de óculos de natação
desenvolvido em uma universidade britânica ajuda os nadadores profissionais
a contar as incontáveis braçadas que dão em um dia de treino
na piscina, graças a um processador embutido no elástico.
Duas áreas em que já são
visíveis os benefícios dos objetos inteligentes são a indústria
de eletrodomésticos e a automobilística. Um aspirador-robô
da Electrolux (já disponível no Brasil) reconhece o espaço
à sua volta e se desvia de obstáculos, tirando a poeira da casa
sem a intervenção do dono. A Michelin criou um pneu "inteligente"
que avisa ao motorista quando há uma perda repentina de pressão,
pelo painel do carro ou até por uma mensagem no telefone celular. Espera-se
que chegue ao Brasil dentro de três anos. Diversas montadoras de carros
já testam sistemas contra colisões e capotamentos, em que o computador
de bordo assume o controle do veículo ao perceber uma situação
em que o ser humano seria incapaz de reagir com rapidez suficiente para evitar
um acidente. Informações como a aceleração do veículo,
o ângulo e o giro de cada roda são obtidas em tempo real. Quando
há perigo iminente, o sistema emite um alerta para computadores integrados
determinando, por exemplo, em que direção virar o volante.
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