Índice
Carta ao leitor
Cenários: As parcerias entre grandes empresas na disputa pelo mercado global
Entrevista: John Battelle, autor de um livro que disseca o Google
Celulares: Os modelos que fazem sucesso no mundo inteiro
Foto digital: Um guia para armazenar, compartilhar e imprimir suas imagens
Informática: Vem aí a próxima geração de processadores, de 64 bits
TV digital: O Brasil adota um padrão de alta definição semelhante ao japonês
Medicina: Os novos equipamentos que mostram detalhes milimétricos do corpo humano
Inteligência: Ela já chegou às roupas, aos carros e aos eletrodomésticos
Sem fio: Como funciona o WiMax, que permitirá acesso à internet de banda larga em cidades inteiras
Entrevista: Jean Paul Jacob, o futurólogo brasileiro da IBM
Games: Os novos jogos e máquinas que transformaram o entretenimento em arte
Tradução: O primeiro software que ouve uma frase em um idioma e a pronuncia em outro
Rádio: A transmissão digital chega ao Brasil e renova um velho meio de comunicação
MP3: Por que o iPod faz tanto sucesso com suas diferentes versões
Entrevista: Ted Nelson, o pai do hipertexto, critica a internet atual
Guia de produtos: Os lançamentos no mercado de eletrônicos deste fim de ano
Celulares
PDAs e smartphones
Câmeras digitais
Computadores
Periféricos
Impressoras e multifuncionais
Filmadoras
TV e home theater
DVDs
Tocadores de MP3
Aparelhos de som
Som do carro
Outros
 
 

Inteligência por toda parte

Esqueça o problema de se adaptar
aos novos equipamentos. Eles é
que acabarão se adaptando a você


Tatiana Vaz


AFP
NOVO ÔNIBUS
Apresentado no Japão no ano passado, este veículo de transporte da cidade de Nagoya dispensa o motorista em certos percursos


De um ponto de vista estrito, há exagero no emprego do adjetivo "inteligente" em referência a qualquer aparelho doméstico capaz de desempenhar uma função que normalmente não se espera dele. Afinal, a definição de inteligência artificial, tal como os cientistas a perseguem, envolve a capacidade de uma máquina analisar o ambiente, aprender e se adaptar a ele. Mesmo assim, cada vez mais produtos de uso cotidiano facilitam a vida humana e, numa definição menos exigente, de fato têm alguma forma de inteligência. Roupas cujas fibras se abrem e fecham em função da temperatura, carros que detectam obstáculos e acionam os freios ou geladeiras que analisam o ar interior à procura de bactérias são exemplos de "inteligência" aplicada a produtos do dia-a-dia.

Tecnicamente, há uma distinção entre objetos "inteligentes" e objetos apenas "espertos" ("smarts", em inglês). Os inteligentes conseguem armazenar e programar informações sobre seu uso. Os "smarts" simplesmente respondem a estímulos sensoriais, como a temperatura. Um exemplo já incorporado ao cotidiano é o do pára-brisa que detecta as gotas de chuva e aciona o limpador. Outros objetos têm utilidades mais prosaicas. Um pesquisador inglês criou recentemente um prendedor de roupa que identifica mudanças na pressão atmosférica e recolhe o varal quando a previsão é de chuva em menos de uma hora. Dois estudantes de uma universidade alemã inventaram o porta-copos que avisa ao garçom que a tulipa de chope está vazia. Nesse caso, minúsculos sensores medem o peso do copo.

Nos últimos anos, o guarda-roupa tem sido um dos alvos favoritos dos pesquisadores. Sensores adaptados ao vestuário e tecidos criados em laboratório permitem criar roupas que se adaptam ao ambiente. Pesquisadores da Universidade de Bath, na Inglaterra, criaram uma camisa que se adapta a variações de temperatura. O tecido é coberto por uma finíssima camada de material absorvente de água. Quando a pessoa começa a transpirar, essa camada reage e as fibras do tecido se abrem. Da mesma forma, quando o ar exterior esfria, elas se fecham. A "roupa inteligente" foi apresentada na Expo 2005, no Japão, e espera-se que dentro de poucos anos a tecnologia esteja disponível nas lojas. A mistura da lã com fibras condutoras de calor também deu origem a outra inovação: meias elétricas. Ligadas a uma bateria, semelhante à usada em celulares, as meias permanecem aquecidas por até quatro horas. A criação, de uma empresa neozelandesa em associação com um fabricante de lã australiano, deve chegar ao mercado em 2006. As mesmas empresas pretendem tecer cobertores de lã com fibras condutoras de calor, criando um edredom ainda mais aconchegante para o inverno. Outra possível aplicação dessas fibras são tapetes que mudam de cor conforme a vontade do dono ou tecidos que brilham no escuro, quando aplicada uma leve carga elétrica.

Dada a alta competitividade na indústria de calçados, é natural que os tênis esportivos também sejam um laboratório de pesquisas. No ano passado, a Adidas anunciou o primeiro "tênis inteligente" do mundo. No caso, a inteligência está em um chip que ajusta em tempo real o amortecimento da sola, conforme o impacto de cada passo do usuário. Localizado sob o calcanhar, um sensor magnético envia informações ao microprocessador, capaz de realizar 5 milhões de cálculos por segundo para ajustar os amortecedores do calçado. Corredores não são os únicos a se beneficiar da miniaturização dos chips. Um par de óculos de natação desenvolvido em uma universidade britânica ajuda os nadadores profissionais a contar as incontáveis braçadas que dão em um dia de treino na piscina, graças a um processador embutido no elástico.

Duas áreas em que já são visíveis os benefícios dos objetos inteligentes são a indústria de eletrodomésticos e a automobilística. Um aspirador-robô da Electrolux (já disponível no Brasil) reconhece o espaço à sua volta e se desvia de obstáculos, tirando a poeira da casa sem a intervenção do dono. A Michelin criou um pneu "inteligente" que avisa ao motorista quando há uma perda repentina de pressão, pelo painel do carro ou até por uma mensagem no telefone celular. Espera-se que chegue ao Brasil dentro de três anos. Diversas montadoras de carros já testam sistemas contra colisões e capotamentos, em que o computador de bordo assume o controle do veículo ao perceber uma situação em que o ser humano seria incapaz de reagir com rapidez suficiente para evitar um acidente. Informações como a aceleração do veículo, o ângulo e o giro de cada roda são obtidas em tempo real. Quando há perigo iminente, o sistema emite um alerta para computadores integrados determinando, por exemplo, em que direção virar o volante.