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terceira dimensão Tecnologias de obtenção de imagens médicas,
muitas já disponíveis no Brasil, prometem diagnósticos rápidos, precisos
e confortáveis  Igor
Ribeiro
Há pouco mais de um século,
a radiografia revolucionou a medicina, exibindo imagens do interior do corpo humano.
Ainda que bidimensionais e sem cores, elas permitiram diagnósticos mais
precisos e tratamentos mais eficazes. Agora, um tomógrafo como o que funciona
desde setembro no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, é
capaz de mostrar detalhes de 0,4 milímetro. As vantagens não se
limitam à qualidade nem à precisão. O conforto do examinado
também melhorou muito. Um exame que antes poderia levar duas horas passou
a ser feito em três minutos. Pacientes com câncer que em certos casos
precisavam de uma semana de internação agora voltam para casa no
mesmo dia da sessão de tratamento. O tomógrafo
de 64 cortes do Sírio-Libanês ilustra bem esse salto tecnológico.
Com esse aparelho, obtêm-se imagens fiéis de sistemas como o respiratório
ou o cardíaco em apenas sete segundos. A tela do computador pode reproduzir
o órgão de um paciente com cores e volumes precisos e de qualquer
ângulo. Imagens que antes só eram decifradas por profissionais treinados
se tornam claras reconstituições do corpo humano, que lembram os
desenhos dos tratados de anatomia. Esse tipo de
novidade ainda não é muito acessível, devido ao alto custo.
Só nos últimos três meses, o Sírio-Libanês investiu
16 milhões de reais em equipamentos. Esse dinheiro deve trazer uma nova
máquina de ressonância magnética, que projeta uma imagem ao
redor do paciente, reduzindo a claustrofobia de quem tem de passar longos minutos
dentro de um tubo enquanto o corpo é digitalizado. "São aparelhos
que, apesar de encarecer o exame, humanizam muito mais o ambiente hospitalar",
diz Antonio Antonietto, gerente de pacientes externos do hospital.
Visto como o patinho feio da medicina imagética, por ser menos avançado
que a ressonância ou a tomografia, o ultra-som ganhou novo fôlego
com a chegada do aparelho em 3D, que faz ecocardiograma em tempo recorde. "É
como se o ultra-som fosse um Fusquinha cujo motor foi turbinado", diz Marcos Valério
de Resende, chefe do serviço de ecocardiografia do Hospital São
Luiz, em São Paulo. O ultra-som em 3D fornece ótimas imagens do
coração em três minutos, contra duas horas das menos precisas
máquinas da geração anterior. O exame pode definir muito
melhor a necessidade de transplante, ou de implantação de um marca-passo,
em casos como o dissincronismo cardíaco, no qual um lado do coração
funciona melhor que o outro. Esse tipo de tecnologia incorpora recursos de softwares
de computação gráfica muitos deles desenvolvidos pelas
empresas hollywoodianas de animação e efeitos especiais.
Outra técnica, a radioterapia guiada por imagem, acrescenta à ressonância
magnética e à tomografia computadorizada a localização
em tempo real e em três dimensões de tumores cancerígenos,
que estão em constante evolução dentro do corpo. O aparelho
em instalação no Hospital Israelita Albert Einstein, em São
Paulo deve estar disponível no começo de 2006 , localiza
o ponto exato a ser atacado, poupando da irradiação tecidos vizinhos
saudáveis. "É como um míssil teleguiado", diz Rodrigo de
Morais Hanriot, radioterapeuta titular do hospital. Em casos de câncer de
próstata, pode-se aumentar a carga radioativa em cerca de 12% e diminuir
os riscos de errar o alvo para menos de 6%. Isso significa menor necessidade de
métodos complementares, como quimioterapia ou transfusão. Em alguns
casos de radioterapia, internações de sete semanas poderão
ser trocadas por um dia no day hospital. O tratamento de metástases cerebrais,
que exige dias de UTI, também se beneficiará do novo aparelho.
A medicina imagética não é usada somente em diagnósticos,
mas também em pesquisas. Uma de suas aplicações é
a decifração do complexo cérebro humano. Uma tecnologia chamada
FMRI (do inglês para "ressonância magnética funcional") identifica
as partes específicas do cérebro que estão sendo ativadas
por mensagens externas. Isso tem utilidade não apenas para a ciência
como também para a indústria. Em uma experiência, um laboratório
de tecnologia californiano está tentando identificar quais as cenas dos
filmes que mais estimulam o cérebro da platéia, com a finalidade
de produzir trailers, aquelas pequenas peças publicitárias que promovem
filmes, que atraiam o maior número possível de espectadores. Se
Hollywood contribuiu para a ciência com os softwares de manipulação
de imagens, é normal que obtenha alguma retribuição. | |