Índice
Carta ao leitor
Cenários: As parcerias entre grandes empresas na disputa pelo mercado global
Entrevista: John Battelle, autor de um livro que disseca o Google
Celulares: Os modelos que fazem sucesso no mundo inteiro
Foto digital: Um guia para armazenar, compartilhar e imprimir suas imagens
Informática: Vem aí a próxima geração de processadores, de 64 bits
TV digital: O Brasil adota um padrão de alta definição semelhante ao japonês
Medicina: Os novos equipamentos que mostram detalhes milimétricos do corpo humano
Inteligência: Ela já chegou às roupas, aos carros e aos eletrodomésticos
Sem fio: Como funciona o WiMax, que permitirá acesso à internet de banda larga em cidades inteiras
Entrevista: Jean Paul Jacob, o futurólogo brasileiro da IBM
Games: Os novos jogos e máquinas que transformaram o entretenimento em arte
Tradução: O primeiro software que ouve uma frase em um idioma e a pronuncia em outro
Rádio: A transmissão digital chega ao Brasil e renova um velho meio de comunicação
MP3: Por que o iPod faz tanto sucesso com suas diferentes versões
Entrevista: Ted Nelson, o pai do hipertexto, critica a internet atual
Guia de produtos: Os lançamentos no mercado de eletrônicos deste fim de ano
Celulares
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Outros
 
 

A revolução dos 64 bits

A próxima geração de computadores,
com superprocessadores, promete
fazer as mais potentes máquinas
atuais parecer pré-históricas

Uma comparação entre os primeiros computadores pessoais fabricados no Brasil, no início dos anos 80, e os disponíveis atualmente está longe de dar indícios sobre como serão os PCs dentro de duas décadas. As máquinas domésticas de vinte anos atrás carregavam processadores de 8 bits, não podiam rodar vários programas de uma vez e levavam longos segundos para completar tarefas pouco complexas. Os atuais têm chips de 32 bits, desempenham várias funções ao mesmo tempo e são capazes de milhões de cálculos por segundo. Essa geração aos poucos será substituída por um novo tipo de computador, com processador de 64 bits, que fará os mais potentes desktops atuais parecer pré-históricos. Esse processador reunirá dois núcleos na mesma cápsula – tecnologia que é chamada de dual core pela indústria e que equivale a duplicar uma estrada para permitir um tráfego maior.

Os 64 bits são como se, de uma hora para outra, o computador se tornasse capaz de manipular "palavras" maiores. Um computador de 8 bits "lê" palavras de oito letras; um de 64 bits lê palavras oito vezes maiores. Como grande parte da capacidade de processamento de uma máquina vem da velocidade com que ela trata blocos de informação, pode-se entender facilmente o salto que isso representa. Não basta, porém, sair acumulando bits para elevar a potência dos computadores domésticos. Essa evolução tem de ser acompanhada pela criação de máquinas e programas que consigam aproveitar o potencial dos novos processadores. A tecnologia para fabricar chips de 64 bits já existe desde a década de 90, mas sua aplicação comercial é bem mais recente. A IBM, a AMD e a Intel, três líderes do setor, lançaram seus chips de 64 bits nos últimos dois anos. Por ora, eles se destinam, na maioria dos casos, a empresas que precisam de computadores de alto desempenho. O Power Mac G5, da Apple, que tem processador dual core de 64 bits, custa 9 400 reais na versão mais simples. Em abril deste ano a Microsoft lançou uma versão de seu sistema operacional (o programa que permite rodar outros programas), o Windows, para os 64 bits.

Prevê-se que dentro de dez anos, talvez menos, os 64 bits e os computadores dual core já sejam o padrão da indústria de máquinas domésticas. Por mais potentes que sejam, as máquinas atuais já encontram limitações. Perdem desempenho, por exemplo, ao realizar duas tarefas pesadas simultaneamente – como baixar um filme da internet enquanto se converte outro arquivo de vídeo de um formato para outro. Com o dual core é possível rodar duas aplicações pesadas e o desempenho ficar inalterado. Se o PC tornar-se uma central digital, que controle o funcionamento de outros aparelhos da casa, também haverá necessidade de equipamentos mais robustos. "O computador é forte candidato a ser o hub central da casa digital", diz Sidnei Shibata, gerente de marketing e produtos da Dell no Brasil.

 
Duas gerações lado a lado
Fotos Alice Hattori e divulgação