Índice
Carta ao leitor
Cenários: As parcerias entre grandes empresas na disputa pelo mercado global
Entrevista: John Battelle, autor de um livro que disseca o Google
Celulares: Os modelos que fazem sucesso no mundo inteiro
Foto digital: Um guia para armazenar, compartilhar e imprimir suas imagens
Informática: Vem aí a próxima geração de processadores, de 64 bits
TV digital: O Brasil adota um padrão de alta definição semelhante ao japonês
Medicina: Os novos equipamentos que mostram detalhes milimétricos do corpo humano
Inteligência: Ela já chegou às roupas, aos carros e aos eletrodomésticos
Sem fio: Como funciona o WiMax, que permitirá acesso à internet de banda larga em cidades inteiras
Entrevista: Jean Paul Jacob, o futurólogo brasileiro da IBM
Games: Os novos jogos e máquinas que transformaram o entretenimento em arte
Tradução: O primeiro software que ouve uma frase em um idioma e a pronuncia em outro
Rádio: A transmissão digital chega ao Brasil e renova um velho meio de comunicação
MP3: Por que o iPod faz tanto sucesso com suas diferentes versões
Entrevista: Ted Nelson, o pai do hipertexto, critica a internet atual
Guia de produtos: Os lançamentos no mercado de eletrônicos deste fim de ano
Celulares
PDAs e smartphones
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Periféricos
Impressoras e multifuncionais
Filmadoras
TV e home theater
DVDs
Tocadores de MP3
Aparelhos de som
Som do carro
Outros
 
 

Casamentos digitais

Disputa pelo mercado global leva gigantes
da tecnologia a se unir para oferecer
produtos e serviços em comum


Letícia Sorg

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Quadro: Lua-de-mel tecnológica

Praticamente toda semana há alguma apresentação bombástica feita por uma grande empresa de tecnologia, como o Google, a Apple ou a Microsoft, de um novo produto ou serviço que promete revolucionar o setor. De alguns meses para cá, outro tipo de anúncio tem tido destaque: associações entre essas mesmas empresas. Gigantes como Google e Sun, Microsoft e Palm ou Apple e Intel estão unindo forças para produzir lançamentos em comum (veja quadro). Embora por enquanto tenham provocado mais alvoroço no mercado de ações do que no público, já que em alguns casos as intenções da parceria não ficaram muito claras, é certo que esses casamentos de conveniência terão em poucos anos um impacto direto na vida do consumidor de tecnologia.

Montagem sobre foto de Marcelo Tinoco


Um exemplo típico é a compra do Skype, o mais popular serviço de voz pela internet (VoIP), pelo eBay, o site de leilões mais freqüentado dos Estados Unidos. O valor pago – 2,6 bilhões de dólares – foi considerado alto demais pelo mercado, que não vê como o eBay pode obter retorno rápido do investimento. Fala-se em um aumento no número de transações on-line caso vendedores e compradores possam conversar entre si de graça, usando o Skype para fechar um negócio iniciado pelo eBay. Essa vantagem é evidente, mas alguns analistas acham que o interesse vai ainda mais longe. Embora o VoIP reduza drasticamente o custo das ligações telefônicas, isso não significa necessariamente que as pessoas vão gastar menos com telefonia. Pelo contrário, pode ser até que desembolsem mais – da mesma forma que as fotos digitais são muito mais baratas que os antigos filmes de 36 poses e por isso se fotografa muito mais que no passado. Pode estar aí o interesse do eBay na compra do Skype – ao mesmo tempo que oferece o serviço de voz pela internet, pode no futuro ser o intermediário ideal entre o consumidor e os fabricantes de aparelhos e acessórios para falar de graça, ou quase, pelo telefone.

Mas a motivação principal por trás das recentes parcerias não é o interesse do consumidor, e sim a perspectiva de um mercado global dominado por poucas empresas dentro de alguns anos. Na área de programas de troca de mensagens instantâneas, o surgimento de um concorrente, o Google Talk, levou Microsoft e Yahoo! a unir seus softwares, o MSN Messenger e o Yahoo! Messenger. A vantagem para o usuário é que a união permitirá ao adepto de um software conversar com o de outro sem ter de baixar e instalar um programa a mais.

O futuro pode estar em meia dúzia de grandes companhias que atuem em áreas totalmente diferentes, da fabricação de computadores a serviços como busca pela internet. "Está ficando cada vez mais difícil delimitar fronteiras. Negócios antes vistos como distintos agora são similares", analisa David Schatsky, vice-presidente de pesquisa da consultoria especializada em tecnologia JupiterResearch. "As empresas que não explorarem isso ficarão para trás." Nessa corrida uma das líderes parece ser a Apple, que anunciou em outubro lucros recordes em toda a sua história. A empresa de Steve Jobs, que vende música pela internet e produz computadores e software, é daquelas cuja atividade não pode ser descrita em poucas palavras. "Acho que podemos definir o negócio da Apple em algum lugar entre entretenimento e tecnologia", arrisca Fernando Del Granado, gerente de marketing da empresa para a América Latina.

"A parceria entre as empresas significa mais funcionalidade acessível a vários dispositivos", afirma Berthier Robeiro-Neto, diretor de engenharia do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento para a América Latina do Google. Um exemplo é o da parceria entre a Palm e a Microsoft para o uso do programa Windows Mobile nos PDAs Treo. Para os usuários, trata-se da união do computador de mão mais avançado do mercado com o sistema operacional mais compatível com outros aparelhos, como os PCs e smartphones. De certa forma, é a mão invisível do mercado que ditará o futuro desses casamentos e dirá se eles vingarão ou não.