Ser ou não
ser... lixeiro
Gostar
de cultura trash não faz mal a ninguém. Assista aqui
uma entrevista de Zé do caixão e conheça um
pouco de sua obra
"A
idéia de escrever a biografia de José Mojica Marins surgiu há cerca
de cinco anos, quando ele começou a ficar conhecido nos Estados
Unidos e Europa como Coffin Joe. Ficamos felizes com seu sucesso
no exterior, mas sua aclamação em terras estrangeiras também nos
alertou para o revoltante esquecimento que Mojica experimentava
em seu próprio país.
Vítima
de uma censura política e econômica que por pouco não acabou corn
sua carreira na década de 70, ele sobreviveu nesses últimos anos
fazendo aparições ocasionais naTV e animando festas no subúrbio,
sempre encarnando seu alter ego, Zé do Caixão. Mas já se vão vinte
anos desde que o último filme de Zé do Caixão chegou às telas. As
novas gerações de brasileiros, portanto, pouco ou nada sabem sobre
a carreira de Mojica no cinema. A maioria o conhece apenas por seu
lado folclórico, por suas unhas compridas e cara de mau. Poucos
sabem do papel de destaque que ele ocupa em nossa cultura popular.
Falamos
sem medo de errar: José Mojica Marins é o maior artista mul-timídia
da história do Brasil. Quem mais pode se gabar de ter feito sucesso
em cinema, TV, rádio, livros, discos, revistas em quadrinhos, teatro,
litera-tura de cordel e fotonovelas? Que outro artista do cinema
brasileiro foi tão famoso a ponto de ter uma linha de cosméticos,
sabonetes e xampus com sua própria marca? Quem já teve uma pinga
batizada com seu nome?
Num
país em que cineastas que fizeram seus pés-de-meia à custa de dinheiro
público e ainda têm a cara-de-pau de reclamar do governo, José Mojica
Marins dirigiu mais de trinta longas-metragens sem jamais contar
com ajuda oficial. Aliás, o Estado brasileiro só fez prejudicá-lo,
censurando e mutilando seus filmes. Sozinho, "sem dinheiro nem cultura",
como es-creveu Rogério Sganzerla, Mojica realizou o sonho impossível:
fazer cine-ma, a arte mais cara do planeta, num país pobre, sem
nunca ter estudado, sem contar com amigos influentes ou favores
de quem quer que seja. É uma história e tanto. Aproveite."
André
Barcinski e Ivan Finotti em Maldito A Vida e o Cinema
de José Mojica Marins, o Zé do Caixão;
Editora 34; 448 páginas.
Leia
mais trechos da biografia de José Mojica Marins
Primeiras
experiências cinematográficas
O
nascimento de Zé do Caixão
Sinopse
de À Meia-Noite Levarei Sua Alma
Assista
à entrevista com Zé do Caixão e a outros vídeos
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oficial de Zé do Caixão
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