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Diogo
Mainardi
No Iraque, é melhor
"No ano passado, o
Brasil teve 44 663 assassinatos. O dado acaba de ser publicado
pelo governo federal. No mesmo período, de acordo com
o site do Iraq Coalition Casualty Count, a guerra no Iraque
produziu 18 655 mortes. Os americanos alarmaram-se tanto com
esse número que aceitaram mandar mais 30 000 soldados
para lá. O resultado? As mortes diminuíram drasticamente"
A favela da Rocinha
é uma "fábrica de produzir marginais". A frase
é do governador Sérgio Cabral. Ele acrescentou
que a Rocinha só vai parar de fabricar marginais quando
o aborto for legalizado. Finalmente um político admite
que o maior problema do Brasil é o brasileiro.
Na mesma reportagem,
Sérgio Cabral comparou a Rocinha à Zâmbia.
Até aí tudo bem. Ninguém discute que
a Rocinha seja igual à Zâmbia. Espantei-me apenas
quando ele comparou Copacabana à Suécia. E o
Méier à Suécia.
Sérgio Cabral
é nosso James Watson. James Watson, um dos descobridores
da estrutura do DNA, declarou que o preto africano é
menos inteligente do que o branco europeu. Anteriormente,
ele já declarara que os estudos genéticos permitiriam
abortar todos os fetos defeituosos. O governador do Rio de
Janeiro descobriu o DNA da marginalidade entre os africanos
da Rocinha e agora quer abortá-los. Segundo ele, ficaremos
mais seguros. Ficaremos mais inteligentes também?
Uma semana antes
de Sérgio Cabral apresentar suas teorias eugenistas,
os policiais cariocas, a bordo de um helicóptero, mataram
uns marginais no Morro da Coréia. A Secretaria de Segurança
Pública explicou que seria difícil efetuar uma
operação análoga nos morros da Zona Sul,
porque "um tiro em Copacabana é diferente de um disparado
na Coréia". Copacabana é a Suécia. Ali
só vale o aborto em massa.
No ano passado,
o Brasil teve 44 663 assassinatos. O dado acaba de ser publicado
pelo governo federal. No mesmo período, de acordo com
o site do Iraq Coalition Casualty Count, a guerra no Iraque
produziu 18.655 mortes. Os americanos alarmaram-se tanto com
esse número que aceitaram mandar mais 30 000 soldados
para lá. O resultado? Em fevereiro de 2007, quando
as novas tropas desembarcaram no país, registraram-se
3 014 mortes. Em agosto, elas já haviam diminuído
para 1.674. Em setembro, 848. Em outubro, até a última
quinta-feira, morreram 531 iraquianos.
Consulto todos
os dias o site do Iraq Coalition Casualty Count. Consulto
todos os dias também o site do Iraq Body Count, onde
cada confronto fatal recebe um código e uma ficha de
ocorrência. A ficha k7633 relata a morte de um professor
da universidade religiosa de Al Sadr. A ficha k7634 assinala
dois cadáveres encontrados em Al Kifl. Os americanos
parecem se preocupar mais com os assassinatos de iraquianos
do que os brasileiros com os assassinatos de brasileiros.
Pior do que a idéia
de Sérgio Cabral de abortar os marginais zambianos
da Rocinha só mesmo o Pronasci, aquela idéia
de Lula de dar um dinheirinho mensal aos marginais para evitar
que eles cometam crimes. O programa foi apelidado de Bolsa
Bandido ou Bolsa Pivete. Prefiro chamá-lo mais simplesmente
de Bolsa Júlio Lancellotti.
Cedo ou tarde,
o Iraque será pacificado e a autoridade local poderá
comparar Al Kifl à Suécia. A Zâmbia de
Sérgio Cabral e Lula continuará com seus 44.663
assassinatos. Se tudo correr bem.

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