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Diogo
Mainardi IstoÉ,
a mais vendida
"Fim
de agosto. Base aérea de Congonhas. Lula se
encontra com Domingo Alzugaray, dono da IstoÉ. O encontro está
fora da agenda presidencial. Alzugaray se lamenta dos problemas financeiros
da revista. Lula pergunta como pode ajudá-lo..." Fim
de agosto. Base aérea de Congonhas. Lula se encontra com Domingo Alzugaray,
dono da IstoÉ. O encontro está fora da agenda presidencial.
Alzugaray se lamenta dos problemas financeiros da revista. Sabe como é:
salários atrasados, contas penduradas com o fornecedor de papel e com a
gráfica. Lula pergunta como pode ajudá-lo. Alzugaray sugere o pagamento
imediato de uma série de encartes encomendados pela Petrobras. Valor total:
13 milhões de reais. Lula promete se interessar pelo assunto. Duas semanas
depois, a IstoÉ publica a matéria de capa com os Vedoin,
incriminando os opositores de Lula. Quem
relatou o encontro confidencial entre Lula e Alzugaray foi o editor da sucursal
brasiliense da IstoÉ, Mino Pedrosa. E quem o relatou a mim foi o
PFL. Creio que seja verdade. Creio em tudo o que contam de ruim a respeito de
Lula. O que posso garantir é que a imprensa lulista funciona assim mesmo.
O presidente manda. O jornalista publica. O contribuinte paga. Aborreci um monte
de gente para tentar descobrir se a IstoÉ foi socorrida pela Petrobras
nas últimas semanas. Ninguém soube me dizer. Os gastos em publicidade
da Petrobras competem somente a ela mesma. O presidente manda. O jornalista publica.
O contribuinte paga. Mas nunca fica sabendo onde foi parar o tutu. É o
esquema perfeito. A IstoÉ foi acusada por seu próprio editor
de ter vendido a matéria de capa com os Vedoin. Quem forneceu o dinheiro?
Meu conselho é perguntar ao diretor de marketing da Petrobras, Wilson Santa
Rosa. Ele é homem da CUT, como muitos dos que foram pegos em flagrante
nessa trama golpista. E é amigo de José Dirceu. Sempre desconfio
de quem é da CUT e amigo de José Dirceu.
Um dos principais petistas implicados na compra de matéria
da IstoÉ foi Hamilton Lacerda. Ele era coordenador da campanha de
Aloizio Mercadante. Foi afastado depois de admitir que negociou a entrevista com
os Vedoin. O repórter Ricardo Brandt descobriu que Lacerda "atuou como
intermediador de contratos da Petrobras com órgãos de imprensa".
Esses fatos esclareceriam o que aconteceu desde o encontro de Lula com Domingo
Alzugaray na base aérea de Congonhas até hoje. Lacerda era o responsável
pela propaganda eleitoral de Mercadante. A produtora que faz a propaganda eleitoral
de Mercadante é a VBC. VBC... VBC... O nome é familiar. É
a mesma VBC que se meteu no escândalo do lixo de Marta Suplicy? É
a mesma VBC que produziu farto material de propaganda da Petrobras, incluindo
um documentário de três horas sobre o Pantanal? Sim. É a mesma
VBC. Esse é o único lado bom do PT: seus enredos criminosos sempre
fecham. Tanto que, nesse episódio da matéria da IstoÉ,
já apareceram pessoas envolvidas com Celso Daniel, valerioduto, diretoria
do Banco do Brasil, ONGs do Ministério do Trabalho, contratos de publicidade,
Delúbio Soares, sanguessugas. De um jeito ou de outro, tudo se encaixa.
Tudo remete a Lula e a José Dirceu. Lula
ainda pode se eleger. No segundo turno. Se ele for eleito, cedo ou tarde seu mandato
será cassado. Porque sua campanha usou dinheiro ilegal. Nos últimos
anos, peguei no pé dos jornalistas alinhados com o PT. Foi burrice minha.
A imprensa lulista é o melhor produto nacional. Primeiro derrubou Antonio
Palocci. Agora vai derrubar Lula. Alguém aí quer me comprar? |