"Esse
é um bom resumo de 2007. Se estivéssemos num romance de
Chico Buarque, eu diria que, no instante em que cumprimentei Paulo Henrique
Amorim, o ano inteiro passou diante de meus olhos. O Brasil mergulhou
de vez na chanchada"
Paulo Henrique
Amorim e eu no Fórum de Pinheiros, em São Paulo. Ele como acusador,
eu como réu. Encontramo-nos na última segunda-feira, na ante-sala
da 1ª Vara Criminal. Fui até ele, cumprimentei-o e perguntei:
Onde está sua bota cor-de-rosa?
Eu
me referia ao programa de Tom Cavalcante, na Rede Record. Duas semanas atrás,
Paulo Henrique Amorim participou do quadro B.O.F.E. de Elite, que está
circulando na internet com o título "Jornalista de Elite".
B.O.F.E.
de Elite, segundo seus autores, é "uma tropa gay, chiquetérrima".
Os soldados trajam roupas pretas e botas cor-de-rosa. No programa, Paulo Henrique
Amorim desempenhou o papel de um jornalista sério. Em primeiro lugar, perguntou
o que teria de fazer para se tornar ele próprio um membro do B.O.F.E. de
Elite. O aspira 011 ("Porque 11 é um atrás do outro")
respondeu: "Tem de saber segurar no fuzil com carinho". Em seguida,
o cantor Tiririca, intérprete do aspira 08 ("Além de macho,
ele come biscoito"), soltou o grito de guerra do B.O.F.E. de Elite ("Pochete,
gilete, agasalhamos o croquete/Me bate, me arranha, me chama de pira-nha").
Paulo Henrique Amorim curvou-se de tanto rir. Em outra cena, um ator de filmes
pornográficos, Alexandre Frota, mandou o jornalista ficar de costas para
poder "analisar melhor a sua matéria". Paulo Henrique Amorim
obedeceu prontamente, dando um rodopio sensual e recebendo um galanteio do chamado
Capitão Monumento: "Que matéria!".
Esse
é um bom resumo de 2007. Se estivéssemos num romance de Chico Buarque,
eu diria que, no instante em que cumprimentei Paulo Henrique Amorim, o ano inteiro
passou diante de meus olhos. O Brasil mergulhou de vez na chanchada. Os aspectos
mais grotescos da nacionalidade eliminaram aquele pingo de pudor que a gente ainda
fingia conservar. Consagrou-se a burrice, a obtusidade, o descaramento. O lado
mais rasteiro do lulismo contaminou o resto da sociedade.
Paulo
Henrique Amorim me processou duas vezes por um comentário sobre seu
blog no iG. O primeiro processo eu ganhei. Na segunda-feira, apresentamos as testemunhas
do segundo. Ele argumenta que, quando eu o acuso de ser a voz do PT, trata-se
de uma calúnia. Quando ele me acusa de ser fascista e caluniador, trata-se
de uma simples opinião. De acordo com ele, minha coluna afetou seriamente
sua imagem. Ele disse à juíza: "A senhora confiaria num jornalista
que escreve a soldo? A senhora não deve acreditar no que eu escrevo porque
eu sou um jornalista sem credibilidade". Pelo contrário: ele tem toda
a credibilidade que se confere a um jornalista do B.O.F.E. de Elite.
Paulo
Henrique Amorim saiu enfurecido do tribunal, berrando: "Perdi! Não
vou conseguir metê-lo na cadeia". Ele tinha uma viagem marcada para
Nova York. Perguntei se ele ficaria em um de seus dois apartamentos na cidade.
Ele respondeu que sim. Perguntei se os dois apartamentos haviam sido declarados
ao imposto de renda. Ele respondeu mais uma vez que sim.
Enquanto
Paulo Henrique Amorim se afastava, analisei-o de costas e pensei: