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Diogo
Mainardi
Diogo, o traíra
"A única coisa
a fazer na América Latina é emigrar.
Quem declarou isso foi Simon Bolívar, alguns
dias antes de morrer de tuberculose. Claro que
concordo. Já emigrei no passado. Emigrarei muitas
outras vezes no futuro. Eu sou um legítimo bolivariano"
Dei uma sanfona
a meu filho de 6 anos. Agora ele está determinado a
tocá-la na rua, pedindo esmola aos passantes. Creio
que seja efeito do lulismo. Até a classe média
já pensa em mendigar.
A sanfona foi comprada
no Rio Grande do Sul. Na última segunda-feira, participei
de uma palestra sobre o papel da imprensa, na PUC de Porto
Alegre. Fiz a pantomima de sempre: ofendi Lula e meia dúzia
de jornalistas adesistas. A certa altura, uns manifestantes
me interromperam com o brado:
Diogo, traíra
da América Latina!
A única
coisa a fazer na América Latina é emigrar. Quem
declarou isso foi Simon Bolívar, alguns dias antes
de morrer de tuberculose. Claro que concordo. Já emigrei
no passado. Emigrarei muitas outras vezes no futuro. Eu sou
um legítimo bolivariano. Só tenho de dar um
jeito de morrer de tuberculose. No mesmo documento, Simon
Bolívar declarou também que os países
do continente seriam dominados por tiranos rasteiros e por
massas desenfreadas.
Bolívar,
traíra da América Latina!
A propósito
de tiranos rasteiros, Hugo Chávez, que alega inspirar-se
em Simon Bolívar, mandou refazer todos os livros de
história de seu país, a fim de preparar os alunos
venezuelanos para o socialismo moreno, ou seja lá como
se chama o que ele propõe. Lula está bem mais
adiantado do que Hugo Chávez. Como mostrou Ali Kamel,
em O Globo, nossos estudantes aprendem desde cedo a
glorificar Mao Tsé-tung, Fidel Castro, o MST, o comunismo
soviético e Ziraldo.
Falsificar a história
é uma prática corriqueira entre nós.
Quando passei por Porto Alegre, um bando de gaúchos
estava acampado à beira do Guaíba, bebendo mate
e tocando sanfona, em homenagem ao aniversário da Guerra
dos Farrapos. No Correio do Povo, Juremir Machado da
Silva definiu a Farroupilha como sendo "a guerra civil que
perdemos, assinamos um acordo de empate e comemoramos como
se tivéssemos vencido".
Uma das figuras
mais características da Guerra dos Farrapos é
o maestro Mendanha. Ele era o regente da fanfarra imperial.
Depois de ser capturado pelas tropas farroupilhas, aceitou
musicar o hino do inimigo. O maestro Mendanha é o paradigma
do artista nacional: rendido, medroso e traidor. Para compor
o hino rio-grandense, ele roubou a melodia de uma valsa de
Strauss. Portanto: rendido, medroso, traidor e plagiário.
Gilberto Gil é
o maestro Mendanha do lulismo. Assim como o maestro Mendanha
pirateou a valsa de Strauss, Gilberto Gil defendeu normas
mais elásticas para a pirataria na internet. Uma pesquisa
recente do Instituto Ipsos indicou Gilberto Gil como o ministro
mais popular de Lula. Isso aconteceu depois de o Ministério
da Cultura ficar paralisado por mais de quatro meses, por
causa da greve de seus funcionários. Museus, bibliotecas,
teatros e cinematecas permaneceram fechados. Se é assim
que funciona, é melhor fechá-los de vez. Economizaremos
um baita dinheiro. E ninguém sentirá falta deles.
Os lobistas da cultura sempre repetem que o estado precisa
financiar arte, literatura, cinema. Precisa nada. Passamos
perfeitamente bem sem isso tudo. Se os artistas quiserem,
podem tocar sanfona na rua e arrecadar umas moedinhas.
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