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Diogo
Mainardi Fábula capital
"Forjamos
reportagens e mais reportagens sobre a roubalheira do PT. Alguém sugeriu
organizar um golpe. Passamos uns documentos falsos para os broncos do Palácio
do Planalto e mobilizamos nossos agentes da Polícia Federal. Viramos
o jogo na última semana. O acidente da Gol quase atrapalhou nossos
planos. Mas impedimos que o Jornal Nacional
desse a notícia" Arrumem
outro colunista. Passei o ano tentando derrotar o Lula. Fracassei. Eu e mais quatro
ou cinco panfleteiros da grande imprensa. Primeiro espalhamos que os petistas
roubavam. Ninguém acreditou em nossa mentira. Depois lançamos a
candidatura de Geraldo Alckmin, em vez de José Serra, embora o segundo
aparecesse nas pesquisas com o dobro dos votos do primeiro. Quem eles pensam que
a gente é? Eles pensam que a gente acredita em pesquisas compradas?
Engabelar os ricos é moleza. É o que demonstra a história
da humanidade. Muito mais difícil é engabelar os pobres. Forjamos
reportagens e mais reportagens. O eleitorado rico logo se rendeu a nós.
O eleitorado pobre, dotado de maior discernimento, aquele mesmo discernimento
que sempre o levou a fazer as escolhas certas, percebeu o engano e continuou fiel
a Lula. Os mais obstinados foram os analfabetos, sobretudo os nordestinos, que
se recusaram terminantemente a ler minha coluna e a votar em Geraldo Alckmin,
mesmo que de nariz tapado. Quando
percebemos que Lula venceria no primeiro turno, foi um corre-corre danado. Alguém
sugeriu organizar um golpe. A proposta foi aceita unanimemente. Um de nós
pensou em implicar o chefe da máfia dos sanguessugas. Passamos uns documentos
falsos para os broncos do Palácio do Planalto e mobilizamos nossos agentes
da Polícia Federal. Com o apoio do resto da imprensa, denunciamos os broncos
do Palácio do Planalto e viramos o jogo na última semana de campanha
eleitoral. O acidente da Gol, possivelmente engendrado pelo aparato petista, quase
atrapalhou nossos planos, desviando o foco dos telespectadores. Mas reagimos a
tempo e impedimos que o Jornal Nacional desse a notícia.
Lula ganhou mesmo assim. Apesar de nossas tramóias. Apesar de nosso golpismo.
Luis Fernando Verissimo recriminou os ricos por se recusarem a ser governados
pelos pobres. Eu sou o retrato disso. Jamais poderei me conformar à perda
do poder, depois de 500 anos de supremacia incontrastada. Estou até respondendo
judicialmente pelas calúnias que pronunciei contra os pobres membros da
classe trabalhadora da Previ, da Petros e do Funcef. A Previ tem um patrimônio
líquido de 100 bilhões de reais. O da Petros é de 30 bilhões.
O do Funcef é de 25 bilhões. Fui acusado de ofender esses pobres
trabalhadores de "forma covarde".
Que fique claro: nunca fui rico. Que fique igualmente claro: nunca mandei em ninguém.
Mas os petistas garantem que sou a voz do dono. E o dono é rico e manda
num bocado de gente. Se Carlos Heitor Cony até hoje é conhecido
como Manchetinha, por ser a voz de Adolpho Bloch, eu devo ser o Abrilzinho. Falei
com o dono da Abril apenas uma vez na vida, num almoço. Os temas tratados
foram etimologia e Tiazinha. Mesmo assim, os petistas dizem que tento interpretar
seus desejos e editorializá-los em minha coluna.
Eu e os outros panfleteiros da grande imprensa ficamos baqueados com a vitória
esmagadora de Lula. Aguardem: um dia a gente volta. |