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Especial A
teimosia compensa Dan Brown levou quatro livros
para alcançar a fama. Agora se prepara para lançar um romance
sobre a maçonaria. O sucesso é inevitável 
Jerônimo Teixeira
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Se é possível
retirar alguma lição edificante da trajetória do americano
Dan Brown, não será sobre o valor da leitura uma vez que
a pesquisa acadêmica em seus livros não é exatamente primorosa
, mas sobre a vitória da persistência. Antes que O Código
Da Vinci começasse a colecionar números extraordinários
(veja o quadro ao lado), o ex-músico e ex-professor escreveu três
tentativas goradas de best-seller: Fortaleza Digital, Anjos & Demônios
e Ponto de Impacto. As sociedades secretas e conspirações
desses livros não conseguiram conquistar a massa dos leitores, mas Brown
insistiu nos seus temas. Em 2003, ele finalmente acertou a fórmula: aos
recursos de praxe, acrescentou um "segredo" religioso com vago teor herético
e referências ao pop star da Renascença, Leonardo da Vinci. E assim
emplacou um dos maiores fenômenos editoriais de todos os tempos fenômeno
que terminou por fazer com que seus lançamentos anteriores deixassem o
limbo e se transformassem também em best-sellers.
Nascido em 1964, no estado de New Hampshire, Brown é filho de uma organista
de igreja e de um professor de matemática da Academia Phillips Exeter,
uma escola preparatória de elite. Antes de se consagrar como escritor,
tentou seguir os passos dos pais na música e no magistério. Ao terminar
a faculdade, por exemplo, radicou-se em Los Angeles, a fim de se aventurar na
indústria fonográfica. Chegou a gravar alguns discos. Na letra de
Birth of a King, uma de suas canções, há esse singelo
trecho que parece prefigurar os museus labirínticos de Anjos & Demônios
e O Código Da Vinci: "Você corre sozinho / Descendo por
sinuosas escadas de mármore, / através de incontáveis aposentos".
Sensatamente, Brown concluiu que
não fora talhado para a carreira musical. Por algum tempo, então,
acomodou-se como professor secundário. Deu aulas de inglês na Phillips
Exeter, a escola em que seu pai trabalhara. Foi enquanto lecionava que começou
a criar seu primeiro romance, Fortaleza Digital. Em 1996, antes mesmo de
obter uma editora para o livro, Brown decidiu que a literatura era sua vocação.
Demitiu-se da escola para escrever em tempo integral. Seguiram-se mais dois títulos
antes que O Código Da Vinci estourasse nos Estados Unidos, em 2003.
O Código Da Vinci seduz
alguns leitores por seu verniz de informação histórica, mas
esse não é o forte do autor. Brown passa muito longe da erudição
do italiano Umberto Eco um escritor com ampla formação acadêmica
em semiologia, filosofia e estética e um especialista em Idade Média
que congregou todo o seu saber para compor o best-seller O Nome da Rosa,
uma história de detetive passada num mosteiro medieval que teve milhões
de leitores na década de 80. O Código Da Vinci investe nas
teorias mais fáceis, rápidas e sensacionalistas.
O sucesso, claro, atrai seu próprio
tipo de vicissitude. Recentemente, os historiadores esotéricos Michael
Baigent e Richard Leigh processaram a editora inglesa de Brown sob a alegação
de que O Código Da Vinci roubava achados seus, em especial o tema
do casamento de Jesus e Maria Madalena. "Pela impressão que tive no julgamento,
não creio que Brown tenha agido de má-fé. Ele não
deu crédito ao nosso livro por ingenuidade. É um amador", disse
Baigent a VEJA. A Justiça inglesa deu ganho de causa à Random House,
editora de Brown. Apesar de desapontado, Baigent diz que não vai perder
a adaptação cinematográfica de O Código Da Vinci.
"Só vou precisar de um bom balde de pipoca", diz.
O processo movido por Baigent e Leigh foi o segundo sofrido por Brown ele
já havia vencido uma ação movida por outro escritor, Lewis
Perdue. Quando se é um fenômeno desse calibre, sempre há alguém
querendo abocanhar um pedaço. Ou tirar sua modesta casquinha. Uma verdadeira
indústria paralela surgiu em torno do livro de Brown, com um festival de
títulos em gerúndio: Quebrando, Decifrando, Revelando ou
Desmascarando o Código Da Vinci. Alguns desses volumes são
ataques de cristãos ofendidos pela tese do casamento de Jesus. Outros são
apenas paráfrases e explicações para um livro que não
precisa delas. A grande expectativa é saber se o próximo livro de
Dan Brown será capaz de gerar a mesma repercussão. Com o provável
título de A Chave de Salomão, o romance deve se passar em
Washington, com uma trama que envolve a maçonaria. Em entrevistas, Brown
deu a entender que o novo "código" vai se centrar não em um artista
como Leonardo, mas em um músico. Mozart parece ser a aposta mais forte.
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