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Especial O
Priorado de Sião Leonardo inventou um cryptex
e fez parte de uma sociedade secreta, como afirma O Código Da
Vinci?
Toshifumi Kitamura/AFP  |
Um dos recursos que mais chamam atenção
em O Código Da Vinci é o artefato intitulado "cryptex": um
cilindro dotado de senha e concebido de forma a destruir o pergaminho contido
em seu interior, caso alguém tente violá-lo. O engenhoso cryptex
é a cara de Leonardo, cujo gênio irrefreável legou para a
posteridade desde magníficos estudos anatômicos até desenhos
para máquinas aladas. Mas quem vê cara não vê autoria:
nenhuma invenção semelhante ao cryptex consta dos copiosos Códices
em que o artista registrou seus esquemas e esboços. O mérito pela
criatividade provavelmente pertence ao próprio Dan Brown e a um
punhado de sujeitos empreendedores que hoje fabricam suas versões do cryptex
e as vendem pela internet. A mais divertida
(e provocativa) brincadeira de O Código Da Vinci, entretanto, é
"revelar" a existência de uma sociedade secreta chamada Priorado de Sião,
que teria sido fundada em 1099 para guardar a verdade sobre a descendência
de Jesus e Madalena e da qual Leonardo teria sido grão-mestre. O
verdadeiro Priorado de Sião foi uma confraria inocente estabelecida por
um grupo de amigos em 1956. Na Biblioteca Nacional francesa existem documentos
que falam das supostas atividades ocultas da sociedade; mas eles foram forjados
e plantados ali nos anos 70, a título de blague, por um certo Pierre Plantard,
que tinha ficha policial por fraude e associação com grupos anti-semitas.
Já houve até documentários da televisão inglesa, a
BBC, sobre a farsa. O Priorado, assim como muitos dos "fatos" de O Código
Da Vinci, foi aproveitado por Dan Brown de um exemplo consumado de uma corrente
literária que se poderia chamar de pseudo-história: Holy Blood,
Holy Grail ("Sangue Sagrado, Cálice Sagrado"), dos autores Michael
Baigent, Richard Leigh e Henry Lincoln, um best-seller nos anos 80. Como imaginação
fértil não entra na categoria de propriedade intelectual, no mês
passado um juiz inglês inocentou Dan Brown da acusação de
plágio movida por Baigent e Leigh. |