Edição 1956 . 17 de maio de 2006

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Especial
O Priorado de Sião

Leonardo inventou um cryptex e
fez parte de uma sociedade secreta,
como afirma O Código Da Vinci?


Toshifumi Kitamura/AFP

NESTA EDIÇÃO
O código de milhões
Entre a verdade e a ficção
Maria Madalena
Leonardo da Vinci
Opus Dei
A teimosia compensa

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Especial sobre o filme

Um dos recursos que mais chamam atenção em O Código Da Vinci é o artefato intitulado "cryptex": um cilindro dotado de senha e concebido de forma a destruir o pergaminho contido em seu interior, caso alguém tente violá-lo. O engenhoso cryptex é a cara de Leonardo, cujo gênio irrefreável legou para a posteridade desde magníficos estudos anatômicos até desenhos para máquinas aladas. Mas quem vê cara não vê autoria: nenhuma invenção semelhante ao cryptex consta dos copiosos Códices em que o artista registrou seus esquemas e esboços. O mérito pela criatividade provavelmente pertence ao próprio Dan Brown – e a um punhado de sujeitos empreendedores que hoje fabricam suas versões do cryptex e as vendem pela internet.

A mais divertida (e provocativa) brincadeira de O Código Da Vinci, entretanto, é "revelar" a existência de uma sociedade secreta chamada Priorado de Sião, que teria sido fundada em 1099 para guardar a verdade sobre a descendência de Jesus e Madalena – e da qual Leonardo teria sido grão-mestre. O verdadeiro Priorado de Sião foi uma confraria inocente estabelecida por um grupo de amigos em 1956. Na Biblioteca Nacional francesa existem documentos que falam das supostas atividades ocultas da sociedade; mas eles foram forjados e plantados ali nos anos 70, a título de blague, por um certo Pierre Plantard, que tinha ficha policial por fraude e associação com grupos anti-semitas. Já houve até documentários da televisão inglesa, a BBC, sobre a farsa. O Priorado, assim como muitos dos "fatos" de O Código Da Vinci, foi aproveitado por Dan Brown de um exemplo consumado de uma corrente literária que se poderia chamar de pseudo-história: Holy Blood, Holy Grail ("Sangue Sagrado, Cálice Sagrado"), dos autores Michael Baigent, Richard Leigh e Henry Lincoln, um best-seller nos anos 80. Como imaginação fértil não entra na categoria de propriedade intelectual, no mês passado um juiz inglês inocentou Dan Brown da acusação de plágio movida por Baigent e Leigh.

 
 
 
 
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