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12 de setembro de 2007
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Diogo Mainardi
O Mulá Omar brasileiro

"No mesmo período em que, nos Estados Unidos,
a Microsoft introduzia o Windows, a Apple fazia
o lançamento do Macintosh e a Intel desenvolvia
o 386, o Brasil, seguindo o caminho indicado por
Luciano Coutinho, decidia espontaneamente
fabricar sucata na Zona Franca de Manaus"

Luciano Coutinho é o Mulá Omar brasileiro. Mulá Omar tentou deter o progresso e a modernidade proibindo o uso de radinhos de pilha em Cabul. Luciano Coutinho fez o Brasil retroceder no tempo ao implementar a reserva de mercado para a área de computadores no governo de José Sarney, em meados da década de 1980. Dito de outra maneira: no mesmo período em que, nos Estados Unidos, a Microsoft introduzia o Windows, a Apple fazia o lançamento do Macintosh e a Intel desenvolvia o 386, o Brasil, seguindo o caminho indicado por Luciano Coutinho, decidia espontaneamente fabricar sucata tecnológica na Zona Franca de Manaus, o Vale do Silício no tacacá.

No segundo mandato de Lula, Luciano Coutinho foi nomeado presidente do BNDES. Ele tem o poder de determinar o rumo da economia do país, escolhendo onde o governo aplicará boa parte de seu capital. Em 1997, com seu tapa-olho da Cepal, com seu nacionalismo ciclópico, o Mulá Omar brasileiro atacou a venda da Telebrás às operadoras estrangeiras, com o argumento de que era melhor criar uma grande empresa nacional de telefonia. Agora, no BNDES, ele terá a oportunidade de retroagir dez anos e participar com dinheiro público na fusão de duas operadoras privadas, Oi e Brasil Telecom. Em 1997, ele atacou também o processo de venda da Vale do Rio Doce. Agora que o PT, no congresso realizado na última semana, resolveu apoiar oficialmente o plebiscito para reestatizar a companhia, ele poderá colocar suas idéias em prática.

Por que é que estou dizendo tudo isso? Por causa dos 56.348 servidores que o governo pretende contratar em 2008, a um custo de 3,4 bilhões de reais. Esse é o dado bruto. Mas o que me interessa é o dado particular: o tipo de gente que será contratada. Veja o caso do BNDES. Luciano Coutinho transformou-o numa espécie de Zona Franca do lulismo. Há um diretor indicado por Benedita da Silva, há outro diretor indicado pelo Bispo Crivella, há o pessoal trazido pelo próprio Luciano Coutinho de uma reserva de mercado da Unicamp. O BNDES está cheio de técnicos formados nas melhores universidades do mundo. O patriotismo de Luciano Coutinho acabou prevalecendo, e um departamento do banco foi entregue a um professor da Faculdade Esuda.

Luiz Gonzaga Belluzzo, colega de Luciano Coutinho e um dos responsáveis pela política econômica de José Sarney – aquela que presenteou o país com uma inflação de 2.751% –, também foi convidado para ocupar um cargo no governo: presidente do conselho curador da TV Pública. Ele é sócio da Carta Capital. Dá para ser empresário da mídia e, ao mesmo tempo, controlar a TV estatal? Quem mais? Romeu Tuma Júnior é o novo secretário nacional de Justiça. Um de seus papéis será ajudar a rastrear o dinheiro mantido ilegalmente fora do Brasil. Num depoimento à magistratura italiana, um dos diretores da Telecom Italia considerou-o ligado a Daniel Dantas. O talibanismo lulista é assim mesmo: cabem os amigos e os inimigos, cabem os membros de uma tribo e de outra. Desde que o Brasil caminhe para trás.

 

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