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11 de julho de 2007
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Diogo Mainardi
Dois pesos para
dois "crioulos"

"Aquele mesmo 'crioulo' que rendeu uma
multa ao professor Kramer foi calorosamente
aprovado na boca de Lula. A censura de ordem
racial é idêntica a todas as outras censuras:
protege os amigos e pune os inimigos"

Quem tem medo da palavra "crioulo"?

O professor Paulo Roberto da Costa Kramer, da Universidade de Brasília, usou o termo "crioulada" numa de suas aulas. Foi suspenso e condenado a pagar uma multa depois que nove alunos – apenas dois dos quais negros – o denunciaram à reitoria. O professor Kramer negou ser racista e definiu seus acusadores como membros de uma "Ku Klux Klan negra". A Universidade de Brasília é como o Planeta Bizarro, do Super-Homem, em que todos os conceitos foram virados pelo avesso e os perseguidos se tornaram perseguidores, incendiando cruzes e linchando os representantes das maiorias.

No mesmo dia em que foi aplicada a multa ao professor Kramer, Lula, num evento no Rio de Janeiro, contou que, aos 14 anos, aproveitava as enchentes em seu bairro para ganhar uma gorjeta dos vizinhos. Ele estendia uma tábua sobre o charco, no meio de fezes, ratos e baratas, e cobrava um pedágio dos passantes. Um de seus clientes era, de acordo com ele, "um afrodescendente, que naquele tempo a gente chamava de crioulo, bem forte e alto". A claque presidencial riu e aplaudiu, sem se incomodar com o deboche da linguagem politicamente correta.

O episódio demonstra que, desde cedo, Lula aprendeu a lucrar com a miséria alheia. Demonstra também que as regras que se aplicam a uns podem ser impunemente violadas por outros. Aquele mesmo "crioulo" que rendeu uma multa ao professor Kramer foi calorosamente aprovado na boca de Lula. A censura de ordem racial é idêntica a todas as outras censuras: protege os amigos e pune os inimigos. Como o lulismo se apropriou da bandeira da igualdade racial, os censores da vez protegem os lulistas e punem todos os demais.

Se a patrulha racial se firmar no Brasil, ela acabará banindo de nossa história tanto as marchinhas de Carnaval da década de 1950 quanto Casa-Grande & Senzala, de Gilberto Freyre. Ela banirá igualmente todos aqueles que se recusarem a se enquadrar: na escola, no trabalho, nas artes, na pesquisa científica, na vida pública. Alguém é otário o bastante para acreditar que, a partir de agora, o professor Kramer terá as mesmas oportunidades que seus colegas mais obedientes?

Crioulo é um bom jeito de chamar os brasileiros de pele escura. Bem melhor do que essa macaquice retrógrada de chamá-los de afrodescendentes. O único resultado da demagogia racial dos lulistas é assegurar alguns privilégios a uma casta de patifes que se empossou da burocracia estatal: patifes brancos, patifes pretos, patifes amarelos, patifes pardos. Ao proibir o uso de uma palavra, o que se quer é proibir o surgimento de qualquer idéia divergente que acabe atrapalhando a patifaria. Na realidade bizarra do lulismo, em que o Planeta é cúbico, o Super-Homem é mau e a criptonita é vermelha, os patifes fazem as leis e as administram como bem entendem.

 


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