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Edição 1 721 - 10 de outubro de 2001
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Gustavo Poloni [e-mail: hipertexto@abril.com.br]


Guerra virtual com prejuízos reais

O governo americano diz que a guerra ao terrorismo será longa, suja e diferente. Mais ou menos como a guerra que já está sendo travada há algum tempo na internet contra o que os especialistas batizaram de ciberterrorismo. Uma pesquisa do instituto Forrester com executivos americanos sugere que o número de ataques on-line contra sites, bancos de dados e redes de computadores deve aumentar muito nos próximos anos. Segundo o estudo, 13% dos executivos acreditam já ter sofrido algum tipo de ataque e 88% se dizem convencidos de que serão vítimas até o fim do ano que vem.

A gravidade dos ataques varia. Pode ser uma investida simples, em que um hacker "assina" o nome em um site. Ou uma ação mais ousada, capaz de envolver milhões de dólares de prejuízo a quem for atacado. Quando falam da ameaça, os consultores costumam mencionar dois exemplos. O primeiro: no ano passado, ciberpiratas não identificados programaram, com a ajuda de um vírus, centenas de milhares de computadores de todo o mundo para acessar ao mesmo tempo sites como eBay, Yahoo! e CNN.com. O ataque foi chamado de Denial of Service (recusa de serviço, em inglês). O volume de acessos foi tão elevado que os computadores das empresas travaram, gerando perdas milionárias. Outro episódio de razoáveis proporções envolveu hackers chineses e americanos. Insuflados por um imbróglio diplomático causado pelo pouso forçado de um avião espião dos Estados Unidos na China, eles se enfrentaram numa disputa virtual que resultou na derrubada de centenas de sites dos dois países.

A última demonstração do que um pirata virtual pode fazer a distância (seja ela qual for) ocorreu logo depois dos atentados terroristas de 11 de setembro nos Estados Unidos. Um grupo batizado de Dispatchers resolveu fazer justiça com as próprias e atabalhoadas mãos, derrubando mais de 300 sites ligados ao Afeganistão. Muita gente que não tem nada a ver com o Talibã ou com Osama bin Laden foi afetada. Preocupado com a escalada dos ataques on-line, o FBI decidiu desenvolver um antídoto para todos os vírus do mundo. O objetivo é neutralizar pelo menos uma das armas dos ciberterroristas, que são os vírus de computador.

Para navegar
Leia matéria de VEJA sobre os hackers brasileiros
Ouça entrevista de hacker na Rádio VEJA
Ouça entrevista com especialista em segurança de rede na Rádio VEJA
Reportagem do Computerworld sobre a ameaça do ciberterrorismo (em inglês)
Reportagem da CNN sobre os ciberterroristas (em inglês)
Reportagem do USA Today sobre o combate do FBI aos vírus (em inglês)
Site do FBI (em inglês)
Leia artigo sobre ciberterrorismo

 

Delete que a polícia vem aí

Quem vê as estrepolias que os hackers andam fazendo pelo mundo afora, a despeito dos milhões investidos por empresas, da repressão de agências de inteligência e do empenho de governos, já deve andar achando que contra hacker não há polícia que dê jeito. Como nunca é demais tentar, o governo do Estado de São Paulo resolveu entrar na briga. O governador Geraldo Alckmin anunciou na semana passada a criação de uma delegacia especializada no combate a crimes pela internet. A nova divisão, que recebeu o nome de Delitos Praticados por Meios Eletrônicos, está ligada ao Departamento de Investigações sobre Crime Organizado e vai apurar desvios de dinheiro e de informações via rede, disseminação de vírus e ameaças por mensagens eletrônicas. Outra delegacia criada pela Secretaria de Segurança do Estado vai combater práticas de pirataria, como cópia irregular de discos e softwares.

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Comunicado do governo paulista explicando a iniciativa
Reportagem do portal Terra sobre a delegacia especializada
Site da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo
Site do governo de São Paulo



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Direto da fonte

Depois que o foco (pelo menos o geográfico) da guerra ao terrorismo se deslocou dos Estados Unidos para a região do Afeganistão, convém acrescentar alguns endereços aos seus "favoritos". Quem quiser, por exemplo, saber como o Paquistão está vendo o conflito pode acessar sites paquistaneses de notícias. O mais famoso é o The News, que diz ter entrevistado o terrorista Osama bin Laden, e virou fonte de consulta da imprensa internacional. No Afghanistan Online, chamava a atenção na semana passada uma nota dos editores. "O Afghanistan Online é um site privado. Nós não somos ligados ao governo do país e não apoiamos nenhum ato terrorista".

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Afeganistão
Aghan Online Press
Paquistão
The News
FrontierPost.com
HI Pakistan
The Nation
Índia
Afternoon DC
The Telegraph
The Times of India
Turquia
Turkishpress.com
Daily News

 

Vitrine

Os olhos da cara

A fabricante nacional de computadores Microtec resolveu investir em máquinas poderosas e bonitas. O primeiro resultado da iniciativa é o Mythus LCD, um PC com design arrojado e sem CPU. Os componentes ficam na base e no fundo do monitor. Ele vem equipado com Pentium III de 933 MHz, 128 Mb de memória RAM, 20 Gb de disco rígido e funções multimídia. Enquanto não perguntar o preço, o consumidor vai se manter apaixonado pela novidade. Mas depois de ver quanto ela custa... O Mythus sai por 5 300 reais. Um computador tradicional com a mesma configuração sai por 2 700 reais na Itautec.

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Site da Microtec
Site da Itautec
Site da IBM
Site da Compaq
Site da Dell
Site da HP


Não esqueça a plaquinha

O produto da foto ao lado é um exemplo de convergência de tecnologia. Além de computador de mão com modem embutido e tela de 6.4 polegadas, o i-log380G vira telefone GSM/GPRS (a tecnologia das operadoras de celular que devem chegar ao Brasil em 2002) e GPS, o equipamento de localização global. Para o produto virar um 3 em 1, é preciso instalar uma placa na sua base. A novidade já pode ser encontrada nas lojas por 3 200 reais.

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Site da Logger



Notas

Alô! Estou vendo você do outro lado da linha!

Foram necessários mais de sete meses de intensos testes e um bocado de paciência. Mas, finalmente, a terceira geração de telefonia móvel entrou no mercado. Na semana passada, a operadora NTT DoCoMo começou a vender os chamados celulares 3G no Japão. A primeira reação foi favorável. Logo no primeiro dia, foram vendidos cerca de 4 000 aparelhos, que chegam a custar 1 700 reais. A vantagem dessa nova leva de telefones está na velocidade de transmissão de dados pela internet, que chega a 384 Kbps (quase 40 vezes mais rápido que os celulares wap vendidos no Brasil e perto de sete vezes mais rápido que a conexão comum à rede pelo PC). Com isso, é possível ver a pessoa que está do outro lado da linha. No ano que vem, os usuários poderão baixar música e vídeo digitalizados. A DoCoMo quer popularizar rapidamente a novidade e fazer com que os donos usem bastante os aparelhos. Só assim vai poder baixar os preços. A mensalidade equivale a 150 reais. A operadora espera atrair 6 milhões de clientes em três anos.

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Site da NTT DoCoMo
Reportagem da Folha Online sobre os novos telefones
Reportagem da Folha Online sobre a procura dos novos telefones
Reportagem do The Guardian sobre os novos telefones (em inglês)


Chute, trucide e estraçalhe Osama bin Laden

Primeiro, vieram os e-mails com factóides ligados aos atentados terroristas que atingiram os Estados Unidos. Depois, a enxurrada de piadas e montagens de fotos. A mais nova moda entre os internautas são os jogos on-line que têm como mote o atentado e personagens como o presidente George W. Bush e o terrorista Osama bin Laden. Um dos joguinhos mais famosos é o New York Defender. Nele, o internauta deve proteger com um raio laser as torres gêmeas do World Trade Center, ameaçadas por aviões terroristas. No Hunt and Punish, que lembra o clássico Atari Space Invades, o objetivo é trucidar Laden. Enquanto Bush não conseguir pegar o verdadeiro, esta aí um bom jeito de o presidente americano descarregar a raiva.

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Leia reportagem de VEJA sobre as fotomontagens
New York Defender
Turbin Hunt
Shoot bin Laden
Kill bin Laden
Kick bin Laden
B. B. Hood
Whack bin Laden
Bad dudes
Hunt and Punish


A vida imita a arte

Cientistas dinamarqueses enclausurados num laboratório da Europa comemoram um feito inédito. Pela primeira vez, estudiosos conseguiram transferir partículas de um lugar para o outro. O feito bem poderia ser roteiro de um filme de ficção, mas realmente aconteceu na semana que passou. Engana-se, no entanto, quem estiver pensando nas horas que vai economizar no transporte de um continente para o outro. O que os dinamarqueses conseguiram é desenvolver o embrião de um mecanismo que será capaz de copiar um objeto exatamente igual para outra localidade. Isso porque ainda não é possível transmitir as partículas, apenas a informação contida nelas. Convenhamos, já é um passo e tanto para a ciência.

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Reportagem da Wired sobre a descoberta (em inglês)



 
 
   
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