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Gustavo
Poloni [e-mail:
hipertexto@abril.com.br]
Guerra virtual com prejuízos reais
O
governo americano diz que a guerra ao terrorismo será longa, suja
e diferente. Mais ou menos como a guerra que já está sendo
travada há algum tempo na internet contra o que os especialistas
batizaram de ciberterrorismo. Uma pesquisa do instituto Forrester com
executivos americanos sugere que o número de ataques on-line contra
sites, bancos de dados e redes de computadores deve aumentar muito nos
próximos anos. Segundo o estudo, 13% dos executivos acreditam já
ter sofrido algum tipo de ataque e 88% se dizem convencidos de que serão
vítimas até o fim do ano que vem.
A gravidade
dos ataques varia. Pode ser uma investida simples, em que um hacker "assina"
o nome em um site. Ou uma ação mais ousada, capaz de envolver
milhões de dólares de prejuízo a quem for atacado.
Quando falam da ameaça, os consultores costumam mencionar dois
exemplos. O primeiro: no ano passado, ciberpiratas não identificados
programaram, com a ajuda de um vírus, centenas de milhares de computadores
de todo o mundo para acessar ao mesmo tempo sites como eBay, Yahoo! e
CNN.com. O ataque foi chamado de Denial of Service (recusa de serviço,
em inglês). O volume de acessos foi tão elevado que os computadores
das empresas travaram, gerando perdas milionárias. Outro episódio
de razoáveis proporções envolveu hackers chineses
e americanos. Insuflados por um imbróglio diplomático causado
pelo pouso forçado de um avião espião dos Estados
Unidos na China, eles se enfrentaram numa disputa virtual que resultou
na derrubada de centenas de sites dos dois países.
A última
demonstração do que um pirata virtual pode fazer a distância
(seja ela qual for) ocorreu logo depois dos atentados terroristas de 11
de setembro nos Estados Unidos. Um grupo batizado de Dispatchers resolveu
fazer justiça com as próprias e atabalhoadas mãos,
derrubando mais de 300 sites ligados ao Afeganistão. Muita gente
que não tem nada a ver com o Talibã ou com Osama bin Laden
foi afetada. Preocupado com a escalada dos ataques on-line, o FBI decidiu
desenvolver um antídoto para todos os vírus do mundo. O
objetivo é neutralizar pelo menos uma das armas dos ciberterroristas,
que são os vírus de computador.

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Delete
que a polícia vem aí
Quem
vê as estrepolias que os hackers andam fazendo pelo mundo afora, a despeito
dos milhões investidos por empresas, da repressão de agências de inteligência
e do empenho de governos, já deve andar achando que contra hacker não
há polícia que dê jeito. Como nunca é demais tentar, o governo do Estado
de São Paulo resolveu entrar na briga. O governador Geraldo Alckmin anunciou
na semana passada a criação de uma delegacia especializada no combate
a crimes pela internet. A nova divisão, que recebeu o nome de Delitos
Praticados por Meios Eletrônicos, está ligada ao Departamento de Investigações
sobre Crime Organizado e vai apurar desvios de dinheiro e de informações
via rede, disseminação de vírus e ameaças por mensagens eletrônicas. Outra
delegacia criada pela Secretaria de Segurança do Estado vai combater práticas
de pirataria, como cópia irregular de discos e softwares.

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| Notas
Alô!
Estou vendo você do outro lado da linha!
Foram
necessários mais de sete meses de intensos testes e um bocado de
paciência. Mas, finalmente, a terceira geração de telefonia móvel
entrou no mercado. Na semana passada, a operadora NTT DoCoMo começou
a vender os chamados celulares 3G no Japão. A primeira reação foi
favorável. Logo no primeiro dia, foram vendidos cerca de 4 000 aparelhos,
que chegam a custar 1 700 reais. A vantagem dessa nova leva de telefones
está na velocidade de transmissão de dados pela internet, que chega
a 384 Kbps (quase 40 vezes mais rápido que os celulares wap vendidos
no Brasil e perto de sete vezes mais rápido que a conexão comum
à rede pelo PC). Com isso, é possível ver a pessoa que está do outro
lado da linha. No ano que vem, os usuários poderão baixar música
e vídeo digitalizados. A DoCoMo quer popularizar rapidamente a novidade
e fazer com que os donos usem bastante os aparelhos. Só assim vai
poder baixar os preços. A mensalidade equivale a 150 reais. A operadora
espera atrair 6 milhões de clientes em três anos.

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Chute, trucide e estraçalhe Osama bin Laden
Primeiro,
vieram os e-mails com factóides ligados aos atentados terroristas
que atingiram os Estados Unidos. Depois, a enxurrada de piadas e
montagens de fotos. A mais nova moda entre os internautas são os
jogos on-line que têm como mote o atentado e personagens como o
presidente George W. Bush e o terrorista Osama bin Laden. Um dos
joguinhos mais famosos é o New York Defender. Nele, o internauta
deve proteger com um raio laser as torres gêmeas do World Trade
Center, ameaçadas por aviões terroristas. No Hunt and Punish, que
lembra o clássico Atari Space Invades, o objetivo é trucidar Laden.
Enquanto Bush não conseguir pegar o verdadeiro, esta aí um bom jeito
de o presidente americano descarregar a raiva.

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A vida imita a arte
Cientistas
dinamarqueses enclausurados num laboratório da Europa comemoram
um feito inédito. Pela primeira vez, estudiosos conseguiram transferir
partículas de um lugar para o outro. O feito bem poderia ser roteiro
de um filme de ficção, mas realmente aconteceu na semana que passou.
Engana-se, no entanto, quem estiver pensando nas horas que vai economizar
no transporte de um continente para o outro. O que os dinamarqueses
conseguiram é desenvolver o embrião de um mecanismo que será capaz
de copiar um objeto exatamente igual para outra localidade. Isso
porque ainda não é possível transmitir as partículas, apenas a informação
contida nelas. Convenhamos, já é um passo e tanto para a ciência.

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