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Diogo
Mainardi O delegado Moysés não
é isento
"Quem o nomeou
para a chefia da PF de Piracicaba foi Francisco Baltazar da Silva. Baltazar foi
obrigado a se afastar do cargo depois de ser acusado de envolvimento com o
doleiro Toninho da Barcelona, o chamado doleiro do PT. Baltazar trabalhou
como gorila de Lula, juntamente com Freud Godoy. A PF abafou o caso Freud
Godoy. Moysés foi chamado para abafar o abafamento, dando um aperto
em VEJA"
O delegado Moysés perseguiu VEJA. Dei o troco. Persegui o delegado Moysés.
Moysés Eduardo Ferreira é
diretor da Polícia Federal de Piracicaba. O chefe da PF paulista, Geraldo
Araújo, disse que ele foi trazido de Piracicaba para conduzir o caso Freud
Godoy "justamente para fazer uma investigação isenta, distanciada".
Como assim? O delegado Moysés pode ser tudo, menos isento e distanciado.
O prefeito de Piracicaba é
Barjas Negri, ministro da Saúde tucano, acusado pelos fabricadores do dossiê
Vedoin de receber propina da máfia dos sanguessugas. O delegado Moysés
é encarregado de investigá-lo. Como ele pode ser isento? Como ele
pode ser distanciado? Quando o delegado
Moysés assumiu o comando da PF de Piracicaba, o prefeito da cidade era
o petista José Machado. Um sempre apoiou o outro. Um sempre prestigiou
o outro. José Machado é recordado sobretudo por sua sociedade com
o antigo chefe de Freud Godoy, Celso Daniel, numa empresa de consultoria que foi
denunciada pelo Tribunal de Contas do Estado por seus contratos irregulares com
prefeituras petistas. José Machado é recordado também porque
um dos principais operadores da máfia dos vampiros, o lobista Laerte Correa
Júnior, foi preso pouco antes de pagar um fornecedor de sua campanha à
prefeitura. Mas há algo pior
do que isso. Em sua defesa do delegado Moysés, o diretor-geral da PF, Paulo
Lacerda, disse que ele tem "um compromisso com a verdade, sem partido". Paulo
Lacerda está querendo enganar a gente. Ele sabe que o delegado Moysés
pode ser tudo, menos apartidário. Quem o nomeou para a chefia da PF de
Piracicaba foi Francisco Baltazar da Silva. Lembra dele? Francisco Baltazar é
o predecessor de Geraldo Araújo no comando da PF paulista. Foi obrigado
a se afastar do cargo depois de ser acusado de envolvimento com o doleiro Toninho
da Barcelona, o chamado doleiro do PT. Francisco Baltazar trabalhou como gorila
particular de Lula em quatro campanhas presidenciais, juntamente com Freud Godoy
e José Carlos Espinoza. Em 2002, ele contratou o policial federal aposentado
Gedimar Passos para ser guarda-costas de Lula. Isso mesmo, Gedimar Passos, aquele
que foi preso com dinheiro para comprar o dossiê Vedoin e, antes de se retratar,
denunciou Freud Godoy. Como podem
me acusar de tudo, menos de ser isento e distanciado, sugiro cruzar os números
de telefone de Francisco Baltazar com os dados sobre as quebras de sigilo em poder
da CPI dos Sanguessugas. Quem sabe aparece outro homem do presidente no golpe
do dossiê. A PF abafou o caso
Freud Godoy. Agora o delegado Moysés foi chamado para abafar o abafamento,
dando um aperto em VEJA. O plano lulista para a imprensa já está
traçado: encher de dinheiro público os cupinchas e calar todo o
resto. Para o lulismo, jornalista bom é jornalista jabazeiro. Há
muito jornalista jabazeiro por aí. Eu mesmo estou sendo processado por
um monte deles. Se o plano falhar, o PT sempre pode recorrer ao delegado Moysés
e sua turma. A milícia lulista está pronta para agir, com óleo
de rícino para todo mundo. Até alguém morrer. |