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Diogo
Mainardi
Pergunte ao pó
"Assaltantes tomaram um prédio
perto do
meu. Isso tudo só aconteceu, de acordo com
o teorema da polícia, porque negligenciei a
tarefa de cheirar minha cota social de cocaína, para
redistribuir renda pelos morros cariocas. Lula? Sim,
há Lula nessa história. Ele é um estado mental"
Cheire pó. Quanto mais,
melhor. Há um aumento da criminalidade no Rio de Janeiro.
A polícia diz que é porque os ricos passaram a consumir
menos drogas. A partir do momento em que os ricos passaram a consumir
menos drogas, os traficantes pobres foram obrigados a recorrer a
outros meios. Daí o atual aumento de assaltos, seqüestros
e assassinatos, segundo a polícia.
Até outro dia se dizia
o contrário. Dizia-se que era o consumo de drogas dos ricos
que alimentava a criminalidade dos traficantes pobres. Se os ricos
consumissem menos drogas, a criminalidade diminuiria. É complicado
saber o que fazer. Se a gente cheira pó, metem bala na nossa
cabeça porque a gente cheira pó. Se paramos de cheirar,
metem bala porque paramos de cheirar. A única certeza é
que os culpados somos sempre nós. E que uma bala atingirá
nossa cabeça. É o catch-22 do socialismo moreno.
Na semana passada, assaltantes
tomaram um prédio perto do meu. Fizeram reféns, esvaziaram
apartamentos, espancaram moradores. Isso tudo só aconteceu,
de acordo com o teorema da polícia, porque negligenciei a
tarefa de cheirar minha cota social de cocaína, para redistribuir
renda pelos morros cariocas. Os assaltantes enganaram o porteiro
fazendo-se passar por oficiais judiciários. Coincidentemente,
naquele mesmo dia, num intervalo de dez minutos, dois oficiais judiciários
bateram à minha porta, porque fui denunciado por uns comparsas
de Lula.
Lula? Sim, há Lula nessa
história. Como em todas as outras. Muita gente reclama porque
eu falo demais sobre ele. Está todo mundo cheio do Lula.
Ninguém mais quer saber dele. E o segundo mandato ainda nem
começou. Nos últimos dias, um leitor publicou até
uma carta aberta na internet, pedindo-me a delicadeza de mudar de
assunto. Compreendo perfeitamente o sentimento. Lula cansa, aborrece,
enauseia. Só que ele é como droga. Se a gente a consome,
se dana. Se pára de consumi-la, se dana do mesmo jeito.
Lula o meu Lula
já não é mais o presidente Lula. É um
estado mental. É o símbolo da nossa incapacidade de
pensar direito. É o gremlin que emperra o país. Cedo
ou tarde o presidente Lula será esquecido. Até mesmo
por mim. Nem os lulistas se lembrarão dele. Porque ele é
desimportante. Mas seu espírito atarantado continuará
entre nós, com outro nome, com outra cara. Euclides da Cunha
disse tudo o que era necessário dizer sobre a nossa raça.
Lula o meu Lula é a mais perfeita síntese
euclidiana. Ele representa o "temperamento delirante", o "senso
moral deprimido", o "fetichismo bárbaro", a "servidão
inconsciente", a "preguiça invencível", o "desequilíbrio
incurável", a "fealdade", a "psicose coletiva", a "degenerescência
intelectual" que nos impediu de viver "num meio mais adiantado".
Euclides da Cunha sentenciou:
"Ou progredimos, ou desaparecemos". O Brasil o desmentiu: nem progrediu,
nem desapareceu. Ficou parado numa "fase remota da evolução".
Eu parei. Nós paramos. Lula parou. Para sempre.
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