Paul
Jawthorne/AP
 |  | | Alice
Munro: mulheres em busca de uma saída | |
Fugitiva,
de Alice Munro (tradução de Sergio Flaksman; Companhia das Letras;
392 páginas; 45 reais) O escritor americano Jonathan Franzen, autor
de As Correções, certa vez disse que Alice Munro é
"a melhor escritora de ficção em atividade na América do
Norte". É claro que há um tanto de exagero na afirmação
mas a autora canadense de fato conhece seu ofício. Os oito contos
de Fugitiva traçam vigorosos perfis de mulheres que tragicamente
não conseguem se liberar de um cotidiano limitador e mesquinho. No belo
conto-título, por exemplo, a protagonista, Carla, arrisca abandonar Clark,
o marido turrão e medíocre, mas no meio da fuga perde a coragem
e dá meia-volta só para descobrir que Clark é ainda
mais cruel e dissimulado do que ela poderia imaginar. Leia
trecho Carla
ouviu o carro chegando antes que atingisse o topo da pequena elevação
na estrada que, naquela área, chamavam de morro. É ela, pensou.
A sra. Jamieson - Sylvia - de volta das férias na Grécia. Da porta
da cocheira - mas recuada o bastante para não ser vista com facilidade
- ficou olhando para o caminho pelo qual a sra. Jamieson teria de passar. Sua
casa ficava apenas um quilômetro adiante da casa de Clark e Carla, na mesma
estrada. Se
fosse alguém pensando em entrar pela porteira deles, já estaria
reduzindo a velocidade a essa altura. Mas ainda assim Carla torcia. Tomara
que não seja ela. Era.
A sra. Jamieson virou a cabeça uma vez só, bem depressa - o máximo
que podia, manobrando o carro em meio às poças e valas que a chuva
abrira no cascalho -, mas não tirou nenhuma das mãos do volante
para acenar, não viu Carla. Carla vislumbrou um braço bronzeado
exposto até o ombro, cabelos num tom mais claro do que eram antes, agora
mais brancos que de um louro prateado, e uma expressão decidida e exasperada,
mas de quem acha graça da própria exasperação - exatamente
do jeito que devia ficar a cara da sra. Jamieson às voltas com uma estrada
como aquela. Quando ela se virou, Carla surpreendeu alguma coisa como um lampejo
brilhante - de curiosidade, de esperança - que a fez encolher-se. Pois
então. Talvez
Clark ainda não soubesse. Se estivesse sentado diante do computador, teria
as costas voltadas para a janela e a estrada. Mas
a sra. Jamieson ainda podia ser obrigada a fazer mais uma viagem. Tendo vindo
de carro do aeroporto, talvez não tivesse parado para fazer as compras
- não antes de passar em casa e verificar o que estava faltando. Talvez
Clark a visse então. E depois do anoitecer as luzes da casa dela ficariam
visíveis. Mas estavam em julho, quando só anoitecia muito tarde.
Podia ser que ela estivesse tão cansada que nem se desse ao trabalho de
acender as luzes e fosse se deitar cedo. Mas,
por outro lado, ela também poderia telefonar. A qualquer momento. Um
verão de chuva e mais chuva. Era a primeira coisa que se ouvia de manhã,
tamborilando alto no teto do trailer. Os suportes do reboque estavam enterrados
fundo na lama, o capim alto vivia encharcado, as folhas acima das cabeças
despejavam jorros imprevisíveis de água, mesmo nos momentos em que
não caía chuva do céu e as nuvens pareciam estar se dissipando.
Carla punha um velho chapéu australiano de feltro e abas largas sempre
que ia lá fora, enfiando a trança comprida para dentro da camisa. Ninguém
aparecia à procura de passeios a cavalo, muito embora Clark e Carla tivessem
percorrido a região pregando cartazes em todas as áreas de camping,
nos cafés, no mural de informações do escritório de
turismo e em todos os outros lugares que lhes ocorreram. Só uns poucos
alunos vinham fazer suas aulas, e eram os de sempre, não aqueles bandos
de crianças em férias, os ônibus abarrotados vindos das colônias,
que os tinham sustentado no verão anterior. E mesmo os alunos regulares,
com quem sempre contavam, estavam saindo de viagem, ou simplesmente cancelando
as aulas por causa do mau tempo. Quando ligavam tarde demais, Clark cobrava a
aula do mesmo jeito. Uns poucos tinham reclamado e abandonado as aulas para sempre. Ainda
conseguiam alguma renda com os três cavalos que hospedavam. Esses três,
e mais os quatro deles próprios, estavam agora no pasto, mordiscando a
relva à sombra das árvores. Parecia que nem tinham se dado conta
de que estiara, como costumava acontecer a uma certa altura da tarde. Só
o suficiente para despertar alguma esperança - as nuvens branqueando, rareando
e se deixando atravessar por uma claridade difusa, que nunca chegava a se manifestar
como verdadeira luz do sol e que geralmente já desaparecera de todo muito
antes da hora do jantar. Carla
tinha acabado de remover o estrume das baias. Tinha-se demorado bastante - gostava
do ritmo de suas tarefas regulares, do pé-direito alto da cocheira, dos
aromas. Em seguida foi até o picadeiro de exercício para ver se
a areia estava seca, para o caso de o aluno das cinco aparecer. A
chuva constante não tinha sido especialmente pesada, nem acompanhada de
muito vento, mas na semana anterior ficara de repente mais intensa e aí
uma ventania violenta havia percorrido as copas das árvores, impelindo
uma chuvarada cegante quase na horizontal. Em quinze minutos a tormenta já
tinha passado. Mas muitos galhos ficaram caídos na estrada, linhas elétricas
foram interrompidas e um pedaço enorme do telhado plástico que cobria
o picadeiro fora arrancado. Havia uma poça que parecia um lago no final
da pista, e Clark ficara trabalhando até depois de anoitecer, cavando uma
vala para tentar drenar a água. Mas
o telhado ainda não fora consertado. Clark havia estendido um fio de arame
farpado para impedir que os cavalos pisassem na lama, e Carla demarcara um trajeto
mais curto. Na
internet, naquele momento, Clark procurava algum lugar que vendesse telhas. Algum
vendedor de material de demolição, com preços ao alcance
deles, ou alguém disposto a vender material como aquele de segunda mão.
Ele não queria ir à loja de material de construção
de Hy e Robert Buckley, na cidade, os quais ele chamava por um apelido obsceno,
qualificando os sócios de ladrões, porque lhes devia muito dinheiro
e brigara com eles. Clark
brigava não só com as pessoas a quem devia dinheiro. Seu temperamento
amistoso, irresistível num primeiro momento, às vezes azedava de
uma hora para a outra. Havia muitos lugares onde nem entrava e aonde sempre mandava
Carla, por causa de alguma desavença. A farmácia era um desse lugares.
Uma velha tinha furado a fila na sua frente - ou melhor, tinha ido pegar alguma
coisa que esquecera e, ao voltar, retomara seu lugar à frente dele, em
vez de se encaminhar para o fim da fila. Ele reclamara, e a mulher da caixa respondera,
"Ela está com enfisema", ao que Clark retrucou, "Ah, é
mesmo? E eu, tenho hemorróidas", e o gerente tinha sido chamado, dizendo
que a resposta dele fora inoportuna. Na lanchonete à beira da estrada,
disseram que a promoção anunciada para o café-da-manhã
não valia mais porque já passava das onze da manhã, e aí
Clark começou a discutir e acabou derramando no chão o café
que pedira para viagem - muito perto, ao que disseram, de um bebê sentado
num carrinho. Disse ele que a criança estava a pelo menos um quilômetro
de distância, e que tinha deixado cair o copo de café porque não
lhe tinham fornecido as alças de papelão para carregar café
quente. Responderam que ele não pedira as alças. E ele retrucou
que nem deveria pedir. "Você
pega fogo", disse Carla. "Coisa
de homem." E
ela não dissera nada sobre a briga entre ele e Joy Tucker. Joy Tucker era
a bibliotecária da cidade, e tinha um animal hospedado com eles. Era uma
egüinha castanha e temperamental chamada Lizzie - Joy Tucker, quando estava
com disposição de brincar, chamava sua égua de Lizzie Borden.
Mas na véspera ela dirigira até lá numa disposição
nada brincalhona, queixando-se porque o teto ainda não tinha sido consertado
e Lizzie estava com um aspecto infeliz, como se estivesse resfriada. Na
verdade, não havia nada de errado com Lizzie. Clark tinha feito o possível
- levando-se em conta quem era - para mostrar-se conciliador. Mas aí foi
Joy Tucker quem se esquentou, dizendo que aquele lugar era uma pocilga e que Lizzie
merecia coisa melhor, e Clark respondeu, "Você é quem sabe".
Joy não tinha - ou ainda não tinha - mandado buscar Lizzie, como
Carla esperava. Mas Clark, que até então tratava aquela egüinha
como sua mascote, agora se recusava a lidar com ela. Em conseqüência,
Lizzie ficara magoada - quis empacar quando foi levada a se exercitar, e ameaçou
dar coices quando seus cascos precisaram ser limpos, como todo dia, para evitar
a infestação por fungos. Se Carla não tomasse cuidado, ainda
levaria uma mordida. Mas
o pior de tudo, na opinião de Carla, era a ausência de Flora, a cabrinha
branca que fazia companhia aos cavalos na cocheira e nos pastos. Não tinham
sinal dela havia dois dias. Carla temia que tivesse sido capturada por cães
selvagens ou coiotes, ou até mesmo por um urso. Sonhara
com Flora na véspera e na noite anterior. No primeiro sonho Flora se aproximara
da cama dela com uma maçã vermelha na boca, mas no segundo sonho
- o da véspera - ela fugia quando Carla se aproximava. Parecia estar com
uma pata ferida, mas fugia assim mesmo. Levava Carla até uma trincheira
de arame farpado do tipo que se podia erguer nos campos de batalha e, em seguida,
ela - Flora - passava pelo meio do arame, com perna ferida e tudo, escorregando
como uma enguia branca, e desaparecia. Os
cavalos tinham visto Carla atravessar o picadeiro e todos se aproximaram da cerca
- parecendo ensopados, apesar de suas mantas neozelandesas - para que ela tomasse
conhecimento deles em seu caminho de volta. Ela falou baixinho com todos, pedindo
desculpas por ter vindo de mãos abanando. Acariciou seus pescoços,
esfregou seus focinhos e perguntou se tinham alguma notícia de Flora. Grace
e Juniper bufaram e fizeram que sim com o focinho, como se reconhecessem o nome
e compartilhassem a preocupação dela, mas no mesmo instante Lizzie
se insinuou entre as duas e empurrou a cabeça de Grace para longe dos carinhos
da mão de Carla. Ainda mordiscou-lhe a mão, para deixar a mensagem
bem clara, e Carla teve de passar um bom tempo ralhando com ela. Até
três anos antes, Carla nem sequer dava atenção àqueles
trailers de moradia chamados de casas sobre rodas. Nem mesmo era esse o nome que
lhes dava. Como seus pais, ela teria achado que "casas sobre rodas"
era uma expressão pernóstica. Havia pessoas que simplesmente moravam
em trailers, e ponto final. Todos os trailers eram iguais. Mas quando Carla se
mudou para ali, a partir do momento em que escolheu aquela vida com Clark, começou
a ver as coisas de um jeito novo. Começou a dizer "casa sobre rodas"
e a observar como cada uma delas era arrumada por seus moradores. Começou
a reparar nos tipos de cortina que usavam nas janelas e na maneira como pintavam
os frisos, deques, varandas ou quartos a mais que acrescentavam. Mal podia esperar
para ter ela própria a oportunidade de melhoramentos como esses. Clark
tinha feito eco a suas idéias, por algum tempo. Construíra uma escada
nova de entrada e passara dias procurando uma balaustrada antiga de ferro forjado
para ela. Nunca reclamava do dinheiro que era gasto com tinta para a cozinha e
o banheiro, ou com o tecido para cortinas. O serviço de pintura que ela
havia feito ficara mal acabado - ainda não sabia, àquela altura,
que o certo era tirar antes as dobradiças das portas dos armários
da cozinha. Ou que era melhor fazer um forro para as cortinas, que já tinham
desbotado. O
que fizera Clark reclamar fora a idéia de arrancar o carpete, que era o
mesmo em todos os aposentos e a coisa que ela mais insistira em trocar. Era dividido
em pequenos quadrados de cor marrom, cada um com o fundo de um marrom mais escuro,
linhas onduladas e outras formas em tons de ferrugem e havana. Durante muito tempo,
ela tinha achado que as linhas e as formas eram sempre as mesmas, e dispostas
da mesma maneira em todos os quadrados. No entanto, quando lhe sobrara mais tempo,
muito tempo, para examiná-los em detalhe, concluíra que havia na
verdade quatro padrões, que se combinavam para compor quadrados maiores
idênticos. Às vezes era fácil detectar o padrão, mas
às vezes distinguir dava trabalho. Era
um empreendimento a que ela se dedicava sempre que chovia, o mau humor de Clark
fazia sentir seu peso em todo o espaço interior, e ele só queria
ficar concentrado na tela do seu monitor. A melhor coisa a fazer nesses momentos,
porém, era inventar ou lembrar-se de alguma tarefa a cumprir na cocheira.
Os cavalos nem a olhavam quando ela estava infeliz, mas Flora, que nunca ficava
presa, aproximava-se e se esfregava nela, fitando Carla com uma expressão
que não era exatamente solidária - antes de uma zombaria amigável
- em seus reluzentes olhos amarelo-esverdeados. Flora
era uma cabrita em fase de crescimento quando Clark a trouxe de uma fazenda onde
fora comprar arreios. Os donos estavam desistindo da vida no campo, ou, pelo menos,
da criação de animais - já tinham vendido os cavalos, mas
não conseguiram se livrar de todas as cabras. Ele ouvira dizer que as cabras
traziam uma sensação geral de conforto e relaxamento a qualquer
estrebaria, e decidira experimentar. Pensavam em acasalá-la algum dia,
mas nunca tinham visto qualquer sinal de que tivesse entrado no cio. Num
primeiro momento ela se transformou no bicho de estimação exclusivo
de Clark, seguindo-o por toda parte e dançando para chamar sua atenção.
Era ágil, graciosa e sedutora como um gatinho, e a maneira como lembrava
uma mocinha ingênua e apaixonada sempre fazia os dois darem risadas. Mas,
à medida que foi envelhecendo, começou a dar sinais de uma conexão
com Carla e, nessa ligação, tinha um comportamento muito mais sensato,
menos dado a caprichos - parecendo manifestar, na verdade, um certo senso de humor
contido e irônico. Carla era carinhosa e severa com os cavalos, além
de bastante maternal, mas sua camaradagem com Flora era muito diferente, pois
Flora não lhe permitia qualquer sensação de superioridade.
"Ainda
nenhum sinal de Flora?", perguntou ela, enquanto tirava as botas de trabalhar
na cocheira. Clark tinha emitido um aviso de Cabra Perdida na internet. "Nada
até agora", respondeu ele, num tom preocupado mas não inamistoso.
E em seguida sugeriu, e não pela primeira vez, que Flora podia simplesmente
ter escapado para ver se encontrava um macho. Nem
uma palavra sobre a sra. Jamieson. Carla pôs a chaleira no fogo. Clark cantarolava
baixinho, como quase sempre quando ficava sentado à frente do computador. Às
vezes ele falava com a máquina. Você está de sacanagem,
dizia ele, respondendo a algum desafio. Ou então começava a rir
- mas nunca conseguia lembrar qual tinha sido a graça, quando ela lhe perguntava
em seguida. Carla
perguntou alto: "Quer um chá?", e, para sua surpresa, ele se
levantou e veio até a cozinha. "Então",
disse ele. "Então, Carla." "O
quê?" "Então
ela ligou." "Quem?" "Sua
majestade. A rainha Sylvia. Acabou de voltar." "Não
ouvi o carro." "Não
perguntei se você tinha ouvido." "E
ela ligou para quê?" "Quer
que você vá até lá, ajudar a dar um jeito na casa.
Foi o que ela disse. Amanhã." "E
você respondeu o quê?" "Que
sim, claro. Mas é melhor você ligar para ela confirmando." Carla
disse: "Não sei para quê, se você já respondeu
a ela". Serviu as duas canecas de chá. "Eu arrumei aquela casa
antes de ela viajar. Não vejo o que pode haver para fazer tão pouco
tempo depois." "Talvez
os guaxinins tenham entrado e desarrumado tudo enquanto ela estava fora. Nunca
se sabe." "Mas
não preciso ligar para ela neste instante", disse Carla. "Quero
tomar o meu chá e depois um bom banho de chuveiro." "Quanto
antes melhor." Carla
entrou no banheiro, levando seu chá, e respondeu lá de dentro: "Precisamos
ir ao Laundromat. Mesmo quando conseguem secar, as toalhas continuam com cheiro
de mofo". "Não
vamos mudar de assunto, Carla." Mesmo
depois que ela entrou no chuveiro, ele continuou de pé junto à porta,
falando com ela. "Não
vou deixar você se safar assim tão fácil, Carla." Ela
achava que ele ainda podia estar parado ali quando saiu do banho, mas ele estava
de volta ao computador. Ela se vestiu como se pretendesse ir até a cidade
- esperava que, se conseguissem sair de casa, para ir à lavanderia self-service
ou comprar um cappuccino para viagem, talvez pudessem conversar sobre aquilo
de outra maneira, e algum alívio fosse possível. Dirigiu-se até
a sala de estar com passos firmes e abraçou-o por trás. Mas, assim
que lhe deu o abraço, foi tomada por uma onda de dor - devia ter sido o
calor do chuveiro, soltando as lágrimas - e deixou-se apoiar nele, toda
desmontada e lacrimosa. Ele
tirou as mãos do teclado, mas continuou sentado. "Só
não fique zangado comigo", disse ela. "Não
estou zangado. Mas não gosto quando você fica desse jeito, só
isso." "Estou
desse jeito porque você está zangado." "Não
precisa me dizer o que eu estou. Você está me sufocando. Vá
fazer o jantar." Ela
obedeceu. A essa altura, estava claro que a pessoa das cinco não viria
mais. Pegou as batatas e começou a descascá-las, mas as lágrimas
não paravam e ela não conseguia ver direito o que fazia. Enxugou
o rosto com uma toalha de papel, puxou outra folha para levar consigo e saiu para
a chuva. Não foi para a estrebaria porque o lugar estava muito triste sem
Flora. Saiu andando pelo caminho que levava ao bosque. Os cavalos estavam no outro
pasto. E vieram até a cerca para vê-la. Todos menos Lizzie, que fez
algumas cabriolas e bufou um pouco, tiveram a sensatez de compreender que a atenção
dela estava em outro lugar. |