A
Divina Comédia, de
Dante Alighieri (tradução de Vasco Graça Moura; Landmark;
894 páginas; 88 reais) O maior clássico da literatura italiana
retorna às livrarias em uma nova edição bilíngüe.
A fluente tradução do poeta português Vasco Graça Moura
é uma excelente opção para o leitor que deseja conhecer a
obra-prima do florentino Dante Alighieri (1265-1321). Guiado, no início
da jornada, pelo poeta latino Virgílio, Dante visita o inferno, o purgatório
e o paraíso. Talvez o poeta mais ambicioso da história, ele faz
de seu livro uma reflexão cosmológica e um compêndio do conhecimento
acumulado por sua época nas mais variadas áreas além
de um fulgurante trabalho artístico.
Leia
trecho CANTO
III «Per
me si va ne la città dolente, per me si va ne 1'etterno dolore, 3
per me si va tra la perduta gente. Giustizia mosse il mio alto fattore; fecemi
la divina podestate, 6 la somma sapïenza e '1 primo amore. Dinanzi
a me non fuor cose create se non etterne, e io etterno duro. 9 Lasciate
ogne speranza, voi ch'intrate.» Queste parole di colore oscuro vid'ïo
scritte al sommo d'una porta; 12 per ch'io: «Maestro, il senso lor m'è
duro. Ed elli a me, come persona accorta: «Qui si convien lasciare
ogne sospetto; 15 ogne viltà convien che qui sia morta. Noi siam
venuti al loco ov' i' t'ho detto che tu vedrai le genti dolorose 18 c'hanno
perduto il ben de l'intelletto.» E poi che la sua mano a la mia puose
con lieto volto, ond' io mi confortai, 21 mi mise dentro a le segrete
cose. Quivi sospiri, pianti e alti guai risonavan per l'acre sanza stelle, 24
per ch'io al cominciar ne lagrimai. Diverse lingue, orribili favelle, parole
di dolore, accenti d'ira, 27 voci alte e fioche, e suon di man con elle facevano
un tumulto, il qual s'aggira sempre in quell'aura sanza tempo tinta, 30
come la rena quando turbo spira. E io ch'avea d'error la testa cinta, dissi:
«Maestro, che è quel ch'i' odo? 33 e che gent' è che par
nel duol sí vinta?» Ed elli a me: «Questo misero modo tegnon
l'anime triste di coloro 36 che visser sanza 'nfamia e sanza lodo.
CANTO III [Porta do Inferno. Os primeiros condenados. O rio Aqueronte
e o arrais Caronte. Terramoto e desmaio de Dante.]
Por
mim vai-se à cidade que é dolente, por mim se vai até
à eterna dor, 3 por mim se vai entre a perdida gente. Moveu justiça
o meu supremo autor. divina potestade fez-me e tais 6 a suma sapiência,
o primo amor. Antes de mim não houve cousas mais do que as eternas
e eu eterna duro. 9 Deixai toda a esperança, vós que entrais. Estas
palavras em letreiro escuro escritas vi por cima de uma porta; 12 e disse:
«Mestre, o seu sentido é duro.- Então ele, avisado, me
conforta: «Convém deixar aqui temor secreto; 15 convém
toda a vileza seja morta. Viemos ao lugar onde o aspecto verás,
to disse, à gente dolorosa 18 que já perdeu o bem do intelecto.- E
quando a sua mão nas minhas pousa com ledo rosto, e assim me confortei, 21
me descobriu tanta secreta cousa. Suspiros, choros, gritos escutei ressoando
no ar baço de estrelas, 24 de quanto ao começar também
chorei - Línguas várias, horríveis falas delas, e palavras
de dor, acentos de ira, 27 vozes altas e roucas, batedelas de mãos
com mãos, tudo em tumulto gira, naquela aura sem tempo destingida, 30
como areal que um turbilhão aspira. E co a cabeça de erros só
cingida, eu disse: «Mestre, que ouço? pela dor, 33 que gente
é esta agora assim vencida?, E ele a mim: «É o mísero
valor daquelas almas tristes em seu choro 36 que foram sem infâmia
e sem louvor.
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