Escombros
e Caprichos O Melhor do Conto Alemão no Século 20
(tradução de Marcelo Backes; L± 400 páginas; 54 reais)
De escritores que já ganharam o estatuto de clássicos, como
Thomas Mann, a autores da nova geração até agora inéditos
no Brasil, como Karen Duve (nascida em 1961), essa coletânea, organizada
pelo crítico e professor Rolf Renner, da Universidade de Freiburg, é
um amplo painel da prosa em língua alemã do século passado.
São 54 autores, cujos contos aparecem organizados em nove seções
cronológicas e temáticas a última delas, dedicada
à literatura feminina, inclui Paula, conto da austríaca Elfriede
Jelinek, ganhadora do prêmio Nobel deste ano.
Leia
trecho Título
do conto: Paula Autora:
ELFRIEDE JELINEK Conto
da coletânea A inocência infinda (Die Endlose Unschuldigkeit,
1980) Outrora
eu ainda fazia os exercícios de ginástica, que são feitos
para que a gente adquira e mantenha uma barriga reta e dura. Então eu senti
uma gravidez se aproximando e desisti desses importantes exercícios, que
eu havia recortado de um jornal. Parece que eu havia sido feita para me tornar
mãe, e portanto era, sim, um ser humano inteiro. E a gente costuma dizer
que a gravidez exige um ser humano inteiro. Talvez tenha sido um erro eu ter parado
com os exercícios quando senti que estava me tornando mãe, pois
não é bom parar jamais com os exercícios quando a gente sente
que está se tornando mãe: aí mesmo é que não.
Pois caso contrário ao invés de um ser humano inteiro a gente é
apenas um pela metade, ou dividido. Talvez isso também tenha contribuído
para eu começar a me estranhar pouco a pouco de meu marido, coisa que encontrou
sua expressão em uma crise conjugal. Temo que eu tenha me negligenciado
um pouco quando senti uma nova vida crescer em mim. A gente não pode se
concentrar tanto na vida que cresce dentro da gente, a gente tem de também
dedicar uma atençãozinha ao marido, porque caso contrário
ele se sente negligenciado de repente. Ele não deve acreditar que agora
já não faz mais parte do primeiro plano e é relegado ao segundo.
A vida nova dentro de mim, portanto, cresceu e cresceu, mas eu entrei cada vez
mais em decadência exterior, numa grandeza diretamente proporcional ao crescimento
da nova vida. E ainda por cima os pesados trabalhos domésticos que, se
não atrapalhavam o crescimento da nova vida, me afastavam cada vez mais
dos meus cuidados mínimos diários comigo mesma. Claro que eu ainda
não tinha dezesseis, mas quanto mais vida nova eu sentia dentro de mim,
tanto mais cabelos e dentes caíam de minha cabeça, o que não
teria sido absolutamente necessário, se eu tivesse feito uso dos truques
cosméticos que a gente tem de usar a fim de poder permanecer com seus cabelos
e seus dentes. Eu estava um bocado desfigurada! Até então sempre
havia tentado manter meu juízo, por exemplo, através de programas
de televisão, bem informada. Agora, no entanto, eu tinha de, justo na hora
de olhar tevê, buscar meu marido no restaurante, e isso se repetia cada
vez mais; à hora do horário nobre ele já estava sempre completamente
bêbado. O caminho do restaurante para casa era um caminho difícil,
muitas vezes nós dois caíamos juntos, tropeçando em obstáculos,
ou ele me esbofeteava até eu cair num buraco, no chão. Mesmo assim
eu sempre estava contente por tê-lo trazido são e salvo para casa.
Se ele se embebedasse mais tarde eu não conseguiria mais arrancá-lo
da cama de manhã cedo para encaminhá-lo ao trabalho. Mas assim ele
ainda conseguia se preparar a tempo de seguir nesse caminho difícil. Também
eu teria de fazer meu caminho difícil ao hospital em pouco, a fim de executar
o nascimento. Durante o tempo em que senti que estava me tornando mãe,
começou, pois, meu estranhamento em relação ao meu marido,
que em pouco se estendia com rapidez, abarcando todos os setores do cotidiano.
Porque meu único capital, meu corpo outrora elegante e por isso fácil
de ser tratado, tanto cosmética quanto vestuariamente, agora lamentavelmente
me deixava na mão. Quer dizer, era o fim da elegância. O mais importante
na verdade é sempre ter uma base, qualquer que seja ela, sobre a qual a
gente pode construir tudo, no meu caso essa base era meu corpo elegante, e ela
se fora. Em pouco meu marido começou a me dar pontapés ora aqui
ora acolá. Às vezes eu tinha sorte e ele acertava um lugar que doía
menos, como a coxa ou o traseiro, mas às vezes eu tinha azar e ele acertava
um lugar que me doía muito mais, a barriga por exemplo. Mesmo durante a
gravidez, minha barriga parecia não ser nem um pouco sagrada para ele,
conforme aliás deveria ser, mas sim algo profano, que podia ser chutado.
Mesmo assim a gravidez não foi interrompida. Aqui está escrito que
a gente tem de continuar os exercícios ginásticos quaisquer que
sejam as circunstâncias. Mas a circunstância o estado
interessante era para mim uma carga tão pesada, que os exercícios
tinham de ficar pra trás. O que é importante entre um homem e uma
mulher é o respeito mútuo. E meu marido lamentavelmente não
conseguia demonstrá-lo mais para comigo, porque eu me acabei tanto em termos
físicos. Sei que deveria ter me defendido contra esse ímpeto interno
que sempre me dizia: jogue tudo para o alto, que tinha de lutar contra ele, talvez,
quem sabe, eu até tivesse vencido, e o ímpeto de jogar tudo para
o alto teria sucumbido. Mas então eu de repente senti um pânico se
levantar dentro de mim, que me dizia: cuidados cosméticos, ainda que sejam
os cuidados mais essenciais, custam dinheiro. E esse dinheiro meu marido bebia.
Mal meu marido havia ouvido que eu sentia que estava me tornando mãe, e
já ele foi ao botequim e não saiu mais de lá a não
ser para me bater e me chutar. Às vezes ele também me fazia pensar
se nós não éramos demasiado limitados em termos de espaço
para ter crianças, porque nós tínhamos apenas esse quarto
pequeno na casa de meus pais para morar. Ele teria preferido que eu sumisse no
ar ou talvez morrido com aquela vida que ainda não vira a luz do mundo,
apenas para que eu e a vida que ainda não vira a luz do mundo não
ocupássemos espaço. Ainda que meu corpo elegante tenha ocupado pouco
espaço outrora em sua condição de corpo elegante, isso agora
havia terminado, e de dia para dia eu ocupava mais espaço, tanto mais quanto
mais sentia que me tornava mãe. Primeiro meu marido disse: Um dia eu não
conseguirei mais entrar pela porta, quando chegar morto de cansado do trabalho
para casa, se você e seu bastardo seguirem ocupando mais espaço,
depois ele tentava, através dos métodos radicais mencionados acima,
reduzir o volume da minha barriga a suas medidas normais e naturais. É
uma sorte e tanto quando a gente sente que está se tornando mãe,
mas eu sentia apenas as pancadas de meu esposo descerem como granizo sobre meu
agora pouco flexível e por isso nada ágil corpo de grávida.
É um tempo de preparação interna e externa para uma mulher.
Eu sou uma mulher. Mas eu quase sempre estava despreparada quando as pancadas
vinham, ainda que as esperasse de hora em hora. Às vezes, quando eu excepcionalmente
tentava enfiar um pouco de diversão e distração da rotina
cotidiana em minha cabeça, ao olhar alguma coisa na tevê, ele logo
me tirava da diversão e da distração, me tirava da sala dos
meus pais, me conduzia ao nosso quartinho e lá me espancava, às
vezes até na cabeça, que, se continuava ágil, aos poucos
também passou a ter dificuldades, assim como meu corpo. Eu acredito que
meu marido desejava em segredo que aquele que não havia nascido continuasse
na condição de não nascido e jamais se tornasse algo nascido,
coisa que quase chegou a conseguir num belo dia desses. Se não tivessem
mantido minha alma e meu corpo unidos no hospital e quase atado o que não
havia nascido a eles, quem sabe talvez hoje minha alma e meu corpo já estivessem
separados um do outro. Mas ambos acabaram sendo salvos. Foi um belo tempo aquele,
boa comida, carne muitas vezes, até que meu esposo voltou a me tirar do
hospital, porque eu tinha de executar os trabalhos domésticos, pois, caso
contrário quem os faria? E assim também esse belo tempo chegou ao
fim, ainda hoje gosto de me lembrar dele. Mas meu esposo desejava ter-me ao lado
dele, que é onde a mulher deve estar. E assim eu voltei às minhas
obrigações cotidianas ao lado dele. Agora até que as coisas
andavam de novo, com as forças um pouco renovadas; a vida que estava se
preparando para ser, em minha barriga, saneada por algum tempo. No hospital eu
ja havia visto um novo corte de cabelo numa revista ilustrada, corte de cabelo
que eu lamentavelmente não podia mandar fazer em minha cabeça. Oh,
se eu o tivesse feito! O fato de não fazê-lo por certo foi um erro
que logo se vingaria de mim, enquanto eu ficava cada vez menos atrativa para meu
marido, vendo a vida que se formava por assim dizer comendo meus cabelos; um novo
corte de cabelo talvez pudesse salvar o que ainda havia para ser salvo, que não
era muito, mas esse sonho eu tive de ver frustrado antes mesmo de chegar a sonhá-lo
de fato. E assim tudo ficou como era antes. Meu esposo talvez ficasse satisfeito
com uma mulher de cabelo novo, cortado curto, mas ainda mais satisfeito ele ficava
com um ou mais litros de álcool dentro de si. Apesar disso eu continuava
sendo torturada pelo pensamento de que poderia ter feito bem mais em termos cosméticos
e ginásticos para o caso que agora estava sucedendo, ou seja, meu ocaso
físico, que se fazia visível, entre outras coisas, também
na água das pernas, que tornava o ato de caminhar um assunto complicado
e demorado. É até bem natural e nem um pouco perigoso que mulheres
que estão esperando um filho tenham água nas pernas, e isso costuma
desaparecer sem deixar rastros depois do nascimento. Essa é uma das poucas
coisas que não deixam marcas em um ser humano. A água de fato sumiu
sem deixar rastros e a criança era uma criança saudável,
mais tarde ainda haveria mais uma. Se
outrora eu ansiava por cuidados cosméticos e mais tempo para a ginástica,
agora eu ansiava incompreensivelmente por uma vida melhor, que eu pensava que
seria mais adequada para mim do que uma pior. Por certo foi um erro da minha parte
pensar que eu tinha um direito natural a uma vida assim concedido pelo
fato de eu ter filhos saudáveis. Há pessoas que não podem
afirmar o mesmo de si. E também eu, a mãe, estava saudável.
E isso era uma sorte que muitas mães afirmavam ser uma sorte desmerecida,
porque entre essas muitas também há aquelas que trazem ao mundo
crianças pouco saudáveis, quando não doentes, e as chamam
de suas. Também o meu esposo estava, dadas as circunstâncias, saudável.
As circunstâncias, por seu lado, eram quase insalubres nesse quarto pequeno,
no qual viviam quatro pessoas, na verdade apenas três, pois crianças
com menos de catorze anos são meias pessoas, é isso que diz a lei,
quando se trata de quantas pessoas podem viajar em um automóvel. Talvez
tenha sido um erro meu o fato de eu querer mudar essas circunstâncias de
vida em dignas de vida, em circunstâncias dignas de vida, eu quero dizer.
Eu deveria ter me contentado com o fato de todos termos o suficiente para comer
até nos fartar, do que meu esposo se encarregava depois de ter desviado
uma parte nem um pouco insignificante de seu salário semanal para fins
alcoólicos. Eu também reconheço que as circunstâncias
de vida de meu esposo também não eram as mais agradáveis
do mundo, uma vez que além das circunstâncias de vida desagradáveis
em casa, que nós dividíamos com ele, ele também tinha de
encaminhar o trabalho desagradável e pesado na floresta. Em todo caso nós
morávamos apenas em três, se não em dois, no pequeno espaço
do quarto, enquanto ele derrubava árvores, zeloso, lá fora. Mas
tão pouco quanto me contentava o fato de viver entre três em um espaço
tão pequeno, tão pouco também me contentava viver entre quatro
no mesmo espaço pequeno e ainda ser afastada a pancadas da frente da tevê
justo na parte mais empolgante, ora por ninharias ora, conforme eu tenho de admitir,
por importantes faltas matrimoniais como uma louça que foi deixada de lavar
por causa do "Comissário". Onde meu marido tinha razão,
ele tinha razão. Serviços domésticos e crianças não
podem sofrer sob as conseqüências do "Comissário".
Quando os serviços domésticos e as crianças não sofriam
sob as conseqüências do "Comissário", eles lamentavelmente
sofriam, e cada vez mais, devido a uma mãe irritadiça e muitas vezes
também rabugenta, ou seja, devido a mim, que imaginava estar vivendo sob
uma carga insuportável, que se manifestava sobretudo em termos nervosos,
mas que na verdade sempre fora suportável. Prova: eu a suportei. E isso
durante vários anos! E isso prova, por sua vez, que no final das contas
a culpa tinha de ser minha. Depois de eu ter desistido da ginástica diária
para a barriga e os quadris, bem como do batom e da sombra para os olhos, eu teria
de pelo menos buscar e encontrar uma compensação menos transitória,
até permanente para isso, quer dizer, meu esposo, as crianças e
tudo o que diz respeito aos serviços domésticos. Se é verdade
que eu havia procurado e encontrado meu esposo, as crianças e inclusive
os serviços domésticos, eles não foram uma compensação
duradoura para mim. Ou seja, continuei conservando em mim um certo superficialismo,
ainda que minha vida tivesse uma profundidade verdadeiramente suficiente; assim
mesmo as pancadas que se abatiam sobre mim, por exemplo, muitas vezes acabavam
deixando um sentimento profundo de ódio contra aquele que as dava dentro
de mim, aquela que as recebia. Em seguida eu vim a cometer, conforme acredito,
aquele que foi o erro decisivo: ver no dinheiro a solução desses
problemas, ele que jamais pode ser uma solução de verdade, uma vez
que as coisas decisivas da vida, conforme todo mundo sabe, não podem ser
compradas pelo dinheiro, a saúde, por exemplo, conforme eu já expliquei
anteriormente. Ao invés disso eu queria comprar sempre mais e com mais
violência. Algo que a gente quer alcançar com violência muitas
vezes acaba não dando certo. Mas algo que a gente pode comprar com dinheiro,
a gente pode comprar, pressupondo-se o fato de que a gente pode dizer que esse
dinheiro é seu. O dinheiro move o mundo. Isso é uma fatura das mais
simples. Talvez tivesse sido de fato minha culpa, mas a prostituição
por dinheiro, na qual eu ao final das contas vi a minha única saída
para alcançar o que eu queria, me deu tanto dinheiro que eu poderia me
dar ao luxo de levar uma vida despreocupada, principalmente no lugar em que morávamos,
onde a oferta de prostitutas por assim dizer praticamente não estava à
mão. Ou, para dizer melhor, teria me dado tanto dinheiro se não
fosse impossível a má árvore dar bom fruto. O dinheiro conseguido
com a prostituição era o resultado dessa má árvore,
que também em meu caso não deu bom fruto. Tudo isso eu percebi mais
tardar no dia em que tudo foi descoberto, ou seja, que o fruto que eu obtinha
com tanto zelo era mau. Eu o havia obtido com a ajuda do meu corpo cosmeticamente
descuidado e, lamentavelmente sou obrigada a dizer, quase desleixado, que mesmo
assim ainda poderia ser chamado de um corpo feminino, cujos poucos cabelos ainda
não haviam sido cortados, cujas unhas quebradas ainda não haviam
sido pintadas, cujos saltos ainda estavam tortos e não haviam sido trocados,
e assim por diante. Eu o havia obtido, ainda que alguém mal pudesse encontrar
algo de atrativo em mim, nem mesmo com o auxílio de uma lupa, e ainda assim
parece que as poucas características tipicamente femininas bastavam a fim
de encaminhar com elas um negócio pequeno mas florescente. Mas justo no
momento em que eu começava a me arranjar um pouco de novo, os cuidados
de conservação e proteção já chegavam ao fim,
pois nesse momento veio a se confirmar mais uma vez o fato de que a má
árvore não pode dar bom fruto. E por um acaso idiota. Meus filhos
e meu esposo se foram tão rápido que eu nem sequer me dei conta.
Justo agora que eu voltava a ter in petto uma feminilidade um pouco mais cuidada.
Precisamente agora que eu podia recomeçar a me tornar atrativa mais uma
vez, tinha de acontecer isso. Os frutos obtidos da árvore má encolheram
tanto mais rápidos na seqüência, conforme me parece, e eles
encolheram inclusive nos tempos depois da separação, quando eu tive
de procurar um emprego que por fim também acabei encontrando. De verdade,
um capital parado chega ao fim bem rápido. Eu mesma tinha de trabalhar,
não podia ficar parada. Talvez também tenha sido um erro meu até
certo ponto não ter continuado a obter meus frutos da árvore má,
coisa que configura uma atividade fácil, ainda que um tanto nojenta, mas
eu queria, já que não tinha mais uma família que poderia
chamar de minha, obter meus frutos de maneira decente. Talvez tenha sido um erro
eu ter dado um basta na prostituição e me dedicado à atividade
do fabrico; na primeira por certo eu ganharia mais, mas ela já havia me
dado azar uma vez, sobretudo porque eu posso alimentar a esperança de,
pela minha aparência, encontrar um namorado logo, que talvez venha a ter
um trabalho mais limpo e não entre em contato com uma gota de álcool
sequer. Então talvez o investimento que consiste em exercer um trabalho
legal e correto em uma fábrica renda seus juros sob a forma de um novo
casamento e de novos filhos. Não quero jogar para o alto essa chance, através
de uma nova busca de frutos em árvores más... Coisas como ter azar
ou colher frutos fáceis se transformam com facilidade num mau costume.
E eu gostaria de também pertencer, em pouco tempo, àquelas pessoas
que por costume e até com regularidade têm sorte, como o proprietário
dessa fábrica de papel, por exemplo, para citar apenas um, essa fábrica
na qual eu ganho meu pão e meus cosméticos. Os últimos representam
um assim chamado EXTRA, que todavia me é muito conveniente e pertence à
categoria dos investimentos legítimos que objetivam fundar um novo casamento
e uma nova casa com uma pessoa nova, descansada e nada gasta. Dessa maneira eu
por certo não haverei de obter muitos bens, mas farei com que pelo menos
esses bens dêem seus frutos. Da outra maneira eu com certeza poderei vir
a obter muito mais bens, mas em minhas mãos eles apenas haveriam de trazer
azar e não dariam bons frutos. Para mim chega de azar. Agora eu quero progredir.
Eu aprendi com os meus erros do passado, o que já é um senhor desempenho.
Uma vez já fui eu quem cometeu o erro, em uma eventual segunda vez o erro
não será meu. Aí as coisas terão de andar como manda
o figurino. |