O
Imperador,
de Ryszard Kapuscinski (tradução de Tomasz Barcinski; Companhia
das Letras; 192 páginas; 33 reais) Com a experiência profissional
de quem já presenciou 27 golpes de Estado nos mais variados países,
o jornalista polonês Ryszard Kapuscinski traça nesse livro um retrato
devastador da tirania de Hailé Selassié I, soberano da Etiópia
por 44 anos. Kapuscinski esteve no país em 1974, quando o rei foi finalmente
deposto, e entrevistou cortesãos, lacaios e assessores do homem que se
intitulou "o Escolhido de Deus". Entre os entrevistados havia empregados com as
funções mais esdrúxulas, como o encarregado oficial de limpar
a urina de "Lulu", o cachorrinho do imperador. Os relatos mostram a suntuosidade
absurda da corte que reinou sobre um dos países mais miseráveis
do mundo.
Leia
trecho Esqueça-se
de mim Tudo se apagou (Tango cigano) Oh!
Negus Negesti Salve a Abissínia Pois estão ameaçadas Suas
linhas sulinas, E em Makale, lá no norte Só há desgraça
e morte. Negus, Negus Dê-me balas, dê-me pólvora (Uma
canção da Varsóvia de antes da guerra) Ao
observar o comportamento de galinhas num galinheiro, podemos notar que as de grau
inferior são bicadas e cedem seu lugar às de grau superior. Numa
situação ideal, a hierarquia dos galináceos forma uma seqüência
linear, no topo da qual se encontra uma supergalinha que bica todas as demais,
enquanto as do meio bicam as que estão abaixo delas e respeitam as que
estão acima. No degrau mais baixo, há uma Cinderela, obrigada a
ceder a todas as demais. Adolf
Remane, O comportamento dos vertebrados O
ser humano acostuma-se a tudo, desde que se encontre em um grau de submissão
adequado. C.
G. Jung O
golfinho, quando quer adormecer, sobe à superfície da água;
uma vez adormecido, começa a afundar lentamente, até o fundo do
mar. Ao bater com o corpo no fundo, desperta e retorna à superfície,
onde volta a adormecer e a afundar, acordando ao bater no fundo. Dessa forma,
ele descansa em pleno movimento. Benedykt
Chmielowski, A nova Atenas, ou
Uma academia repleta de todas as ciências Ao
anoitecer, eu ouvia os homens que conheceram de perto a corte do imperador. Tempos
atrás, haviam sido empregados do palácio ou tiveram acesso a ele.
Poucos sobraram. A maioria tinha sido executada pelos pelotões de fuzilamento,
outros fugiram para o exterior ou estavam aprisionados no próprio palácio
— passaram dos salões às masmorras. Havia ainda alguns escondidos
nas montanhas ou em conventos, disfarçados de monges, todos tentando sobreviver
como podiam. Poucos permaneceram em Adis-Abeba, onde — como ficou evidente — era
mais fácil despistar a vigilância das autoridades. Eu
os visitava somente após o anoitecer e precisava trocar de carro várias
vezes e me disfarçar. Os etíopes são muito desconfiados e
não queriam acreditar na sinceridade das minhas intenções:
reconstituir o mundo que as metralhadoras da Quarta Divisão haviam varrido
para longe. As tais metralhadoras são montadas em jipes americanos, ao
lado do assento do motorista, e manejadas por soldados cuja função
é matar. No banco de trás, um soldado recebe ordens através
de um rádio. Como o jipe não tem capota, o motorista, o atirador
e o operador de rádio usam, além de capacetes, óculos escuros
de motociclista para protegê-los da poeira. Seus olhos, portanto, não
podem ser vistos e seus rostos cor de ébano e com a barba por fazer são
inexpressivos. Os trios que se sentam em jipes como esse estão de tal modo
acostumados com a morte que os motoristas dirigem de forma suicida: fazem curvas
em alta velocidade, andam na contramão, obrigando todos a sair da frente
para escapar da linha de tiro. Do rádio transmissor apoiado nos joelhos
do soldado que vai atrás, emanam ordens e gritos nervosos, em meio a tiros
e ao ruído de estática. Como nunca se sabe se a ordem é abrir
fogo, o melhor é sumir de vista; virar na primeira ruazinha e aguardar
que eles passem. Penetro
em vielas escondidas e cheias de poças de lama que conduzem a casas aparentemente
vazias, abandonadas. Tenho medo — essas casas estão sob severa vigilância
e posso ser preso, junto com os moradores. É algo muito possível
de acontecer, já que as vielas e às vezes quarteirões inteiros
são invadidos por homens em busca de armas, de panfletos subversivos ou
de membros do regime anterior. Todas as casas vigiam-se umas às outras,
espionam-se, farejam-se. Vivemos uma guerra civil, e a guerra é assim.
Sento-me perto de uma janela, e imediatamente eles dizem: "Por favor, saia
daí. O senhor pode ser visto da rua, será fácil acertá-lo".
Ouve-se o som de um carro parando nas cercanias, depois tiros. Quem seria? Eles
ou os outros? Mas, hoje em dia, quem são "eles" e quem são
"os outros" que estão contra "eles"? O carro parte,
acompanhado por latidos de cães. Eles latem a noite toda. Adis Abeba é
uma cidade de cães, eles estão por toda parte, cães de todas
as espécies, selvagens, sarnentos, empesteados, atacados pela malária.
De
novo me advertem, embora nem precisasse: nenhum endereço, nenhum nome,
nem mesmo descrições físicas — como é o rosto, se
é alto, baixo ou gordo, como é a fronte, as mãos, o olhar,
as pernas, os joelhos... Não há mais ninguém diante de quem
se ajoelhar.
F.: Era
um cachorro pequeno, de uma raça japonesa. Chamava-se Lulu e dormia na
cama do imperador. Em diversas cerimônias, escapava dos joelhos imperiais
e ia urinar nos sapatos dos dignitários. Eles estavam proibidos de se mexer,
de esboçar um gesto que fosse, ao sentirem os pés molhados. Minha
função era andar entre os dignitários, secando os sapatos.
Para isso, eu usava um pequeno pano de cetim. Essa foi a minha ocupação
por dez anos. L.
C.: O
imperador dormia numa cama de nogueira bem espaçosa. Ele era tão
frágil e miudinho que mal podia ser visto no meio dos lençóis.
Ao envelhecer, encolheu ainda mais, chegando a pesar apenas cinqüenta quilos.
Comia cada vez menos e não consumia bebidas alcoólicas. Seus joelhos
haviam endurecido e, quando estava sozinho, arrastava as pernas e impulsionava
o corpo como se estivesse apoiado em muletas. Quando, porém, sabia que
estava sendo observado, fazia um esforço sobre-humano para que seus músculos
adquirissem a necessária elasticidade e ele pudesse caminhar com dignidade,
mantendo uma postura imperial, reta e firme. Cada passo era uma batalha entre
arrastar-se e manter-se numa postura digna, entre curvar-se e ficar ereto. O grão
senhor estava sempre atento aos efeitos maléficos da idade, não
queria mostrá-los a ninguém, para não diminuir seu prestígio
e autoridade como Rei dos Reis. Mas nós, camareiros, podíamos vê-lo
na privacidade e sabíamos muito bem quanto lhe custava esse esforço.
Costumava dormir poucas horas e levantar-se bem cedo, enquanto ainda estava escuro
lá fora. Encarava o sono como um mal necessário, que lhe roubava
um tempo precioso que ele teria preferido gastar reinando ou em cerimônias
protocolares. O sono era algo privado, uma intromissão numa vida destinada
a ser aproveitada no meio de luzes e de ambientes ricamente decorados. Por isso
acordava como se estivesse aborrecido por haver dormido, impaciente pelo fato
de ter desperdiçado aquele tempo, voltando a se reequilibrar somente no
decorrer de suas atividades diárias. Devo ressaltar que o imperador jamais
demonstrava sinais de nervosismo, raiva, fúria ou frustração.
Ele parecia nunca ter experimentado tais sentimentos, ou porque seus nervos eram
duros e frios como aço ou porque ele não tinha nervos. Era uma qualidade
inata, que o nosso senhor soube desenvolver e aprimorar, baseado na convicção
de que, em política, o nervosismo era um sinal de fraqueza que podia ser
explorado pelos inimigos ou se tornar motivo de piadas dos subalternos. Como o
nosso senhor sabia que as piadas podem ser uma forma de oposição,
ele mantinha a psique sob rígido controle. Levantava às quatro ou
cinco da manhã e, nos dias em que partia em visita ao exterior, chegava
a acordar as três da madrugada. Mais tarde, quando a situação
do país foi piorando, começou a viajar com maior freqüência,
e toda a corte então se ocupava exclusivamente dos preparativos das viagens.
Ao acordar, ele tocava uma campainha instalada na sua mesinha-de-cabeceira, cujo
tilintar era aguardado atentamente por todos os empregados. As luzes do palácio
eram acesas. Sinal de que no império do distintíssimo monarca começava
um novo dia. Y.
M.: O
imperador iniciava o dia ouvindo os relatórios dos informantes. A noite
é perigosa, propícia a todo tipo de complô; Hailé Selassié
sabia que o que se passava à noite tinha mais importância do que
aquilo que ocorria durante o dia. De dia, ele conseguia manter todos sob severa
vigilância, mas isso não era possível à noite. Por
isso dava muita importância aos relatórios matinais. E aqui eu gostaria
de registrar um dado importante: o venerável amo não tinha o hábito
de ler. Para ele, os documentos escritos à mão ou impressos não
existiam; todos os relatórios precisavam ser orais. Nosso amo não
teve uma educação formal e seu único professor — ainda na
infância — foi um jesuíta francês, monsenhor Jerome, que mais
tarde se tornou bispo de Harare e amigo do poeta Arthur Rimbaud. O religioso não
conseguiu incutir no imperador o hábito da leitura, principalmente porque,
desde a juventude, Hailé Selassié ocupou altos postos administrativos,
que não lhe deixavam tempo livre para leituras sistemáticas. Mas
para mim havia naquilo algo mais do que simples falta de tempo e de hábito.
O uso de relatórios orais permitia ao imperador, em caso de necessidade,
afirmar que esse ou aquele dignitário lhe relatara algo totalmente diferente
do que ele de fato dissera, e o dignitário, sem nenhum documento escrito
em que se apoiar, não tinha como se defender. Dessa forma, o imperador
ouvia de seus súditos não aquilo que eles lhe contavam, mas o que,
na sua opinião, deveria ter sido dito. O venerável monarca tinha
uma visão muito particular das coisas e a ela adequava todos os sinais
provenientes daqueles que o cercavam. O mesmo se dava com a escrita: além
de não fazer uso de sua capacidade de ler, nosso monarca também
não escrevia a quem quer que fosse e jamais assinou um documento. Apesar
de ter reinado por meio século, até mesmo os que lhe eram mais próximos
não faziam a menor idéia de como era sua assinatura. Durante as
cerimônias oficiais, o imperador tinha sempre ao lado um "Ministro
da Pena", que anotava as ordens e as recomendações. Devo mencionar
ainda que nas audiências o digníssimo monarca falava muito baixo,
movendo pouco os lábios. O Ministro da Pena, postado junto ao trono, era
forçado a inclinar o ouvido para perto dos lábios imperiais, a fim
de poder ouvir e anotar as decisões. Para piorar as coisas, as palavras
do imperador eram, na maioria das vezes, confusas e ambíguas, principalmente
quando ele não desejava tomar partido em alguma situação.
Essa habilidade do monarca era admirável. Quando um dignitário lhe
perguntava qual era a sua decisão, ele não respondia diretamente,
murmurava algo baixinho que só podia ser captado pelo Ministro da Pena,
cujo ouvido, qual um microfone, mantinha-se próximo da boca dele, enquanto
o ministro, escrupulosamente, ia anotando os murmúrios do líder.
O resto não passava de interpretação, e isso competia ao
ministro, que dava à decisão uma forma escrita e a retransmitia
aos escalões inferiores. Aquele que dirigia o Ministério da Pena
gozava da total confiança do imperador e detinha um poder considerável.
As misteriosas cabalas formadas pelas palavras emitidas por Selassié permitiam
ao ministro construir as conclusões que lhe parecessem mais adequadas.
Se a decisão imperial impressionasse a todos por sua correção
e sabedoria, isso seria mais uma prova da inefabilidade do escolhido de Deus.
No entanto, se chegassem aos ouvidos do monarca quaisquer murmúrios de
insatisfação, o venerável amo poderia culpar o ministro.
Assim, o Ministro da Pena era o membro mais detestado da corte, já que
todos, convictos da bondade e da sabedoria do venerável amo, culpavam o
ministro pelas decisões maldosas ou irrefletidas; e elas não eram
raras. Os serviçais bem que indagavam por que Hailé Selassié
não substituía o ministro, contudo, segundo as regras do palácio,
as perguntas somente podiam vir de cima para baixo — jamais em sentido inverso.
Quando, pela primeira vez, uma pergunta se fez ouvir na direção
oposta à dessa regra, foi o sinal de que eclodira uma revolução.
Mas estou me adiantando em minhas reminiscências; devo voltar à manhã
em que o imperador surge na escadaria do palácio para seu passeio habitual
e entra no parque. Nesse momento, Solomon Kedir, chefe dos espiões do palácio,
aproxima-se dele. O imperador caminha pelos jardins, seguido por Kedir, que não
pára de fazer seu relato: quem se encontrou com quem, onde se deu o encontro,
sobre o que conversaram. Estariam conspirando? E, se sim, contra quem? Kedir também
informa os resultados obtidos pela divisão encarregada de interceptar as
mensagens trocadas em código entre os comandantes militares. A divisão,
subordinada a ele, tem por função decifrá-las, pois é
importante descobrir se os militares não estão planejando um golpe
de Estado. O venerável monarca não faz perguntas nem comentários
— apenas caminha e escuta. De vez em quando, pára diante de uma jaula com
leões e lhes atira um pedaço de carne de vitela dado por um serviçal.
Um sorriso ilumina seu rosto, ao notar a voracidade dos leões. Depois,
aproxima-se de alguns leopardos presos por correntes e os alimenta com uma costela
de boi. O imperador mantém-se atento porque está bem próximo
das feras, e elas são imprevisíveis. Em seguida, continua a caminhar,
seguido por Kedir e seus intermináveis relatórios. De repente, o
monarca faz um sinal com a cabeça para que Kedir vá embora. Kedir
faz uma reverência e se afasta, andando para trás, para não
virar as costas na direção de Sua Majestade. No mesmo instante,
do meio das árvores surge o ministro da Indústria e Comércio,
Makonen Habte-Wald. O imperador continua o passeio. O ministro aproxima-se dele
e passa a lhe transmitir seu relatório. Habte-Wald tem sua própria
rede de espiões, fruto de sua paixão por toda espécie de
intrigas e do seu desejo de agradar ao monarca. Baseado nas informações
que colheu, relata ao imperador o que ocorreu na noite anterior. Nosso amo, mais
uma vez, nada pergunta, nada comenta; simplesmente continua a caminhar, as mãos
entrelaçadas às costas. A certa altura, aproxima-se de um bando
de flamingos, mas as aves, ariscas, fogem dele, e o imperador sorri diante da
visão de seres que ousam se opor à sua vontade. Ainda caminhando,
ele por fim acena com a cabeça, e Habte-Wald se cala e recua até
sumir na vegetação. O próximo a surgir, como se saído
do meio da terra, é o corcunda e leal confidente Asha Walde-Mikael, chefe
da polícia política. Ele concorre com os espiões palacianos
de Solomon Kedir e trava uma surda batalha com as redes privadas de alcagüetes
da espécie de que dispõe Makonen Habte-Wald. A função
que esses três homens exercem é árdua e perigosa. Vivem tomados
pelo medo constante de fracassarem por não relatar algo a tempo ou por
se sair pior do que um dos concorrentes, e então o imperador se perguntar,
por exemplo: por que Solomon me ofereceu um banquete, enquanto Makonen só
me trouxe sobras? Não falou porque não sabia ou é ele próprio
um conspirador? O venerável amo já não vivera experiências
semelhantes quando fora traído por pessoas que considerava próximas
e confiáveis? Por isso o imperador punia aqueles que não reportavam
tudo. Mas boatos infundados e informações irrelevantes cansavam
e agrediam os ouvidos imperiais; loquacidade excessiva, portanto, também
não era uma boa saída. A própria aparência física
desses homens revelava o constante risco sob o qual viviam. Maldormidos e exaustos,
agiam movidos por um estado de tensão permanente, febrilmente à
cata de vítimas, envoltos num clima de ódio e terror. O único
escudo era o imperador, mas o imperador podia eliminá-los com apenas um
gesto de sua augusta mão. Verdade seja dita: Sua Majestade não facilitava
a vida deles em nada. Como já mencionei anteriormente, Hailé Selassié
permanecia calado durante seu passeio matinal, enquanto ouvia os relatos da situação
dos complôs no país. Agora posso afirmar que ele sabia muito bem
o que estava fazendo. Tudo o que o amo queria era receber o relatório na
sua forma mais pura, verdadeira. Se ele perguntasse ou comentasse alguma coisa,
o narrador poderia ficar tentado a alterar o conteúdo do relato, para que
ele correspondesse às expectativas do imperador. Com isso, as informações
perderiam a objetividade e o monarca ficaria sem saber exatamente o que acontecia
no país e no palácio. No final do passeio, o imperador ouve as informações
levantadas pelo pessoal de Asha na noite anterior. Alimenta os cães e a
pantera-negra e admira o tamanduá, presente recebido havia pouco do presidente
de Uganda. Faz um sinal com a cabeça e Asha se afasta, encolhido, tentando
adivinhar se dissera mais ou menos do que seus inimigos ferrenhos — Solomon, inimigo
de Makonen, e Makonen, inimigo de Solomon. Hailé Selassié percorre
o trecho final sozinho. O parque vai clareando, a neblina se dissipa aos poucos
e a grama começa a brilhar sob os raios solares. O imperador está
imerso em pensamentos; é hora de conceber táticas e estratégias,
de desvendar os mistérios de sua personalidade e de preparar o próximo
movimento no tabuleiro do poder. Analisa em detalhe os dados recebidos dos informantes.
Não são relevantes; a maior parte não passa de acusações
mútuas. Nosso amo tem tudo anotado na cabeça, sua mente é
como um computador de grande capacidade de armazenamento; não deixa escapar
um detalhe sequer, por mais insignificante que seja. No palácio não
há escritórios, pastas ou arquivos. O imperador guarda tudo na memória,
inclusive os mais secretos dossiês sobre os membros da elite do país.
Consigo vê-lo caminhar, parar de vez em quando e elevar o rosto para o céu,
como se estivesse rezando. Oh, Deus! Livre-me daqueles que, arrastando-se de joelhos,
trazem uma faca pronta para me apunhalar pelas costas. Mas o que Deus pode fazer?
Todos os homens que cercam o imperador andam mesmo de joelhos com uma faca escondida
na mão. A vida de quem está no alto nunca é calma; por lá
sopram ventos gelados e todos se mantêm encolhidos e atentos, cuidando que
seu vizinho não o empurre para o abismo. |