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Dia
de Folga,
de Jacques Prévert (tradução de Carlito Azevedo;
Cosac & Naify; 47 páginas; 25,50 reais) O francês
Jacques Prévert (1900-1977) gostava de pássaros. São
eles os principais personagens dessa coletânea, que se abre
com o encantador Para Fazer o Retrato de um Pássaro.
Os dezesseis poemas foram selecionados pelo poeta e ilustrador holandês
Wim Hofman pensando no público infantil. Mas o leitor adulto
também pode derivar prazer do lirismo de Prévert.
Com um toque de crueldade pedagogicamente incorreta mas que
não é estranha ao universo da fábula e do conto
infantil , o poeta conta de um gato que comeu metade de um
passarinho e de uma baleia que esfaqueou o pescador que a perseguia.
Leia
trecho
Para
fazer o retrato de um pássaro
Primeiro
pintar uma gaiola
com a porta aberta
depois pintar
qualquer coisa de bonito
qualquer coisa de simples
qualquer coisa de belo
qualquer coisa de útil...
para o pássaro
depois pendurar a tela numa árvore
num jardim
num bosque
ou numa floresta
esconder-se atrás da árvore
sem dar um pio
sem mover um dedo...
Às vezes o pássaro chega sem demora
mas pode também levar longos anos
até se decidir
Não se abater
esperar
esperar anos e anos se preciso
pois a rapidez ou a demora
do pássaro não têm nada a ver
com o sucesso do quadro
Quando o pássaro chegar
se chegar
manter o mais profundo silêncio
esperar que o pássaro entre na gaiola
e quando entrar
fechar suavemente a porta com o pincel
depois
apagar uma a uma todas as grades
tomando cuidado para não tocar sem querer nas penas do pássaro
Fazer depois o retrato da árvore
reservando o galho mais belo de todos
para o pássaro
pintar ainda a folhagem verde e o frescor do vento
a poeira do sol
e o rumor dos insetos na relva no calor do verão
depois é só esperar que o pássaro comece a
cantar
Se o pássaro não cantar
é mau sinal
sinal de que o quadro é mau
mas se cantar bom sinal
sinal de que pode assiná-lo
então você deve arrancar devagarinho
uma das penas do pássaro
e escrever seu nome num canto do quadro.
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