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A Espada na Pedra, de T.H. White (tradução de Maria José Silveira; W11; 310 páginas; 37,80 reais) – Figura reclusa e excêntrica, T.H. White (1906-1964) tornou-se um dos autores mais cultuados da literatura inglesa do século XX, graças à sua primorosa versão da saga do rei Arthur. Formada por cinco volumes lançados a partir do final dos anos 30, a série O Único e Eterno Rei vendeu milhões de exemplares e deu origem a um desenho animado da Disney. A obra de White ganha agora uma edição nacional, com belas ilustrações do inglês Alan Lee, que assessorou o cineasta Peter Jackson como diretor conceitual dos filmes da trilogia O Senhor dos Anéis. Primeiro livro da série, A Espada na Pedra fala sobre a juventude do rei Arthur e introduz outro personagem célebre da saga, o mago Merlin.

Leia trecho do livro

Segundas, quartas e sextas eram dias de Beija-Mão e Summulae Logicales e, no resto da semana, Princípios de Investigação, Recapitulação e Astrologia. A preceptora sempre se atrapalhava com o astrolábio e, quando ficava especialmente atrapalhada, ela o tomava das mãos de Wart, batendo-lhe nos nós dos dedos. Não batia nos nós dos dedos de Kay porque Kay, quando crescesse, seria Sir Kay, o senhor da propriedade. Wart era chamado de Wart porque rimava mais ou menos com Art, e era uma abreviatura de seu verdadeiro nome. Kay lhe dera esse apelido. Kay era chamado apenas de Kay, pois era muito importante para ter apelido, e imediatamente teria um ataque se alguém tentasse lhe dar um. A preceptora tinha cabelos ruivos e uma ferida misteriosa com a qual conseguia grande prestígio ao mostrá-la, a portas fechadas, para todas as mulheres do castelo. Diziam que estava no lugar onde ela se sentava, e que fora causada por ter se sentado, por engano, sobre uma armadura em um piquenique. Ela acabou se oferecendo para mostrá-la a Sir Ector, que era pai de Kay, teve um ataque histérico e foi manda da embora. Depois descobriram que ela havia passado três anos em um hospício.

De tarde o programa era: segundas e sextas, torneio e equitação; terças, falcoaria; quartas, esgrima; quintas, arco e flecha; sábados, a teoria da Cavalaria, com as maneiras adequadas de se receber um golpe em qualquer situação, terminologia da etiqueta da caça e perseguição. Se, por exemplo, fizessem a coisa errada no toque de "mort" ou no "desmanche", eram curvados sobre o corpo do animal morto e recebiam um golpe com o lado cego da espada. Isso era chamado de ser laminado. Era uma grosseria, uma espécie de brincadeira, como ter o cabelo raspado ao cruzar pela primeira vez a linha do Equador. Kay, no entanto, nunca fora laminado, embora errasse com freqüência.

 


 
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