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Minha Ántonia, de Willa Cather (tradução de Maria Luiza X. de A. Borges; Códex; 336 páginas; 38 reais) — Willa Cather (1873-1947) é um dos maiores nomes da ficção americana do começo do século XX, e um dos menos conhecidos do leitor brasileiro. O grande tema da escritora foi a vida dos imigrantes que ajudaram a desbravar o Oeste dos Estados Unidos. É disso que trata esse romance, publicado originalmente em 1918 e considerado uma obra-prima por críticos como Harold Bloom. A Ántonia do título é uma garota de origem boêmia que chega a Nebraska com sua família para cultivar a terra. Ela marca a juventude de Jim Burden — o narrador que, anos mais tarde, recompõe todo aquele ambiente (com a linguagem delicada que Willa Cather lhe empresta) graças às lembranças que carrega de Ántonia: "Ela sempre fora de deixar na mente imagens que não se desvaneciam — que ficavam mais fortes com o tempo".

Leia trecho do livro

Aconteceu que no verão passado, atravessei as planícies de Iowa num período de intenso calor; por sorte, tive como companheiro de viagem James Quayle Burden - Jim Burden, como ainda o chamamos no Oeste. Somos velhos amigos - crescemos juntos na mesma cidadezinha de Nebraska - e tínhamos muito o que conversar, enquanto o trem cortava quilômetros sem fim de trigo maduro, passando por vilarejos, pastos floridos e arvoredos de carvalhos a definhar ao sol. No vagão de observação, onde fomos nos sentar, o madeirame estava quente ao toque e uma grossa camada de poeira vermelha cobria tudo. A poeira, o calor, o vento quente nos traziam muitas lembranças. Ficamos conversando sobre o que é passar a infância em vilarejos como aquele, enterrado no trigo e no milho, sob extremos etimulantes de clima: verões escaldantes em que o mundo se estende verde e ondulado sob um céu luminoso, e fica-se meio sufocado na vegetação, na cor e no cheiro de ervas fortes, de colheitas abundantes; invernos borrascosos com pouca neve, quando a região inteira fica nua e cinza como uma lâmina de ferro.


 
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