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O número 1 dos negócios

A escola Wharton desbanca Harvard no
ranking dos melhores MBAs do mundo

Maurício Oliveira

Rogério Voltan
Rogério Voltan
O campus da Wharton e Patrícia Verderesi, do Citibank: mérito valorizado

Ao longo de décadas, nada poderia lustrar mais o currículo de um jovem executivo, em qualquer metrópole do planeta, que o diploma de mestrado em negócios, o cobiçado Master in Business Administration (MBA), concedido por Harvard, a tradicional instituição universitária dos Estados Unidos, com sede em Boston, Massachusetts. Mas a poderosa grife das escolas de administração acaba de ser desbancada por uma de suas arqui-rivais, a Wharton School, ligada à Universidade da Pensilvânia, na Filadélfia. O ranking mundial dos MBAs, publicado na segunda-feira em Londres pelo diário Financial Times, coloca Wharton em primeiro lugar, posição ocupada por Harvard nas listas anteriores. Entre os dez primeiros colocados, oito são americanos. Com os dois europeus também houve inversão de posições – o francês Insead passou à frente do inglês London Business School (confira no quadro).

Realizado pelo terceiro ano consecutivo, o ranking carrega a respeitabilidade do jornal e é o que apresenta uma visão internacional mais abrangente, ao classificar 100 cursos de todo o mundo que se enquadram no formato clássico do MBA, com duração entre um e dois anos e exigência de dedicação exclusiva. Wharton teve nota 76,1 (numa escala de 0 a 100), para a qual contribuíram fatores como a presença maior de estudantes estrangeiros e a elevada capacidade de pesquisa. Nenhuma outra grande escola americana promove tanto a diversidade de origens: 46% dos 784 alunos da turma mais recente são estrangeiros. Em época de globalização, o Financial Times considerou que esta é uma das grandes virtudes de Wharton. Contou ponto também a eficácia das redes de contato cultivadas durante o curso. Nada menos que 94% dos ex-alunos conseguiram seu primeiro emprego depois do diploma por indicação de professores e colegas. No critério do desempenho dos ex-alunos no mercado de trabalho, medido três anos depois de diplomados, Harvard leva a melhor – na média, o salário anual ficou em 173.120 dólares, ante 162.610 dólares para os procedentes de Wharton.

"A notícia da valorização de Wharton no ranking deixa feliz quem já passou por lá, embora as primeiras colocadas sejam todas escolas excelentes", afirma o presidente do Banco Central, Armínio Fraga. Ele foi professor visitante do MBA de Wharton durante um ano, no fim da década de 80. Pelo MBA da escola de Filadélfia já foram diplomados 176 brasileiros. Atualmente há outros 32 alunos matriculados. Um dos calouros é o paulista Sidney Shauy, 32 anos, formado em engenharia elétrica. "É uma grande aposta no futuro. Calculo que em cinco anos terei recuperado o investimento e aí começarei a dar lucro para mim mesmo", ele brinca. Embora tenha iniciado o curso há apenas seis meses, Shauy já recebeu quinze convites para entrevistas com grandes empresas. "Elas iniciam a aproximação o mais cedo possível para que, ao final do curso, exista uma certa intimidade entre as partes", descreve.

É difícil de resistir a esse assédio, mas a administradora de empresas Patrícia Verderesi, 30 anos, conseguiu. Quando recebeu o diploma em 1998, ela retornou ao Brasil com o compromisso moral de continuar trabalhando no Citibank, que financiou o curso e a permanência no exterior. Recompensada pela fidelidade, Patrícia subiu dois degraus na hierarquia e assumiu a diretoria adjunta de crédito. Uma performance de primeira para quem ingressou no banco em 1991, como estagiária. Patrícia fez teste em oito das melhores escolas americanas e foi aprovada por sete. Optou por Wharton. "Foi uma escolha acertada. Harvard é um curso elitista, que valoriza candidatos de famílias tradicionais e cartas de indicação de políticos ou megaempresários. Em Wharton, o mérito próprio vale mais", compara Patrícia, ressaltando o espírito mais democrático reinante.

Com 209 professores, o curso oferece mais de 200 disciplinas optativas. Conseguir vaga nas mais disputadas é algo que exige estratégia. Há um sistema em que cada aluno recebe pontos no início e pode usá-los no leilão pelas vagas das disciplinas. Sidney Shauy, por exemplo, usou boa parte deles para garantir presença nas aulas de macroeconomia de Jeremy Siegel, uma lenda no mundo dos negócios, que começaram na semana passada. "Ele é bom demais. Está valendo cada um dos pontos que torrei", diz Shauy. O custo do MBA completo com despesas de hospedagem fica em cerca de 100.000 dólares. "É retorno garantido em pouco tempo", recomenda Rogério Tsukamoto, presidente da associação dos ex-alunos de Wharton no Brasil. Mercado em explosão também por aqui, a oferta de MBAs conta com uma novidade no ranking do Financial Times, que traz um representante verde-amarelo. É o Coppead, mantido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, que aparece em modesto 99º lugar, mas digno, já que se estima a existência de 1.500 MBAs com dedicação exclusiva ao redor do mundo.

 




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