Edição 1 642 - 29/3/2000

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Bem-vindos ao A

Várias faculdades que tiraram E ou D em
Provões anteriores chegam à nota máxima

Karin Finkenzeller

 
Ricardo Fasanello/Strana
As universidades melhoraram: medo da punição

No dia 15, encerraram-se as inscrições para o quinto Exame Nacional de Cursos, o Provão. Ele é o marco de duas grandes vitórias do governo. Primeira vitória: a versão deste ano será a maior de toda a história. São mais de 200.000 alunos, ou dois terços de todas as pessoas que concluíram o ensino de graduação. Dentro de três anos, 28 cursos reconhecidos pelo governo terão seus alunos submetidos ao teste. Segunda vitória: quase trinta escolas que já se submetem à prova desde o início subiram seu conceito vertiginosamente. Elas saíram de notas E ou D, consideradas muito ruins, e atingiram o grau máximo do exame, o A. É fabuloso comprovar que muitas faculdades não se conformaram com sua posição e decidiram investir para melhorar o desempenho.

Após uma nota E no Provão de 1996, a Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), na Bahia, passou por uma renovação centrada basicamente na recapacitação dos professores. Eles voltaram aos bancos de estudo e tiveram aulas periódicas em grandes universidades. Formaram-se mestres e doutores. No ano passado, a avaliação da universidade subiu de E para B. Na Universidade Metodista de São Paulo, o número de livros à disposição dos alunos praticamente triplicou nos últimos quatro anos. Resultado: a avaliação pulou de D para A. A Universidade de Mogi das Cruzes, particular, demitiu e substituiu 10% dos professores depois do fracasso retumbante no Provão de 1996. Organizou programas de recapacitação e instituiu bolsas para o professor que se dispusesse a fazer pós-graduação. Hoje, a faculdade tem conceito B.

Ano a ano, o Provão vem se firmando como um sucesso estrondoso. Hoje, retrata com bom grau de precisão a qualidade do ensino superior no país, que pode ser resumida da seguinte maneira. No mesmo sistema, ótimas universidades e faculdades caça-níqueis convivem em harmonia. Ao identificar os maus estabelecimentos, o Ministério da Educação (MEC) ganhou uma prerrogativa que antes não tinha. O MEC agora pode cobrar de quem não corresponde às expectativas e até mesmo punir os que continuam deficientes. Na última versão, 95 cursos estavam ameaçados de extinção por não conseguir cumprir todas as exigências. Doze deles estão mesmo na mira do ministério e podem fechar até o final do ano. Com receio de punição semelhante, as escolas passaram a investir na melhoria. Daí os bons resultados detectados.

 
Ricardo Benichio
Universidade Metodista: mais livros

O professor Claudio de Moura Castro, especialista em educação e colunista de VEJA, escreveu certa vez que o ensino superior é o acabamento de um processo educativo que começa no berço. Não é possível ignorar, disse ele, a qualidade da "matéria-prima" que passa no vestibular. Uma escola péssima que recebesse os melhores estudantes terminaria com resultados melhores ou quase tão bons quanto os da melhor escola que recebesse alunos fracos. De forma que um desempenho ruim no Provão estaria associado não apenas à falta de qualidade da faculdade, mas também ao baixo padrão das escolas no ensino médio. São elas afinal que despejam milhares de alunos de formação incompleta na batalha do vestibular e cujas orelhas deveriam estar sendo puxadas com igual aplicação.

Desde que o Provão começou, um fator melhorou tremendamente: a titulação de professores. De acordo com os dados levantados pelo Censo do Ensino Superior de 1999, o número de profissionais com mestrado, na soma das instituições públicas e privadas, cresceu 23% em apenas dois anos. O total de professores com doutorado subiu quase 30% no período. A avaliação de faculdades ou universidades já ocorre em vários países há muitos anos. Nos Estados Unidos, há total liberdade para a criação de cursos, mas nenhum formando recebe o diploma sem passar pelo crivo de uma apreciação externa. No Brasil, o Provão começou conturbado. Os estudantes se recusavam a fazer o exame e contavam com a cumplicidade das universidades. Em algumas faculdades, apenas 12% dos alunos que deveriam estar respondendo ao questionário cumpriram seu papel. Esse porcentual hoje é de 94%. Alunos e universidades parecem ter entendido a lição do Provão. Hoje, os estudantes podem escolher o melhor ensino, e no futuro as empresas irão selecionar as melhores escolas para buscar empregados. Um avanço incalculável.

 




 
 
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