Bem-vindos ao A
Várias faculdades que tiraram
E ou D em
Provões anteriores chegam à nota máxima
Karin Finkenzeller
Ricardo Fasanello/Strana
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| As universidades melhoraram:
medo da punição |
No dia 15, encerraram-se as inscrições
para o quinto Exame Nacional de Cursos, o Provão.
Ele é o marco de duas grandes vitórias
do governo. Primeira vitória: a versão
deste ano será a maior de toda a história.
São mais de 200.000
alunos, ou dois terços de todas as pessoas
que concluíram o ensino de graduação.
Dentro de três anos, 28 cursos reconhecidos
pelo governo terão seus alunos submetidos ao
teste. Segunda vitória: quase trinta escolas
que já se submetem à prova desde o início
subiram seu conceito vertiginosamente. Elas saíram
de notas E ou D, consideradas muito ruins, e atingiram
o grau máximo do exame, o A. É fabuloso
comprovar que muitas faculdades não se conformaram
com sua posição e decidiram investir
para melhorar o desempenho.
Após uma nota E no Provão de 1996,
a Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), na Bahia,
passou por uma renovação centrada basicamente
na recapacitação dos professores. Eles
voltaram aos bancos de estudo e tiveram aulas periódicas
em grandes universidades. Formaram-se mestres e doutores.
No ano passado, a avaliação da universidade
subiu de E para B. Na Universidade Metodista de São
Paulo, o número de livros à disposição
dos alunos praticamente triplicou nos últimos
quatro anos. Resultado: a avaliação
pulou de D para A. A Universidade de Mogi das Cruzes,
particular, demitiu e substituiu 10% dos professores
depois do fracasso retumbante no Provão de
1996. Organizou programas de recapacitação
e instituiu bolsas para o professor que se dispusesse
a fazer pós-graduação. Hoje,
a faculdade tem conceito B.
Ano a ano, o Provão vem se firmando como
um sucesso estrondoso. Hoje, retrata com bom grau
de precisão a qualidade do ensino superior
no país, que pode ser resumida da seguinte
maneira. No mesmo sistema, ótimas universidades
e faculdades caça-níqueis convivem em
harmonia. Ao identificar os maus estabelecimentos,
o Ministério da Educação (MEC)
ganhou uma prerrogativa que antes não tinha.
O MEC agora pode cobrar de quem não corresponde
às expectativas e até mesmo punir os
que continuam deficientes. Na última versão,
95 cursos estavam ameaçados de extinção
por não conseguir cumprir todas as exigências.
Doze deles estão mesmo na mira do ministério
e podem fechar até o final do ano. Com receio
de punição semelhante, as escolas passaram
a investir na melhoria. Daí os bons resultados
detectados.
Ricardo Benichio
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| Universidade
Metodista: mais livros |
O professor Claudio de Moura Castro, especialista
em educação e colunista de VEJA, escreveu
certa vez que o ensino superior é o acabamento
de um processo educativo que começa no berço.
Não é possível ignorar, disse
ele, a qualidade da "matéria-prima" que passa
no vestibular. Uma escola péssima que recebesse
os melhores estudantes terminaria com resultados melhores
ou quase tão bons quanto os da melhor escola
que recebesse alunos fracos. De forma que um desempenho
ruim no Provão estaria associado não
apenas à falta de qualidade da faculdade, mas
também ao baixo padrão das escolas no
ensino médio. São elas afinal que despejam
milhares de alunos de formação incompleta
na batalha do vestibular e cujas orelhas deveriam
estar sendo puxadas com igual aplicação.
Desde que o Provão começou, um fator
melhorou tremendamente: a titulação
de professores. De acordo com os dados levantados
pelo Censo do Ensino Superior de 1999, o número
de profissionais com mestrado, na soma das instituições
públicas e privadas, cresceu 23% em apenas
dois anos. O total de professores com doutorado subiu
quase 30% no período. A avaliação
de faculdades ou universidades já ocorre em
vários países há muitos anos.
Nos Estados Unidos, há total liberdade para
a criação de cursos, mas nenhum formando
recebe o diploma sem passar pelo crivo de uma apreciação
externa. No Brasil, o Provão começou
conturbado. Os estudantes se recusavam a fazer o exame
e contavam com a cumplicidade das universidades. Em
algumas faculdades, apenas 12% dos alunos que deveriam
estar respondendo ao questionário cumpriram
seu papel. Esse porcentual hoje é de 94%. Alunos
e universidades parecem ter entendido a lição
do Provão. Hoje, os estudantes podem escolher
o melhor ensino, e no futuro as empresas irão
selecionar as melhores escolas para buscar empregados.
Um avanço incalculável.