Esses vão se dar bem
O momento é fabuloso para quem
escolheu cursar a faculdade de engenharia de telecomunicações
André Santoro
Selmy Yassuda
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Engenharia da UFF: por enquanto,
não
falta emprego |
Sair da faculdade com emprego garantido
é um sonho distante para muitos estudantes,
não para os engenheiros de telecomunicações.
Pelo menos neste momento de transformações
no setor, esses jovens estão com o futuro garantido.
Desde a quebra do monopólio estatal, marcado
pelo fim do sistema Telebrás, em 1998, as empresas
de telecomunicações têm avançado
com voracidade sobre os novos talentos que saem das
faculdades. A estratégia se assemelha às
utilizadas pelas companhias estrangeiras em relação
aos formandos de grandes centros americanos como a
Universidade Harvard ou o Instituto de Tecnologia
de Massachusetts (MIT). Um mês antes da formatura,
as empresas do setor pedem as listas dos alunos que
estão prestes a se formar. Ninguém fica
na mão. Só neste ano, apenas cinco grandes
empresas de telefonia – Embratel, Intelig, ATL, Telefônica
Celular e Vésper – estão abrindo vaga
para mais 5.000 funcionários.
Nos últimos anos, a infra-estrutura em telecomunicações
tornou-se tão importante para um país
quanto a construção de estradas, empresas
e aeroportos. O Brasil já assimilou essa filosofia.
Em 2005, a previsão é de que o número
de celulares ultrapasse a barreira dos 58 milhões
de aparelhos, quase quatro vezes o número atual.
Na telefonia fixa, a quantidade de linhas deve dobrar.
As operadoras de televisão por assinatura também
entram na estatística: a porcentagem de assinantes
deverá quintuplicar até 2005. Só
nos primeiros seis meses do ano passado houve 26 operações
de fusão e aquisição envolvendo
empresas de telecomunicações no Brasil,
segundo pesquisa feita pela consultoria KPMG. Em breve,
essa febre vai aumentar. A partir de 2002 o setor
de telecomunicações será totalmente
liberado à concorrência, como ocorreu
nos Estados Unidos em 1996 e na Europa no ano passado.
Estima-se que 64 bilhões de dólares
serão despejados até 2006. Com tantos
investimentos, as empresas vão precisar de
ainda mais mão-de-obra.
A ebulição da economia nessa área
vem elevando os salários dos profissionais
de telecomunicações. Nos últimos
meses, as remunerações cresceram em
média 30%. De acordo com levantamento feito
pela consultoria Foco Recursos Humanos, essa é
a carreira que melhor remunera os profissionais iniciantes.
Um engenheiro de telecomunicações recém-formado
já sai ganhando algo em torno de 2.000
reais – bem mais do que recebe, em média, um
advogado que acaba de deixar a faculdade (veja
quadro). Detalhe: boa parte dos profissionais
iniciantes consegue dobrar o salário em apenas
dois ou três anos. Os que se destacam podem
alcançar postos de gerência antes mesmo
dos 30 anos, e é normal uma remuneração
acima dos 15.000 reais.
Leonardo Beltrão, ex-aluno do curso de engenharia
em telecomunicações da Universidade
Federal Fluminense (UFF), no Rio de Janeiro, foi contratado
dias após ter deixado a universidade. Agora
ele compõe a equipe de engenheiros da Telefônica.
Ganha 2.000 reais por mês.
"Quando me matriculei no curso não havia muita
perspectiva de emprego. Até os professores
costumavam desestimular quem estava começando",
diz ele.
A preocupação com a escolha da carreira
ocorre quase sempre às vésperas do vestibular.
Raros são os jovens que se preocupam em discutir
o assunto com alguma antecedência. É
por esse motivo que quase metade das pessoas que entram
na faculdade desiste no meio do caminho. Existem apenas
nove universidades reconhecidas pelo Ministério
da Educação que preparam alunos para
atuar no setor. Ou seja, as escolas superiores ainda
dão ao curso de engenharia de telecomunicações
o tratamento que o segmento merecia no Brasil da Telebrás,
quando as pessoas não tinham telefone e, portanto,
não havia necessidade de muita mão-de-obra.
Além disso, os próprios estudantes ainda
não acordaram totalmente para as oportunidades
da carreira. No Instituto Militar de Engenharia, no
Rio de Janeiro, o vestibular para engenharia de telecomunicações
costuma atingir cinqüenta candidatos por vaga.
Essa é uma procura apenas razoável para
uma carreira que paga tão bem. O curso de fisioterapia
da Universidade de São Paulo, por exemplo,
tem quase o dobro de candidatos.
Bia Parreiras

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A explosão de determinados setores da economia
obedece a ciclos históricos. Até a década
de 70, as carreiras mais procuradas eram medicina,
direito e engenharia. Recentemente houve a explosão
da odontologia e da informática. A própria
engenharia passou por muitas fases. Primeiro predominou
a engenharia civil, que esteve no auge durante o ciclo
da urbanização, a partir dos anos 30.
Depois, a engenharia elétrica e a mecânica,
que viveram momentos de expansão durante a
industrialização, a partir dos anos
50. Agora é a vez das telecomunicações.
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