Ponto de vista

Esta semana
Sumário
Brasil
Internacional
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos

Colunas
Diogo Mainardi
Claudio de Moura Castro
Sérgio Abranches
Roberto Pompeu de Toledo

Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote
Veja essa
Arc
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Cotações
Para usar
VEJA Recomenda
Os mais vendidos

Arquivos VEJA
Para pesquisar nos arquivos da revista, digite uma ou mais palavras

Busca detalhada
Arquivo 1997-2000
Busca somente texto 96|97|98|99
Os mais vendidos
 

Claudio de Moura Castro é economista (claudiomc@attglobal.net)

De péssima a medíocre

"O problema da educação brasileira não
foi resolvido,
mas começou um processo
que se vem
revelando firme e contínuo"

Ilustração Ale Setti


No ensino fundamental está o cerne de tudo o mais que sai errado em nossa educação. Logo nos primeiros anos havia um entupimento, bloqueando o avanço e limitando o aprendizado. Mas, na década passada, deu-se uma grande revolução: de catastrófica (para um país com o nosso desenvolvimento), a educação passou a medíocre.

O problema não foi resolvido, mas começou um processo que se vem revelando firme e contínuo. As graduações no 1º grau passaram de 1 milhão em 1990 para 2,5 milhões no final de 1998. E já encurta o período necessário para chegar ao fim desse ciclo.

O crescimento seria uma vitória de Pirro se obtido à custa da qualidade, como se deu com a expansão anterior do 1º grau. Mas os testes do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb/Inep) mostram que não aconteceu nada parecido. Pelo contrário, com altos e baixos, a qualidade se agüenta. As boas idéias se esparramam, e o MEC passou a ajudar nesse processo.

Porém, para que continue avançando, é preciso entender a dinâmica do processo de reforma. O salto inicial resultou da decisão de lidar com problemas concretos e fáceis: construir, contratar, comprar livros, acertar os erros óbvios e visíveis a olho nu. Essas medidas agradam a todos, sejam sindicatos, políticos, pais ou empresas.

Mas o problema é que estamos chegando ao limite do conserto fácil. Em muitas escolas já estamos entrando na fase em que tudo vai ficando mais difícil. É necessário melhorar a administração, aprender a prestar contas, aumentar o controle local e a eficiência e, o mais difícil, mudar comportamentos. Acima de tudo, é preciso aprender a lidar com a multidão de alunos mais pobres hoje matriculados em todos os níveis do fundamental.

Se comprar mais livros é indolor, substituir professores incompetentes ou displicentes é penoso. Descobrir quem são os melhores para louvar e premiar é pecado mortal na cartilha ideológica de alguns. Poucos ousam tirar o privilégio dos políticos para usar nomeações como moeda de troca. E bulir no vespeiro da formação de professores?

Mas, em uma instituição cheia de vícios e problemas, somente arrostando as forças vivas da sociedade é possível transpor os umbrais de uma educação medíocre e conseguir boa qualidade. Porém, que razões teriam políticos e administradores para pagar os custos políticos de uma reforma? À primeira vista, nenhuma. A lógica dita que as reformas não deveriam acontecer, já que os responsáveis por elas têm tudo a perder e pouco a ganhar, pelo menos no horizonte de seu mandato.

Mas as reformas acontecem, mesmo neste nosso Brasil. Não fora isso, permaneceríamos travados. Vivemos um momento único e precioso. Hoje, a educação entrou na agenda política e na primeira página dos jornais justamente porque entrou na agenda do brasileiro comum. Com a modernização econômica e a globalização, sem o 1º grau não há emprego estável e sem o 2º não há emprego razoável.

Os radares dos políticos e administradores detectaram que educação pode dar voto. Agora existem prêmios. Atenuam-se os medos de tomar medidas que pisam nos calos alheios e aumentam os temores de ser punido por não fazer nada. E, sem pisar em muitos calos, não se reforma – mexer no fácil não é reforma.

O que falta, então, para que alguém se atreva a enfrentar os sustos e as assombrações de uma reforma? Faltam lideranças, pessoas que vejam mais longe e apostem no futuro. Na década passada, os ventos da reforma vieram do Paraná, de São Paulo e, sobretudo, das Minas Gerais. Onde estarão na presente década? A Bahia e o Ceará parecem apostas interessantes. Dão-se hoje muitos pequenos passos por todos os cantos e, somados, eles trazem avanços sérios. Há um dramático aumento na qualidade dos secretários de Educação. Mas, sem os grandes saltos, ficaremos aquém do necessário. Estadistas ou camicases, precisamos de secretários que ousem mais e de eleitores que não se contentem com menos.

 
Copyright 2000
Editora Abril S.A.
  VEJA on-line | Veja São Paulo | Veja Rio | Veja Recife | Guias Regionais
Edições Especiais | Especiais on-line
Arquivos | Downloads | Próxima VEJA | Fale conosco
 
 
voltar



VEJA on-line | VEJA Educação
copyright © 2001 - Editora Abril S.A. - todos os direitos reservados