Guia Filhos

Esta semana

Sumário
Brasil
Internacional
Geral
Economia e Negócios
Guia
A importância da etiqueta para crianças
E-mails anônimos podem ser identificados
Consultoria ensina a avaliar sua posição no mercado
O Prozac em dose semanal
O que estou lendo
Artes e Espetáculos


Colunas
Diogo Mainardi
Luiz Felipe de Alencastro
Sérgio Abranches
Roberto Pompeu de Toledo

Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote
Veja essa
Arc
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Para usar
VEJA Recomenda
Os mais vendidos

Arquivos VEJA
Para pesquisar nos arquivos da revista, digite uma ou mais palavras

Busca detalhada
Arquivo 1997-2000
Busca somente texto 96|97|98|99
Os mais vendidos
 

Saúde dez, educação zero

Livros e cursos procuram reabilitar a
importância
da etiqueta para crianças

Fernanda Colavitti

Ilustração Attílio

Numa era em que a etiqueta é cada vez mais considerada como firula de grã-fino e os garotos mal-educados (mas divertidos) do desenho americano South Park foram elevados à categoria de super-heróis da criançada, cultivar bons modos virou um pesadelo para pais, mães e professores. Não se está falando aqui de coisa muito refinada, como esgrimir garfo e faca com eficiência na hora de desossar uma escorregadia codorna. Fala-se do ritual simples do "por favor", "obrigado" e "até logo", palavrinhas em desuso no vocabulário mirim. Aflições desse tipo levaram uma das mais respeitadas consultoras em etiqueta para empresários e executivos, Suzana Doblinski, a descobrir um novo filão de trabalho. Fundadora de um instituto que leva seu nome e atende à demanda de cursos e palestras em corporações, ela está lançando o livro Não Fale de Boca Cheia, em parceria com Albertina Costa Ruiz, pela Editora Mundo Cristão.

O título resume bem aquele que talvez seja um dos preceitos mais elementares repetidos pelos adultos para a garotada. Verificando o comportamento de seus filhos com um olhar pelo menos um pouquinho crítico, você mesmo pode atestar que esse é um mercado promissor. Nas prateleiras das livrarias há outros volumes dedicados exclusivamente ao assunto, como Etiqueta na Prática para Crianças, da consultora Célia Ribeiro; Modos e Maneiras, da psicóloga Beatriz Monteiro da Cunha; e E o que Eu Faço com Essa Tal de "Boas Maneiras"?, da psicopedagoga Ana Maria Santana Martins. Até mesmo a nova versão do celebrado O Livro Completo de Etiqueta de Amy Vanderbilt, lançado no final do ano passado no Brasil e considerado a bíblia americana no setor, inclui alguns tópicos sobre o comportamento da garotada. Esse crescente interesse pela etiqueta infantil tem explicação. De acordo com a educadora Tania Zagury, autora de Limites sem Trauma, na lista dos mais vendidos de VEJA, a falta de tempo é um dos possíveis responsáveis pela procura de complementos à educação dos filhos. "Hoje em dia os pais têm menos contato com as crianças, por causa da correria diária. Antigamente, quando as mães ficavam em casa, elas mesmas ensinavam boas maneiras aos filhos, o que tem ficado difícil com a maior parte delas no mercado de trabalho", avalia. "As crianças estão se tornando mal-educadas por falta de tempo dos pais", comprova a professora Rosália Alvim Saraiva, mestre em educação pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio Grande do Sul.

 
Marcos Issa/Argos

"Não são poucos os executivos que deixam muito a desejar no quesito das boas maneiras. Ensinar etiqueta para crianças é um meio de prepará-las para o futuro profissional. A educação é fator importante na hora de fechar um negócio."
Suzana Doblinski, uma das autoras de Não Fale de Boca Cheia

Atentas à tendência, algumas escolas particulares passaram a se preocupar com os bons modos dos alunos. Em São Paulo, os colégios Porto Seguro, Pueri Domus, Mackenzie, Pentágono e Stocco (este em Santo André, cidade do ABC paulista) desenvolvem projetos sobre o assunto com crianças da 1ª à 4ª série. Em Porto Alegre, há a experiência da escola Nossa Senhora do Bom Conselho, que procura reforçar o tema nas classes do ensino fundamental. O Instituto Doblinski começou a oferecer orientação para a garotada a pedido dos próprios empresários que acompanhavam seus cursos regulares – cerca de 500 crianças e adolescentes já tiveram aulas. Outra iniciativa é do hotel Maksoud Plaza, também em São Paulo, sob a coordenação da professora Ligia Marques.

De maneira geral, nesses livros e cursos os ensinamentos não estão restritos ao manuseio correto dos talheres, às formas polidas de tratamento ou a como se comportar na festinha do amigo, embora esses temas também sejam abordados. As lições vão além e dão bastante ênfase às noções de relacionamento, à socialização e até aos hábitos de higiene das crianças. O objetivo é resgatar algumas atitudes valiosas de convivência que estão sendo esquecidas. "Muitas crianças não são mais capazes de pedir licença ou desculpas", observa a educadora Rosália Saraiva, de Porto Alegre. Nessa categoria de atitudes civilizadas entram orientações sobre a importância da pontualidade, de respeitar filas, não fazer barulho em lugares que exigem silêncio, como cinema, teatro e biblioteca, organizar a bagunça em casa e conviver de maneira amistosa com irmãos, professores e amigos. Sinal dos tempos, estão incluídas regras importantes sobre segurança, como não fornecer endereço, número de telefone ou localização da escola ao conhecer pessoas pela internet. Ou ainda não se aproximar de desconhecidos na rua e não reagir a assalto. A consultora Célia Ribeiro explica que, para aprender realmente a se comportar de maneira adequada, a garotada tem de ser estimulada pelos pais, que devem dar o exemplo em casa e mostrar a utilidade prática daquilo. "Não adianta a criança aprender que não é educado gritar ou falar palavrões se quando chega em casa é exatamente o que vê os pais fazerem", explica.

 

Saiba mais
Rádio VEJA - entrevista com a educadora Tânia Zagury

 

 


 

 
 
voltar



VEJA on-line | VEJA Educação
copyright © 2001 - Editora Abril S.A. - todos os direitos reservados