
Campeões
do Provão
Perfis
dos primeirões no "Provão" do
Ministério da Educação mostram
como a
escola ajuda a subir na vida, confirmam
a qualidade da universidade pública e
revelam coisas surpreendentes sobre
o universitário brasileiro
Monica
Weinberg
Num
levantamento com os estudantes universitários
que prestaram o Exame Nacional de Cursos, o chamado
Provão, no fim do ano passado, o Ministério
da Educação descobriu uma série
de coisas que contrariam o senso comum. Algumas delas:
Estudantes mais pobres de universidades públicas
têm melhor desempenho que os alunos mais ricos
de escolas particulares.
Ao contrário do que se pensa, os estudantes mais
ricos não estão tirando vagas de alunos
pobres nas universidades mantidas pelo poder público.
Esses universitários mais abonados em geral freqüentam
escolas privadas.
A maior parte dos estudantes universitários brasileiros
é composta de pessoas cujos pais não freqüentaram
cursos superiores.
Em torno de 70% dos estudantes vêm de lares em
que a renda familiar é de até 3.000
reais.
Metade dos universitários completou o ensino
médio em escola pública.
Quase 50% dos alunos trabalham pelo menos vinte horas
por semana.
Ana Araújo
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CAUÊ PERES, 23 ANOS
- ENGENHARIA ELÉTRICA, UNIVERSIDADE
FEDERAL
DE UBERLÂNDIA
Cauê
é um colecionador de vitórias nos
bancos escolares. Antes de alcançar o topo
do Provão, já tinha experimentado
a fama no curso colegial, ao passar no vestibular
do Instituto Tecnológico de Aeronáutica,
um dos mais difíceis do país. A
escola mandou até espalhar cartazes propagandeando
o feito em Uberlândia, onde morava com os
pais. Capoeirista, fez o curso fundamental e o
2º grau em escolas particulares e tornou-se
espartanamente disciplinado na hora de estudar.
Suas provas na faculdade muitas vezes foram usadas
como gabarito pelos professores, na hora de corrigir
os exames de outros alunos. Antes dos testes,
os colegas costumavam brincar pedindo inspiração
a "São Cauê". Passou um ano na Alemanha,
estudando, e fala bem a língua daquele
país, além do inglês. Já
iniciou o mestrado na Universidade de São
Paulo e espera fazer doutorado no exterior. Acompanha
o noticiário pelos jornais todos os dias.
Durante a faculdade, fazia questão de ler
pelo menos cinco livros não didáticos
por ano. "Estou longe de ser um franciscano que
só faz estudar", diz.
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As
conclusões resultam das respostas de 250.000
estudantes que concluíram a universidade no ano
passado. Como se sabe, o Provão tem o objetivo
de avaliar os cursos superiores a partir da nota que
os formandos das faculdades conseguem obter num exame
nacional. As escolas recebem conceitos de A até
E. Os universitários, por seu lado, ganham uma
nota a mais para incluir em seu currículo na
hora de tentar uma vaga no mercado de trabalho.
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Liane Neves

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PAULA SANDRINE MACHADO,
21 ANOS - PSICOLOGIA,
UNIVERSIDADE FEDERAL
DO RIO GRANDE DO SUL
Paula
mal saiu da universidade e prestou concurso para
fazer residência na rede estadual de saúde. Passou
com facilidade. Há dois meses ela deixa diariamente
o apartamento de classe média no centro de Porto
Alegre, que divide com o pai, militar aposentado,
para cumprir expediente em dois postos de saúde
da periferia. O bom desempenho no Provão é apenas
conseqüência de um currículo impecável desde o
ensino fundamental. Mas diz que nunca trocou um
passeio pelos livros, exceto em véspera de prova.
Paula fez escola pública até a 5ª série e mudou
para uma instituição particular porque o pai já
não agüentava mais as greves de professores. Aos
16 anos, a menina já estava na faculdade. Já fez
poesias, depois capoeira. Agora se entusiasma
com a possibilidade de seguir a carreira acadêmica.
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Pela
primeira vez na história do Provão, o
Ministério da Educação decidiu
divulgar também a lista dos primeiros colocados
nos dezoito cursos avaliados. Assim, podem-se comparar
as experiências de cada um e verificar as características
que fazem desses os melhores, os que levam grande vantagem
ao sair da escola e se candidatar a um emprego. Foram
vinte os primeirões do Provão, porque
houve empate nos cursos de física e economia.
Na semana passada, VEJA teve acesso à lista dos
dezoito estudantes mais bem colocados no exame, que
concordaram em ter o nome divulgado. Dez podem ser conhecidos
nos quadros ao longo desta reportagem, entre eles o
campeão de todos, dono da maior nota, Cauê
Peres, que concluiu a graduação em engenharia
elétrica na Universidade Federal de Uberlândia,
no Triângulo Mineiro. Das entrevistas com esses
dezoito bons alunos, é possível entender
algumas razões de seu desempenho.
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MARILAINE FLORIANO CORRÊA,
25 ANOS - ODONTOLOGIA,
UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA
Em Paraisópolis, uma pequena cidade do
sul de Minas Gerais, Marilaine foi criada para
ser dona-de-casa. Rebelou-se, quis estudar e hoje
é a única do antigo grupo de amigas
que ainda não se casou. Seus pais não
foram além do ensino primário. Ela
fez o fundamental e o 2º grau em escolas
públicas e chegou a entrar numa faculdade
particular, mas não pôde pagar. Já
está trabalhando como dentista em São
Paulo, em parte graças à nota 83,8
no Provão. Recém-formada, saiu procurando
emprego em endereços pinçados na
lista telefônica. "Meu resultado no exame
e meu currículo facilitaram as coisas",
conta. Com gosto pela leitura, devorou doze livros
neste ano. Durante o curso, leu 75. Ganhando por
comissão, espera, ansiosa, o dia em que
completará um mês de trabalho. Estima
que vai ganhar 1.200
reais.
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Antonio Milena
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A
primeira é tão óbvia quanto incomum
no comportamento de muitos estudantes. Todos eles levaram
as aulas a sério. Nesse grupo de elite, houve
os que passaram os últimos anos apenas estudando
e os que trabalharam paralelamente à realização
de seus cursos. É fato que os primeiros levaram
vantagem, mas deve-se observar também que o trabalho
não impediu o bom desempenho dos outros. A baixa
renda familiar é um obstáculo difícil
para quem opta pelos cursos que exigem mais tempo e
adotam materiais caros, mesmo numa universidade pública,
mas não chega a ser intransponível. A
recém-formada dentista Marilaine Floriano Corrêa,
de 25 anos, vem de uma família com renda até
1.500 reais. Quando passou
no primeiro vestibular para odontologia, numa escola
particular, não teve dinheiro para seguir adiante.
Pagou um cursinho trabalhando como auxiliar de dentista
e, no ano seguinte, conseguiu a vaga numa instituição
pública. "Sempre dediquei pelo menos duas horas
diárias ao estudo, além do período
das aulas", ela conta.
Eugenio Savio
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LINO SILVA NETO, 23 ANOS
- CIÊNCIAS
BIOLÓGICAS, UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS
GERAIS
O currículo de Lino, mineiro de Governador
Valadares, é irretocável. É
estudioso, não bebe, não fuma e
empresta a voz ao coral da igreja. Sua maior ousadia
é gostar de montanha-russa. Ele nem se
surpreendeu com o notável primeiro lugar
entre todos os estudantes de Ciências Biológicas
no país. "Sempre fui muito aplicado mesmo",
diz. Durante o curso, estudava religiosamente
todos os dias, não perdia nenhuma aula
e era bolsista de iniciação científica.
Agora ingressou no mestrado em genética
e, no futuro próximo, espera completar
a parte experimental do projeto no Instituto Pasteur,
em Paris.
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Outros
quatro entre esses dezoito têm a mesma situação
econômica de Marilaine, e um, o engenheiro químico
Amós Luciano Carneiro, 25 anos, vem de uma família
com renda mensal abaixo dos 500 reais. Amós pagou
um curso de inglês e um computador a prestação
com 200 reais por mês que ganhou como bolsista
de pesquisa. Assim, muniu-se de dois itens que parecem
essenciais para o alto desempenho na universidade. Nesse
grupo de dezoito, só dois não falam nem
escrevem em inglês. E quinze têm computador
em casa. Apenas um diz que não o usa freqüentemente.
A maior parte deles também lê jornal diariamente
e dedica algum tempo a ler livros que não têm
relação com sua área de estudos.
Claudio Rossi
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DÉBORA LÚCIA
BERNAL DA COSTA SEGURO, 23 ANOS MEDICINA,
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
Débora protagoniza um caso muito comum
entre os estudantes de medicina. O pai e o irmão
mais velho são médicos. Os dois
irmãos mais novos estão estudando
para seguir a mesma carreira. A família
está no topo da faixa de renda na classificação
da pesquisa feita pelo MEC entre os estudantes
que se submeteram ao Provão, acima dos
7.550 reais. Ela
tem computador e o usa com freqüência,
estudou num tradicional colégio católico
de São Paulo e fala inglês fluentemente.
Foi a terceira colocada quando prestou vestibular.
Durante o curso, só pegava os livros fora
do horário das aulas nos fins de semana.
Gostou muito dos últimos dois anos de estudo,
nos quais teve contato com pacientes no hospital.
Agora, enquanto faz a residência médica,
prepara os planos de uma viagem pelo mundo. Mas
não vai a passeio. "Quero conhecer a rotina
de hospitais de outros países", diz.
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Combinados
com as respostas dos 250.000
pesquisados durante o Provão, esses resultados
dizem muito sobre o papel do ensino superior nos dias
de hoje. Primeiro, confirma-se que a universidade está
cada vez mais aberta e democrática, elevando
a maioria dos estudantes a um degrau superior na escada
social. Egressos de famílias em que os pais não
tiveram a oportunidade de cursar a faculdade, esses
jovens podem obter empregos mais qualificados.
Claudio Rossi
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CAMILA DE FREITAS SOUZA
CAMPOS,
21 ANOS ECONOMIA, UNIVERSIDADE
DE SÃO PAULO
O estudo chegou a ser uma obsessão na vida
de Camila. Não foi por acaso que ela acabou
no topo da lista dos alunos de economia, empatada
com o carioca Alexandre Lowenkron, 22 anos, da
Pontifícia Universidade Católica
do Rio de Janeiro, um dos dois primeirões
egressos de faculdade particular. "Vivo para isso",
diz a moça, que fez dois anos de cursinho
paralelamente ao 2º e ao 3º ano do colegial.
Seu dia se divide entre a leitura de jornais,
hábito que alimenta desde os 13 anos, três
horas de estudo e visitas à biblioteca
da USP, onde hoje cursa o mestrado. Sai pouco
e nunca viajou para o exterior. Pretende carimbar
o passaporte apenas quando for fazer doutorado.
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Há
duas regras gerais sobre o ensino público. Uma
reza que as escolas públicas são melhores
que as particulares. Outra diz que os ricos é
que se beneficiam dessa qualidade. A primeira tese agora
tem o respaldo do Provão. Dos dezoito melhores,
dezesseis estavam em universidades públicas.
Já a segunda assertiva sai lanhada do levantamento.
Ou seja, o fato de ter acesso a ensino fundamental e
médio de qualidade nas melhores escolas particulares,
freqüentadas pelos mais ricos, não dá
um passe automático para o curso superior gratuito.
"Esses dados chamam a atenção para o papel
da boa educação na quebra do círculo
vicioso da pobreza", conclui Maria Helena Guimarães
de Castro, diretora do Instituto Nacional de Estudos
e Pesquisas Educacionais do MEC.
Eduardo Queiroga
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ALLYSSON VICENTE DINIZ,
22 ANOS - ENGENHARIA MECÂNICA,
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
Filho de um motorista e de uma professora primária,
Allysson deixou os limites de Coremas, cidade
encravada no sertão da Paraíba,
para tornar-se o melhor em sua área no
Provão. Fez o curso fundamental numa escola
pública e obteve bolsa para cursar o 2º
grau numa instituição privada. O
excelente currículo universitário
já lhe abriu caminho para um estágio
em uma empresa de transportes de Maceió.
Allysson tem moradia paga pela firma, ganha 450
reais por mês e envia dinheiro para os pais.
No futuro, quer trabalhar em uma grande companhia.
Diz que o afinco nos estudos o ajudou a vencer
as dificuldades econômicas. "Estudei até
três horas todo dia", conta.
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Mas
uma parte das constatações não
é otimista. Ainda há uma bem demarcada
divisão de território entre as carreiras
mais e menos disputadas. As que têm grande concorrência,
como medicina, tendem a ser ocupadas por estudantes
de famílias mais abonadas, que não trabalham
e vão para a escola em carro próprio.
Letras, química e matemática, com relação
mais amena entre vagas e candidatos, dão oportunidade
aos que têm dificuldades econômicas. Por
trás dessa diferença, há uma questão
prática. "Além de não terem dinheiro
e tempo para os cursos que exigem dedicação
integral, livros e equipamentos caros, muitos dos alunos
mais pobres querem se tornar professores porque podem
começar a dar aula antes de terminar a faculdade",
diz Graça Rua, doutora em Ciências Humanas
e professora da Universidade de Brasília.
Oscar Cabral
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MARCO AURÉLIO DE
SOUZA COUTO,
21 ANOS LETRAS, UNIVERSIDADE FEDERAL DO
RIO DE JANEIRO
Marco Aurélio lê tudo o que lhe cai
nas mãos: livros, revistas, jornais e,
às vésperas das provas, cadernos
e apostilas. Passa o dia estudando, afundado na
cama do alojamento da UFRJ, onde, depois do bacharelado,
cursa licenciatura. Vive com 240 reais mensais
do salário de bolsista do Conselho Nacional
de Pesquisa (CNPq) mais alguns trocados que consegue
dando aulas particulares. É o suficiente
para patrocinar a alimentação e
o cinema, seu programa favorito. Os pais de Marco
Aurélio jamais freqüentaram a universidade
e deram apoio integral quando ele decidiu tentar
o vestibular. "Meu desempenho é bom porque
sempre prestei muita atenção às
aulas", diz. Crítico, acha que seu curso
poderia ser mais voltado para o mercado de trabalho.
"Tenho colegas que não estão conseguindo
emprego."
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Os
números mostram também que a maioria dos
que conseguem chegar ao Provão vem de famílias
de classe média, é branca, jovem e nasceu
nos Estados mais desenvolvidos do país. Isso
acontece apesar da imensa abertura que se viu no ensino
superior nos últimos anos. Entre 1994 e 2000,
o número de matrículas nas universidades
aumentou 40%, alcançando 2,7 milhões.
As escolas particulares, com dois terços das
vagas, são as propulsoras desse processo. No
Estado de São Paulo inaugura-se uma faculdade
privada por semana. O ritmo é forte, mas ainda
vão para a universidade apenas 10% dos jovens
com idade para freqüentá-la.
Oscar Cabral
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JOÃO ANTONIO SARNO
BOMFIM, 22 ANOS QUÍMICA, UNIVERSIDADE
FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
Na universidade, o carioca João Antonio
foi diretor do centro acadêmico, monitor,
editor do jornal do curso de Química e
também o melhor aluno da classe. Gostou
tanto da faculdade que já ingressou no
mestrado e quer seguir a carreira acadêmica.
João Antonio é um estudante pouco
ortodoxo. Alterna a leitura de livros e horas
à frente do computador com intervalos para
tocar berimbau. Filho de economistas de classe
média, desenvolveu um método próprio
de estudos: absorve as fórmulas de química
embalado pela sinfonia da televisão e do
aparelho de som, ligados ao mesmo tempo. Ele achou
que seu curso foi dos mais puxados. "Nem é
difícil de entrar, na época do vestibular,
mas é complicado conseguir sair pela porta
da frente", diz.
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O
cenário leva a esperar que o desempenho dos alunos
no Provão respeite o ranking econômico
das regiões do país. Mas não. O
resultado subverte essa expectativa. No Nordeste, a
despeito dos baixos índices de progresso socioeconômico,
encontra-se uma distribuição equilibrada
dos conceitos A, B, C, D e E para as instituições
de ensino. Na Região Sudeste, a mais rica, predomina
o conceito C. Só o Sul exibe alguma coerência
com as condições de vida locais: a região
tem a menor incidência de D e E do país.
"Seria natural que a concentração de riqueza
e também de ótimas universidades desse
à região um desempenho melhor", diz Helena
Sampaio, consultora na área de ensino superior.
"O que explica essa distribuição de conceitos
é o fato de que a Região Sudeste é
aquela em que mais cresce a oferta de vagas no ensino
particular, cujas escolas, em geral, não se saem
tão bem na avaliação". Em torno
de 60% das instituições públicas
federais conseguiram A ou B no Provão. Nas estaduais,
cerca de 40% tiveram essas notas. Só 22% das
instituições privadas alcançaram
o mesmo desempenho.
DANIEL
CARNEIRO MACHADO, 23 ANOS
DIREITO,
UNIVERSIDADE FEDERAL
DE MINAS GERAIS
Daniel sempre ralou nos estudos para estar entre
os melhores da turma. Tem orgulho de nunca ter
tirado uma nota vermelha em toda sua vida estudantil.
Foi reprovado, no entanto, no primeiro vestibular
que prestou. No ano seginte, passou em 15º
lugar na Federal. Vindo de uma família
de classe média, ele não fala inglês,
lê pouco e não tem computador. Seu
grande trunfo é ostentar tão cedo
no currículo uma ampla experiência
no mercado de trabalho. Daniel começou
a estagiar bem no início da faculdade,
no Ministério Público Federal, em
Belo Horizonte, e depois ingressou em um escritório
de advocacia. Seus antigos chefes já o
convidaram para tornar-se sócio da firma.
"O Provão premiou minha dedicação
ao estudo", diz. "Esse convite me recompensa por
ter levado o trabalho a sério."
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Eugenio Savio
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Com
reportagem de
Beto Gomes, Diogo Schelp,
Leonardo Coutinho e Nahara Bauchwitz
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