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Som bem cedo

Como escolher o instrumento
mais adequado
para seu filho

Maurício Oliveira

Alexandre Marchetti

Aula de piano: dos 3 aos 6 anos, a idade é boa para começar a discernir as notas musicais


Crianças ou adolescentes não recisam demonstrar previamente talento para ser conduzidos ao aprendizado musical. O que realmente desperta a vocação é o contato com os instrumentos, na avaliação de educadores especializados e de muitos músicos de expressão, que estavam bem longe de ser um Mozart ou um Beethoven quando começaram a experimentar os primeiros acordes sonoros. No Brasil, onde o ensino de música há muito foi banido dos currículos escolares, a responsabilidade de apresentar esse universo à garotada cabe essencialmente aos pais. Motivos ara fazê-lo não faltam. Os psicólogos dizem que a iniciação musical é uma fonte e prazer e de socialização. Desperta a sensibilidade, aumenta a auto-estima e impõe disciplina. E, ainda por cima, pode dar origem a uma profissão. O campo para quem segue carreira se expandiu nos últimos anos – pode-se trabalhar em cinema, teatro ou televisão, compor jingles, trilhas sonoras, acompanhar cantores ou integrar uma das trinta orquestras espalhadas pelo país.

As motivações originais são as mais variadas. O carioca Pedro Luís Squifo, de 12 anos, por exemplo, interessou-se pelo cavaquinho porque pensava em montar uma banda de pagode com os amigos da rua. Mas ficou encantado ao descobrir os clássicos compostos para o instrumento, como Brasileirinho e Delicado. "Minha mãe chorou quando me apresentei pela primeira vez na escola", conta Pedro. Os pais e os dois irmãos de Carolina Doering, 10 anos, são pianistas. Ela, no entanto, escolheu o saxofone. Freqüenta aulas há sete meses e já é capaz de tocar cinco músicas completas – entre elas Yesterday, dos Beatles. O motivo da rebeldia familiar? "É simples", Carolina brinca. "O sax é muito mais fácil de carregar do que o piano."

Existem boas oportunidades de aprendizado para as diferentes faixas etárias. A maioria das universidades federais oferece cursos de música para crianças a preços acessíveis, e a disputa pelas vagas não costuma ser grande. "São raros os pais que vêem a música como um componente importante da formação pessoal", lamenta a presidente da Associação Brasileira de Educação Musical, Vanda Bellard. Na Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), por exemplo, as sessenta vagas oferecidas anualmente atraem não mais que 130 candidatos. A escolha se dá por sorteio. Destinado a crianças a partir de 6 anos de idade, o curso de musicalização infantil custa apenas 100 reais por semestre. São três anos de aulas. O primeiro é voltado à alfabetização musical, o segundo ao canto coral e o terceiro à prática de instrumentos em conjunto. "É a base que a criança precisa para escolher o instrumento no qual se especializará dali em diante", afirma a coordenadora Patrícia Bretas. Para quem decide seguir nos estudos, há mais de vinte alternativas – da harpa ao cavaquinho.

Até os anos 60, a música integrava o currículo escolar, mas acabou englobada pela genérica "educação artística", que se propunha a oferecer noções de várias manifestações culturais. A maioria dos professores passou a dar preferência às artes plásticas. Hoje, o grande empecilho para o retorno da velha disciplina é a falta de mão-de-obra preparada, após três décadas de vácuo na formação dos professores. O mais importante para que as crianças se interessem por instrumentos é crescer em meio a uma atmosfera de devoção à boa música. Dos 3 aos 6 anos, elas aprendem a discernir as notas e demonstram maior empatia com determinado tipo de som – percussão, cordas ou sopro. Também é fundamental ter o instrumento em casa, para que a criança possa praticá-lo todos os dias – sem exageros. "No máximo uma hora, porque senão ela fica enjoada e desiste", aconselha o flautista Altamiro Carrilho. O contato com o professor deve acontecer pelo menos duas vezes por semana. No caso de aulas particulares, isso representa um gasto de, no mínimo, 250 reais por mês, o que só valerá a pena se a criança se dedicar de fato. "O mito do gênio com inspiração divina está ultrapassado", diz o saxofonista Leo Gandelman. "Quem tem força de vontade certamente será um bom instrumentista."

 
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Fotos Arthur Cavalieri, Alexandre Sassaki, Cristina Granato e divulgação


 

 


 
 
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