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Conta milagrosa
As universidades brasileiras
cobram
menos do que as americanas mas
ganham muito mais
Maurício Lima
Antonio Milena
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Anhembi Morumbi: um professor para cada turma de 28 alunos
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O ensino superior brasileiro está sendo submetido a uma torção.
As universidades públicas ocupam uma fatia cada vez menor e as escolas
privadas crescem em velocidade espantosa. Em 1980, havia apenas
vinte universidades particulares em funcionamento. Dez anos depois,
eram quarenta. Até o final do ano, serão oitenta. As instituições
particulares já respondem por 65% de todas as matrículas, e a tendência
é de que esse número cresça ainda mais. A presença da iniciativa
privada no setor universitário traz uma grande vantagem. Ela supre
a demanda de vagas a que o serviço público não atende e cumpre uma
função social da maior relevância. Em cidades distantes dos grandes
centros, onde os jovens não fariam curso superior por absoluta impossibilidade
de viajar, são elas que dão chance a quem quer tirar seu diploma.
O problema desse crescimento é que muitas faculdades têm sobrevivido
graças a uma fórmula aparentemente mágica: mensalidades baixas +
milhares de alunos = lucro.
Tome-se o exemplo da universidade Anhembi Morumbi, de São Paulo,
que retrata com fidelidade o ensino padrão das escolas privadas.
Ela cobra mensalidades de 270 dólares em média e consegue obter
um lucro anual superior a 1 milhão de dólares. O número chama mais
a atenção quando se verifica que, nos Estados Unidos, as mensalidades
são sete vezes maiores, mas as escolas dão prejuízo. É o caso do
Trinity College, em Hartford, Connecticut, que cobra 1 900 dólares
por mês. Ao final de cada ano, seu orçamento registra um rombo de
30 milhões de dólares, coberto com doações. Nos Estados Unidos,
as escolas gastam dinheiro pesado com a contratação de melhores
professores, além de manter uma estrutura de apoio invejável. O
Trinity College tem uma biblioteca de tirar o fôlego: 900.000 livros – quinze vezes
maior que a da Anhembi Morumbi. Já as escolas brasileiras preferem
oferecer os cursos da linha "cuspe e giz", de baixo custo,
em que o professor fala e escreve no quadro-negro e os alunos anotam.
Por essa razão, crescem.
Divulgação
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Trinity College: um professor para cada
dez alunos
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A Estácio de Sá, do Rio de Janeiro, tinha 16.000 alunos em 1996. Hoje, possui quase 30.000. A Universidade Paulista tinha 10.000 alunos em 1988. Hoje, são 38.000. É a segunda maior do Brasil, atrás apenas da Universidade
de São Paulo. Existem lugares onde o ensino privado é miúdo, como
na França e na Itália. Nos Estados Unidos, funcionam as fundações
sem fins lucrativos. Em geral, só dão certo escolas em que a educação
é mais importante do que o faturamento. Estão aí os exemplos das
PUCs, do Mackenzie, em São Paulo, e da Cândido Mendes, no Rio, para
comprovar.

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