Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 709 - 18 de julho de 2001
Ponto de vista

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Sumário
Brasil
Internacional
Geral
Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Claudio de Moura Castro
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote
Veja essa
Arc
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas

Para usar
VEJA Recomenda
Os mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Busca detalhada
Arquivo 1997-2001
Busca somente texto 96|97|98|99|00|01


Crie seu grupo




 

Claudio de Moura Castro

Na contramão
da História

"Aos cinqüenta anos, a Capes demonstra
a viabilidade de um serviço público
durável, dedicado, criativo e eficiente"


Ilustração Ale Setti

Além de seus importantes escritos, o educador Anísio Teixeira criou uma instituição, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), para cuidar da formação de professores do ensino superior. Esta senhora estável, trabalhadeira e respeitável faz cinqüenta anos em julho.

A data merece festejos, pois a Capes sempre trilhou na contramão dos caminhos de nosso serviço público. A Capes conseguiu ser séria e competente por meio século, em um país de cartórios e distribuição política de benesses públicas. Em períodos cuja memória sumiu, pode haver dado um ou outro mau passo. Mas faz décadas que amadureceu e não mais se deixou seduzir senão pelos méritos intelectuais de seus proponentes, dando bolsas para os melhores estudantes e apoio aos programas de pós-graduação que mais mereciam, muito diferente de nossas burocracias, que distribuíam seus recursos e favores por critérios ocultos e misteriosos. Os funcionários sempre vestiram a camisa da Capes com idealismo e dedicação, qualquer que fosse seu nível ou salário. Sua capacidade de operar grandes programas com poucos funcionários (só gastava 5% de seu orçamento em pessoal) contrasta com nossa burocracia frondosa. E o círculo virtuoso de sua seriedade evitou que ela fosse objeto de cobiça de políticos e dirigentes trêfegos ou oportunistas.

Mas a maior inovação veio de Darcy Closs, que, em meados dos anos 70, criou discretamente um sistema de avaliação dos cursos de pós-graduação, com o objetivo inicial de dar cotas de bolsas aos melhores programas nacionais, em vez de julgar, caso a caso, os candidatos. Progressivamente, esse sistema amadurece, adquire solidez, procedimentos bem definidos e transparência. Em meados dos anos 80, as notas passam a ser públicas. O acoplamento do sistema de avaliação à distribuição de cotas de bolsas para os programas fecha o círculo. Quem mostra competência na avaliação é premiado com mais bolsas. Não há no mundo, rico ou pobre, um sistema tão completo e sistemático de avaliação/premiação da pós-graduação. Aliás, que outro serviço público avalia e, em seguida, premia os melhores – já por um quarto de século?

Junto com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Financiadora de Estudos e Projetos do Ministério da Ciência e Tecnologia (Finep), a Capes co-assina a criação e o fortalecimento da pós-graduação brasileira. Do que o país já fez em educação, os mestrados e doutorados são de longe nossa maior realização. Muitos atingem facilmente níveis internacionais, levando o país ao segundo lugar no Terceiro Mundo na produção de ciência – distanciando-nos da Argentina, que chegou a produzir três prêmios Nobel quando nossa ciência ainda engatinhava.

Mas, completando meio século, é hora também de dar um balanço, pois mesmo as senhoras mais virtuosas precisam ajustar-se aos novos tempos. A Capes não deixou de sofrer com alguns dos maus momentos passados por nosso serviço público e, por um tempo, parou de andar à frente da pós-graduação. As mudanças e inovações tardaram. As regras da pós-graduação ficaram rígidas demais e passaram a sofrer o peso dos grupos de interesse e das corporações. Houve excessiva valorização dos diplomas e relutância em redirecionar os programas para o setor produtivo (os chamados mestrados profissionais). Não se cuidou da formação de professores para instituições menores ou privadas, para as quais os atuais mestrados e doutorados são excessivamente longos e dispendiosos. E, o que talvez seja mais inexplicável, não se degolaram os mestrados científicos quando amadureceram os programas de doutorado, como era previsto – e como sucede nos Estados Unidos, de onde copiamos o modelo. Isso nos leva a uma pós-graduação demasiadamente longa.

Tudo isso são as correções de curso requeridas pelo êxito da pós-graduação, cujo amadurecimento teve em todos os momentos a mão da Capes. Mas a hora é de festa. É preciso comemorar o aniversário desta senhora tão guapa, saudável e séria, cuja biografia demonstra a viabilidade de um serviço público durável, dedicado, criativo e eficiente.

Claudio de Moura Castro é economista e ex-diretor da Capes (claudiomc@attglobal.net)

 
   
   
  voltar
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS  
 
 
voltar



VEJA on-line | VEJA Educação
copyright © 2001 - Editora Abril S.A. - todos os direitos reservados