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Além de seus importantes escritos, o educador Anísio Teixeira criou uma instituição, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), para cuidar da formação de professores do ensino superior. Esta senhora estável, trabalhadeira e respeitável faz cinqüenta anos em julho. A data merece festejos, pois a Capes sempre trilhou na contramão dos caminhos de nosso serviço público. A Capes conseguiu ser séria e competente por meio século, em um país de cartórios e distribuição política de benesses públicas. Em períodos cuja memória sumiu, pode haver dado um ou outro mau passo. Mas faz décadas que amadureceu e não mais se deixou seduzir senão pelos méritos intelectuais de seus proponentes, dando bolsas para os melhores estudantes e apoio aos programas de pós-graduação que mais mereciam, muito diferente de nossas burocracias, que distribuíam seus recursos e favores por critérios ocultos e misteriosos. Os funcionários sempre vestiram a camisa da Capes com idealismo e dedicação, qualquer que fosse seu nível ou salário. Sua capacidade de operar grandes programas com poucos funcionários (só gastava 5% de seu orçamento em pessoal) contrasta com nossa burocracia frondosa. E o círculo virtuoso de sua seriedade evitou que ela fosse objeto de cobiça de políticos e dirigentes trêfegos ou oportunistas. Mas a maior inovação veio de Darcy Closs, que, em meados dos anos 70, criou discretamente um sistema de avaliação dos cursos de pós-graduação, com o objetivo inicial de dar cotas de bolsas aos melhores programas nacionais, em vez de julgar, caso a caso, os candidatos. Progressivamente, esse sistema amadurece, adquire solidez, procedimentos bem definidos e transparência. Em meados dos anos 80, as notas passam a ser públicas. O acoplamento do sistema de avaliação à distribuição de cotas de bolsas para os programas fecha o círculo. Quem mostra competência na avaliação é premiado com mais bolsas. Não há no mundo, rico ou pobre, um sistema tão completo e sistemático de avaliação/premiação da pós-graduação. Aliás, que outro serviço público avalia e, em seguida, premia os melhores já por um quarto de século? Junto com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Financiadora de Estudos e Projetos do Ministério da Ciência e Tecnologia (Finep), a Capes co-assina a criação e o fortalecimento da pós-graduação brasileira. Do que o país já fez em educação, os mestrados e doutorados são de longe nossa maior realização. Muitos atingem facilmente níveis internacionais, levando o país ao segundo lugar no Terceiro Mundo na produção de ciência distanciando-nos da Argentina, que chegou a produzir três prêmios Nobel quando nossa ciência ainda engatinhava. Mas, completando meio século, é hora também de dar um balanço, pois mesmo as senhoras mais virtuosas precisam ajustar-se aos novos tempos. A Capes não deixou de sofrer com alguns dos maus momentos passados por nosso serviço público e, por um tempo, parou de andar à frente da pós-graduação. As mudanças e inovações tardaram. As regras da pós-graduação ficaram rígidas demais e passaram a sofrer o peso dos grupos de interesse e das corporações. Houve excessiva valorização dos diplomas e relutância em redirecionar os programas para o setor produtivo (os chamados mestrados profissionais). Não se cuidou da formação de professores para instituições menores ou privadas, para as quais os atuais mestrados e doutorados são excessivamente longos e dispendiosos. E, o que talvez seja mais inexplicável, não se degolaram os mestrados científicos quando amadureceram os programas de doutorado, como era previsto e como sucede nos Estados Unidos, de onde copiamos o modelo. Isso nos leva a uma pós-graduação demasiadamente longa. Tudo isso são as correções de curso requeridas pelo êxito da pós-graduação, cujo amadurecimento teve em todos os momentos a mão da Capes. Mas a hora é de festa. É preciso comemorar o aniversário desta senhora tão guapa, saudável e séria, cuja biografia demonstra a viabilidade de um serviço público durável, dedicado, criativo e eficiente. Claudio
de Moura Castro é economista e ex-diretor da Capes (claudiomc@attglobal.net)
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