NOTÍCIAS DIÁRIAS
 
Artes e Espetáculos Livros

Esta semana
Sumário
Brasil
Internacional
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Globo bate Silvio Santos com programa de Cazé
Procedimentos médicos na TV causam polêmica
É o Tchan vira funk
O sucesso de uma filha de portugueses
Os Incompreendidos, de François Truffaut
A penúria das bibliotecas públicas
Os prêmios literários

Colunas
Diogo Mainardi
Stephen Kanitz
Sérgio Abranches
Roberto Pompeu de Toledo

Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote
Veja essa
Arc
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Para usar
VEJA Recomenda
Os mais vendidos

Arquivos VEJA
Para pesquisar nos arquivos da revista, digite uma ou mais palavras

Busca detalhada
Arquivo 1997-2000
Busca somente texto 96|97|98|99
Os mais vendidos
 

Festa das traças

Bibliotecas do país deixam na mão o leitor
que quer ficar a par das novidades literárias

Flávio Moura

 
Fotos Janduari Simões/Liane Neves
Fotos Janduari Simões/Liane Neves
Biblioteca Pública Estadual Arthur Vianna, em Belém
Acervo circulante: 17 000 livros
Média de empréstimos por mês: 3 000
Biblioteca Pública do Estado do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre
Acervo circulante: 10 000 livros
Média de empréstimos por mês: 1 000

Considerado um dos maiores escritores americanos do século XX, Philip Roth nunca se esqueceu da experiência de freqüentar, na infância, a biblioteca do subúrbio onde morava. "Como minha família não possuía muitos livros, nem o dinheiro que permitisse a uma criança comprá-los, era bom saber que eu poderia ter acesso a qualquer volume naquele prédio austero", escreveu ele certa vez. "Que confiança me inspirava andar por entre as prateleiras para nelas encontrar a obra desejada. Finalmente, levar para a cama um livro que tinha sua linhagem de leitores, à qual eu acabava de acrescentar meu nome." Se Roth tivesse crescido numa cidade brasileira, contudo, é provável que jamais houvesse redigido essas palavras. Décadas de desmazelo deixaram as bibliotecas do país próximas do caos e com os acervos bastante defasados. Dois tipos de usuário até encontram ali o que desejam: colegiais às voltas com trabalhos escolares e pesquisadores em busca de velhas obras. Mas bibliotecas não são apenas locais de estudo. Deveriam servir também como centros de entretenimento, informação e atualização cultural, papel que mal vêm cumprindo por aqui. O leitor que conta com o gabinete de leitura de sua cidade para manter-se em dia com as novidades literárias dificilmente ficará satisfeito. As listas de "mais retirados" de algumas das maiores bibliotecas brasileiras revelam um curioso anacronismo: são formadas por sucessos das décadas de 70 e 80 (veja quadro).

Conseguir informações consolidadas sobre as bibliotecas do país é quase impossível. Os dados do Ministério da Cultura são antigos e pouco confiáveis, como a própria instituição reconhece. VEJA ouviu os responsáveis pelas maiores bibliotecas de cinco capitais brasileiras: Belém, Recife, Cuiabá, São Paulo e Porto Alegre. Em todos os casos, a situação é a mesma. Procurar obras recentes de autores como Luis Fernando Verissimo e João Ubaldo Ribeiro, ou best-sellers como os de Paulo Coelho, é tarefa ingrata. Um caso extremo é o da biblioteca estadual de Cuiabá: há mais de vinte anos não é acrescentado um volume sequer à coleção. No Recife, a biblioteca estadual até que é bem fornida, com 15.000 títulos disponíveis na seção circulante (aquela em que ficam os livros para empréstimo). Todo dia, porém, são registradas reclamações de freqüentadores assíduos que saíram frustrados da busca por romances como A Caverna, obra mais recente do português José Saramago, ou pelos livros da popularíssima série juvenil Harry Potter. Na biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, cujo acervo circulante é de 36.000 títulos, não é possível encontrar o best-seller O Demônio e a Srta. Prym, de Paulo Coelho. São Paulo é, aliás, a cidade com a maior rede de bibliotecas públicas do país: 65. O orçamento da prefeitura para este ano prevê uma verba de apenas 500.000 reais para a renovação dos acervos -- e olhe que isso representa um avanço em relação à gestão anterior. Não dá mesmo para comprar livro novo.

Tal panorama não deve mudar num futuro próximo. "A prioridade do governo não é ampliar os acervos, mas implantar novas unidades no interior", diz Ottaviano De Fiore, titular da Secretaria do Livro e da Leitura do Ministério da Cultura. O Brasil dispõe hoje de 3.541 bibliotecas públicas. Um investimento federal de 30 milhões de reais permitiu que 814 delas fossem instaladas nos últimos cinco anos, mas isso ainda é muito pouco num país onde a primeira reclamação conhecida sobre a falta de verbas para o setor data de 1876. Seu autor foi Ramiz Galvão, que endereçou uma carta ao imperador dom Pedro II, na qual relatava as deficiências da Biblioteca Nacional, dirigida por ele. Apesar dos problemas enfrentados, naquele tempo as bibliotecas das grandes cidades eram badaladas. Elas disputavam a atenção do público com anúncios nos jornais, alardeando os livros mais retirados e as novas aquisições, assim como os confortos oferecidos ao leitor, como tinta, papel e luz elétrica. Mais de 100 anos depois, ainda há uma série de instituições desse tipo que nem isso podem oferecer. No interior dos Estados mais pobres existem casos de funcionários analfabetos e de bibliotecas em que funciona o velório municipal.


 

   
NOTÍCIAS DIÁRIAS
Copyright 2001
Editora Abril S.A.
  VEJA on-line | Veja São Paulo | Veja Rio | Veja Curitiba
Veja BH | Veja Fortaleza | Veja Porto Alegre | Veja Recife
Edições Especiais | Especiais on-line | Estação Veja
Arquivos | Próxima VEJA | Fale conosco

CDs DVDs Vídeos
Saraiva.com.br
Submarino
Americanas
Livros
Saraiva.com.br
Submarino
Espiral
Ingressos
Fun by Net
o que é o canal
 
 
voltar



VEJA on-line | VEJA Educação
copyright © 2001 - Editora Abril S.A. - todos os direitos reservados