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O idioma mundial
O que os adultos precisam
fazer para aprender
Roberta Paixão
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| Montagem Weigand |
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Por que
é
importante
aprender inglês
Com a economia internacionalizada, o conhecimento
do idioma é um pré-requisito cada vez mais importante na disputa
por melhores empregos. As empresas que oferecem vagas para
trainees eliminam candidatos que não falam inglês. O mesmo
critério vale para a contratação de executivos mais experientes.
Dois terços dos 130 milhões de usuários da Internet
se comunicam em inglês, e a grande maioria das páginas da
rede está escrita no idioma.
É a língua oficial do turismo no mundo inteiro.
Até em países tradicionalmente arredios ao idioma, como a
França, é possível hoje em dia usar o inglês para resolver
os problemas mais freqüentes.
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Quem chegou à idade adulta sem
saber inglês e agora pretende aprender o idioma com sotaque igual
ao de um americano nativo está mirando num objetivo tão inútil quanto
impossível. O esforço para falar como alguém que nasceu nos Estados
Unidos pode prejudicar a meta que realmente conta. "É mais
realista tentar comunicar-se com eficiência. Aprender a falar perfeitamente
sobre qualquer assunto, em qualquer circunstância, é quase impossível
num curso", diz a professora Sara Walker, uma inglesa que mora
há trinta anos no Brasil e presta consultoria a empresas interessadas
em treinar seus executivos no idioma mundial. Mas, se o objetivo
é aprender inglês para ampliar as chances no mercado de trabalho,
conseguir navegar sem problemas pela Internet e tirar proveito das
informações que a rede oferece, ou ainda para se fazer entender
no exterior, as chances são grandes.
Um adulto terá, naturalmente,
mais dificuldade para aprender do que uma pessoa que iniciar o curso
mais cedo. Em primeiro lugar, o medo e a vergonha de cometer erros
são maiores nos adultos do que entre os estudantes mais jovens.
As pessoas mais velhas manifestam, ainda, uma tendência natural
de pensar em português e depois traduzir a frase para o inglês,
em vez de tentar compreender o sentido da língua. Isso prejudica
a fluência e a compreensão do que o interlocutor está dizendo. Esses
são alguns dos empecilhos. Em compensação, quando o adulto supera
as barreiras e assimila o idioma, dificilmente esquecerá o que aprendeu.
A
facilidade do brasileiro Se você pretende estudar
inglês, considere que, nesse caso, ter nascido no Brasil é uma vantagem.
Segundo os especialistas, a capacidade de o brasileiro se expressar
no idioma só é menor do que a dos holandeses, escandinavos e alemães.
"Entre os povos de língua latina, o brasileiro é o que menos
atropela a comunicação", diz Susan Mace, doutora em língua
inglesa pela Universidade de Londres e dona da escola Britannia,
do Rio de Janeiro. Além dessa facilidade natural, justificada entre
outras razões pela influência da cultura americana no país, existe
uma quantidade cada vez maior de recursos à disposição dos 700.000
brasileiros maiores de 18 anos matriculados nos cursos regulares
do idioma. Há canais de TV por assinatura com toda a programação
em inglês, sem tradução ou legenda. A Internet também aumentou a
possibilidade de acesso ao idioma. As melhores bancas do país oferecem
as principais revistas e jornais ingleses e americanos. As viagens
internacionais custam cada vez menos e um número sempre maior de
pessoas viaja ao exterior para ter contato com o idioma. Ao todo,
existem no país cerca de 100 redes de escolas onde é possível se
matricular e ter chances reais de estar se comunicando em inglês
alguns anos depois.
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Uma série
de recursos na Internet
auxilia os estudantes conectados à
rede. Eles vão de dicionários on-line
que fornecem a tradução com um
clique do mouse às páginas que
trazem aulas de inglês |
Como
escolher a escola Em primeiro lugar, a sala de aula
nunca pode ter mais de quinze estudantes. "O ideal é que as
classes tenham em torno de dez alunos", diz a psicóloga Nadeje
Starling, uma das diretoras do curso Brasas, de Belo Horizonte.
"Turmas maiores impedem que as dificuldades de cada aluno sejam
notadas pelo professor." Uma boa biblioteca, com livros variados,
revistas e jornais atualizados, também é vital. Outro aspecto a
ser observado, talvez o mais importante de todos, é a qualificação
dos professores.
Modelos mais novos de aparelhos
de televisão vêm equipados com um
dispositivo chamado closed
caption.
Ele permite acompanhar o que está
sendo dito na transmissão em legendas
escritas no idioma original do programa.
Algumas emissoras estrangeiras, como
a rede CNN, transmitem os letreiros |
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Ter
um professor nativo conta? Algumas escolas contratam
para suas equipes apenas professores que têm o inglês como língua
materna (e cobram mais caro por isso). Para um aluno que se esteja
iniciando no idioma, isso não faz muita diferença. Nesse caso, a
capacidade didática do instrutor importa mais do que o fato de ele
ter nascido na Inglaterra ou nos Estados Unidos. Para quem está
num estágio mais avançado e pretende ampliar sua fluência, a origem
do professor é fundamental. "Se ele for um americano capaz
de dar uma boa aula, melhor", afirma a coordenadora do departamento
de inglês da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro,
Inês Müller.
Aprenda
fora da sala de aula Nem mesmo a mais completa explicação
em sala de aula pode substituir a motivação do aluno. Quanto mais
interesse o aluno demonstrar e quanto mais importante for para ele
aprender o idioma, maior será o seu progresso. Essa regra, que a
rigor serve para qualquer tipo de aprendizado, é especialmente verdadeira
quando se trata de línguas. O grau de exposição ao idioma é fundamental.
Além das fitas cassete que fazem parte do material didático (e que
podem ser ouvidas no toca-fitas do carro, no caminho do trabalho),
existem o rádio, o computador e a televisão. "Quanto mais a
pessoa estiver cercada pelo idioma, melhor", diz David Occhiuzzo,
diretor da escola Alumni, de São Paulo. "O inglês melhora até
mesmo quando a pessoa está ouvindo música sem prestar muita atenção."
O certo é que pagar um curso de inglês e apenas freqüentar as aulas
é jogar dinheiro fora. É preciso reservar parte do tempo extra para
estudar. O mínimo é pelo menos meia hora de estudo em casa para
cada hora de aula na escola. É importante ter uma área de interesse
e dedicar a ela boa parte das atenções. Estudar o vocabulário específico
da economia ou da medicina, por exemplo, é um recurso que ajuda
a consolidar o aprendizado do idioma, pois facilita a compreensão
dos temas relacionados à área.
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Utilizar
fitas ou CDs que
acompanham o material
didático é fundamental.
Ouvir músicas em inglês,
mesmo sem prestar muita
atenção à letra, também ajuda
a habituar o ouvido ao idioma |
Tire
proveito da tecnologia Algumas novidades tecnológicas
podem ser usadas para complementar o que se aprende na escola. Um
dos mais interessantes é o recurso chamado closed caption,
presente em grande parte dos modelos de televisão mais novos. O
dispositivo, originalmente concebido para auxiliar deficientes auditivos,
exibe legendas do que está sendo dito em determinados programas
(desde, é claro, que os textos sejam oferecidos pelas emissoras).
Muito usados nos Estados Unidos, os letreiros são transmitidos em
algumas redes estrangeiras, como no canal de notícias CNN, na língua
original do programa. Ele permite associar a pronúncia à grafia
da palavra em inglês. O computador também é um bom auxiliar do ensino.
Existem programas em CD-ROM que ajudam a ampliar o vocabulário e
a aprender como pronunciar as palavras da maneira correta. Jogos
de aventura que têm narradores e seguem uma trama também podem ser
úteis. Ainda no mundo virtual, é possível aliar a curiosidade pessoal
ao aprendizado consultando os milhões de páginas na Internet em
inglês. Na rede podem ser encontrados até dicionários que fornecem
traduções com um clique do mouse. No endereço www.study.com, por exemplo, pode-se ter acesso a um curso completo
de inglês, com salas de aula, atividade extraclasse e uma área de
bate-papo com outros alunos e professor. É cobrada do interessado
uma mensalidade de 25 dólares.
As revistas americanas
e inglesas são bom
material de apoio. Lidar
com temas atuais estimula
o interesse pelo aprendizado |
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Cursos
extensivos x intensivos Os métodos de ensino estão
cada vez mais eficientes. Hoje em dia é comum encontrar escolas
que prometem (e cumprem) ensinar ao aluno os conhecimentos básicos
do idioma em seis meses. Para aqueles que têm mais urgência, os
métodos de imersão com até oito horas de aula por dia ,
como do curso Alumni, de São Paulo, e do Berlitz, que tem filiais
nas principais cidades do país, apresentam os primeiros resultados
em apenas duas semanas de contato intensivo com a língua. É claro
que essa é uma opção de emergência, para quem vai fazer uma viagem
de passeio e precisa saber o mínimo do idioma.


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