Edição 1 628 -15/12/1999

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Educação

A escola está paga

Programas de investimento que garantem
o ensino do pré-primário à faculdade

 

Marcos Issa
Raimundo e a filha: mensalidade antecipada para custear o colégio


D
epois do aluguel, a prestação da escola do filho costuma ser o item mais caro do orçamento da família. Como a despesa é obrigatória, já que a rede oficial de ensino deixa a desejar, os pais costumam se preocupar. O que vai acontecer com a criança se o pai ou a mãe perderem o emprego amanhã? E se ocorrer algo pior? O empresário Raimundo Antunes da Silva, de São Paulo, decidiu investir num fundo em que aplica todo mês 240 reais em nome de sua filha Júlia, de 9 meses. Ele vai pagar essa quantia durante dezoito anos. Quando a menina completar 6 anos, de acordo com o plano, poderá ingressar numa escola com mensalidade de 500 reais e estudar ali até o momento do vestibular. "Pagando um pouco a partir de agora, vou estar menos sobrecarregado quando vierem os gastos com cursos de línguas, de balé e de computação", diz Silva. O empresário associou-se a uma empresa que se compromete a aplicar o dinheiro com responsabilidade.

Outra opção de investimento são fundos de previdência privada voltados para a educação. O pai deposita um valor fixo todos os meses e nada retira enquanto o filho está na escola. O dinheiro fica rendendo juros até o jovem completar 21 anos. Ao chegar à maioridade, ele poderá retirar o dinheiro de duas formas: sacar tudo de uma vez ou receber uma renda mensal por um período determinado. Algumas seguradoras oferecem cobertura em caso de desemprego e pagam alguns meses de mensalidade. Outras custeiam as despesas com educação em caso de o pai ou a mãe falecer.

Como qualquer aplicação financeira, ainda mais de longo prazo, os fundos ligados à educação envolvem riscos. O único investimento 100% seguro (a não ser que surja outro Collor) é a caderneta de poupança. Pela lei, se um banco quebrar, o governo tem a obrigação de ressarcir os poupadores das cadernetas, e só eles, até o limite de 20 000 reais. Não importa o que dizem os folhetos promocionais dos bancos e seguradoras, olho vivo no momento de assinar o contrato. "É importante estar atento às garantias", afirma o economista Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central. "Os riscos são menores se houver por trás do negócio uma empresa sólida."



 
 
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