Inglês depois dos 30

Um curso rápido no exterior pode render mais
do que anos de estudo numa escola convencional

Anna Paula Buchalla

Claudio Rossi

O executivo José Moreli: "Entendo 80% do que é dito nas reuniões com estrangeiros"


Ok, você não é um caso terminal em matéria de inglês, do tipo que confunde soup (sopa) com soap (sabão), mas também não é capaz de entabular um diálogo civilizado com um gringo. O que fazer? Bem, a saída pode ser o aeroporto. Não, não pense que você está velho para isso. Entre as mais de 75.000 pessoas que saem do Brasil todos os anos para cursos rápidos de inglês no exterior, cerca de 15% têm mais de 30 anos. São 10.000 estudantes dispostos a passar algumas semanas nos Estados Unidos ou em outro país de língua inglesa para atender às crescentes exigências de domínio do idioma nas carreiras executivas. A eficácia dos programas de curta duração depende, é claro, do repertório de cada estudante. Se ele tem conhecimento precário do idioma, o melhor a fazer é ficar no Brasil e tentar avançar numa escola local antes de rumar para o exterior. Do grau intermediário em diante, o resultado é mais satisfatório. Segundo os profissionais que trabalham no ramo, são basicamente três as dúvidas de quem pretende fazer esse tipo de curso:

Cidade pequena ou grande? Em geral, os estudantes com mais de 30 anos preferem as cidades grandes, por causa das opções de diversão e cultura que elas oferecem. "A maioria dos brasileiros nessa faixa de idade segue para Nova York, Los Angeles, Miami e Boston", diz Solange Pizzo, da Student Information Service, uma agência de intercâmbios internacionais. No entanto, de acordo com as pesquisas das organizações que promovem esse tipo de viagem, o aproveitamento tende a ser maior quando o estudante escolhe uma cidade pequena. Nos grandes centros, a chance de ter colegas brasileiros na mesma classe é enorme e isso prejudica o propósito de imersão total no inglês.

Casa de família ou hotel? Hospedar-se numa casa de família é a opção mais produtiva, embora nem sempre a mais confortável. A permanência em hotéis restringe os diálogos em inglês aos encontros fortuitos do cotidiano. Numa casa, a convivência diária com os moradores ajuda a corrigir erros de pronúncia e a ampliar o vocabulário. A queixa mais freqüente contra esse tipo de hospedagem é a dificuldade de adaptação aos hábitos de algumas famílias. Mas esse é um problema contornável: basta pedir ao organizador de sua viagem que providencie outro local para você ficar.

Quanto tempo de curso é necessário? Permanecer menos de um mês no exterior é jogar dinheiro fora. Os bons cursos duram de quatro a cinco semanas, pelo menos, e garantem ao estudante com boa noção da língua um desenvolvimento considerável, principalmente no que se refere à conversação. Os especialistas dizem que um mês com trinta horas de aulas semanais no exterior pode equivaler a oito meses numa escola convencional no Brasil. "Antes de fazer um curso de um mês nos Estados Unidos, eu pescava 20% do que era discutido nas reuniões de trabalho com estrangeiros. Agora, já consigo entender 80% do que é dito", entusiasma-se o executivo José Moreli, 36 anos, da Dow Agrosciences, de São Paulo. Uma semana fora do país é suficiente para quem já domina o idioma e quer apenas especializar-se no jargão de determinada área profissional. Fluente em inglês, o executivo José Barbosa Mendes, presidente de uma pequena empresa de telecomunicações do Rio de Janeiro, não se sentia seguro para negociar contratos com parceiros do exterior. Para suprir essa lacuna, ele passou uma semana em Nova York. "O mercado global não aceita mais o bê-á-bá", constata Mendes. É, não é soup.

 

Estágio com o Mickey

A Disney abre neste mês o processo de escolha dos interessados em trabalhar como monitores em seus parques da Flórida nas temporadas do ano 2000. A empresa selecionará duas turmas de universitários brasileiros, com idade entre 18 e 25 anos. A primeira terá de 150 a 200 integrantes e permanecerá de junho a agosto nos Estados Unidos. A segunda turma, formada por um grupo de 100 a 120 monitores, embarcará em dezembro do próximo ano e tem o retorno ao Brasil previsto para fevereiro de 2001. O candidato precisa ter inglês fluente e, de preferência, alguma experiência profissional. É supérfluo dizer que também é necessária uma paciência de Mickey com crianças barulhentas e adultos mal-educados. O salário pela jornada mínima de trinta horas semanais é de 190 dólares. A empresa cobre uma pequena parte dos gastos com hospedagem e refeições.

Além do ordenado, o monitor tem acesso livre a todas as atrações dos parques. Ele também é estimulado a fazer cursos na Disney University, que oferece programas de treinamento em áreas de interesse dos estudantes. Outra vantagem é a convivência com os monitores de outras nacionalidades. Os brasileiros fazem parte da chusma de mais de 2 500 universitários de todo o mundo selecionados anualmente para prestar serviços nos parques da Disney. Mais informações podem ser obtidas pela internet, no endereço http://springbreak.com/ads/info.htm.

 
 

 




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