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Educação
As armadilhas dos cursos
Desconfie das escolas de idiomas que
prometem aprendizado rápido, barato
e sem esforço
Sérgio Teixeira Jr.
Foto: Cláudio
Rossi
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O barato saiu caro
O consultor em recursos Glauber Luís Giannoni,
de São Paulo, matriculou-se em uma escola que prometia
ensino de qualidade apenas pelo preço do material didático.
Perdeu tempo e dinheiro.
"O curso era tão fraco que saí no quarto
mês", diz Giannoni, que depois disso procurou uma
escola séria
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"Inglês fluente em oito semanas." "Aqui se aprende
falando." "Você só paga o material." Esses são alguns
dos chamarizes utilizados pelas escolas para atrair alunos que têm
pressa em aprender um idioma. Se for o seu caso, cuidado. Esse mercado
está cheio de armadilhas, e uma escolha equivocada pode, em vez
de apressar, criar dificuldades para quem precisa dominar uma língua.
Em primeiro lugar, ninguém aprende inglês ou qualquer outro idioma
em poucas semanas. Dois meses de curso são suficientes no máximo
para uma pessoa saber fazer as perguntas básicas de uma conversa
corriqueira numa língua estrangeira. (Ainda assim, ninguém pode
garantir que essa pessoa conseguirá entender as respostas.) "Não
existem milagres no ensino de idiomas", diz Heloisa Collins,
professora da Faculdade de Letras da Pontifícia Universidade Católica
de São Paulo. "Quanto mais tentadora for a oferta, maiores
são as frustrações."
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"Não existem milagres no ensino
de línguas estrangeiras."
Heloisa Collins,
professora da Pontifícia Universidade Católica
de São Paulo
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Bolso
– O preço de um bom curso varia conforme
a estrutura da escola e a qualidade dos professores. Se a oferta
parecer vantajosa demais, desconfie (veja
fichário). O consultor em recursos humanos Glauber Luís
Giannoni, de São Paulo, já caiu numa dessas arapucas. Ele foi informado
de um curso que só cobrava o material didático. Freqüentou quatro
meses de aula sem que os resultados aparecessem. "Fui lesado",
diz. "O material era de péssima qualidade e nem os professores
acreditavam no método." Giannoni desistiu das aulas e procurou
uma escola com boa reputação no mercado. O curso passou a pesar
um pouco mais em seu bolso, mas o resultado compensou.
Sem
esforço – Uma das principais armas
utilizadas para atrair alunos é vender a idéia de que é possível
aprender sem estudo ou empenho. Não dá. "Ninguém pode afirmar
que somente um determinado instrumento pedagógico, como um computador
conectado à internet ou um laboratório moderno, vá garantir que
o aluno aprenda", diz Leland McCleary, coordenador do curso
de inglês da Universidade de São Paulo. O fundamental é não alimentar
ilusões. "Já passei por quatro cursos e me conscientizei de
que é preciso dar duro para aprender inglês", diz a professora
Carolina França Marinho Falcão, que trabalha em projetos sociais
patrocinados pela Organização das Nações Unidas em Brasília.
Cuidados
– Estar disposto a estudar é vital,
mas não é o único cuidado que o aluno deve ter. Procurar reunir
informações sobre a escola também é importante. Certifique-se de
que o curso inclui contato não só com a língua mas também com a
cultura dos países que falam o idioma. "Muitos cursos pretendem
ensinar uma língua com fórmulas, como se fosse matemática",
diz Araken Guedes Barbosa, professor de inglês da Universidade Federal
de Pernambuco. Outro ponto a ser observado é a qualificação dos
professores. "Muitas escolas usam a nacionalidade de seus professores
como sinônimo de qualidade do ensino", diz Neide Maria González,
professora de espanhol da Universidade de São Paulo. Isso pode ajudar,
mas não é suficiente. "Mais importante do que o local de nascimento
do professor é sua formação pedagógica."


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