Um bom exemplo

Surpresa no Provão, Universidade Estadual
de Londrina atrai alunos de todo o país

Laboratório
odontológico:
atendimento à
população carente
e programas para
estimular o
aperfeiçoamento
de professores
Fotos: Jorge Santos  

A Universidade Estadual de Londrina, UEL, no interior do Paraná, nunca esteve entre as estrelas de primeira grandeza do ensino superior no Brasil. Apesar disso, neste final de semana, milhares de estudantes de todo o país vão se submeter a seus exames vestibulares. Um terço desses candidatos mora em São Paulo, Estado que abriga algumas das universidades mais respeitadas do país. A procura por uma vaga na UEL cresceu muito neste ano porque ela foi a grande surpresa no último Provão, teste que tem o objetivo de avaliar a qualidade do ensino nas universidades brasileiras. Com 12.000 alunos, a UEL apareceu entre as cinco mais bem colocadas. Ficou em terceiro lugar, atrás das universidades de Brasília e de São Paulo e à frente de instituições tradicionais, como a Universidade de Campinas e a Federal do Rio de Janeiro (veja quadro acima). Nos oito cursos avaliados, a instituição paranaense obteve pontuação máxima em quatro: engenharia civil, veterinária, letras e jornalismo.

Até para a direção da universidade, fundada há 26 anos, o resultado surpreendeu. Em 1996, quando o Provão foi instituído pelo Ministério da Educação, 65% dos alunos do curso de engenharia civil entregaram a folha da avaliação em branco. Resultado: nota D. No Provão seguinte, a nota subiu para B. Agora, foi A. "Como o Provão é realizado pelos estudantes que estão se formando, quem enfrenta seu resultado é a turma seguinte", diz o coordenador do curso de engenharia, Valdir Bernardi Zerbinati. "Eles é que tiveram de melhorar o conceito que se faz da escola."

Alunos de veterinária:
incentivo à pesquisa e
dinheiro aos laboratórios

Além do desafio lançado aos alunos, a UEL vem tomando várias medidas que explicam sua ascensão no ranking do Provão. A universidade tem um programa de estímulo aos professores para que eles passem a se dedicar ao ensino em tempo integral. O professor precisa comprovar que não tem outro emprego e estar inscrito em um projeto de extensão, pesquisa ou ensino. Preenchidos esses dois requisitos, recebe um aumento de salário de 55%. Hoje mais da metade do corpo docente tem título de mestre ou doutor. E 214 professores estão licenciados para cursar pós-graduação. Quando um professor obtém o título de mestre recebe 45% de aumento sobre o salário básico. Com o doutorado o aumento é de 75%.

Enquanto as universidades federais consomem, em média, 94% de seu orçamento com o pagamento da folha de funcionários, na UEL esse índice é de 70%. Com isso, há mais dinheiro para investir na criação e modernização de laboratórios como os de fitopatologia e entomologia, do curso de veterinária. Há ainda programas para atender o público carente, como o dos alunos de veterinária que visitam pequenos proprietários no campo. "Com um vestibular mais concorrido, só iremos melhorar", diz o reitor, Jackson Proença.

Raul Juste




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