ESCRAVOS DA ANGÚSTIA

Na reta final do vestibular, os jovens se apavoram
com a idéia de fracassar e vivem sob tensão

Valéria França e Roberta Paixão

educacao1.jpg (21010 bytes)
educacao3.jpg (23133 bytes)
Fotos: Antonio Milena/Frederic Jean/Egberto Nogueira/Ana Araujo

educacao2.gif (8036 bytes)O professor Claudio Vicentino estava dando mais uma aula de história no cursinho Anglo, em São Paulo, quando viu dois alunos batendo um papo animado. Foi aí que ele proferiu a frase que cortou o ar pesado da sala como se fosse uma faca. "Vocês querem perder mais um ano da vida se preparando para o vestibular?", gritou. "Quem fica de salto alto, achando que sabe muito, não chega a lugar nenhum. Vocês sabiam que Hitler prestou o vestibular duas vezes para arquitetura e não passou? Viu no que deu, né..." Na sala, cujas janelas estão cobertas por compensado para que os alunos não se distraiam olhando a paisagem, todos ficaram em silêncio. Nem a referência a Hitler, que na verdade tentou belas-artes e não arquitetura, foi levada na galhofa. Cursinho é assim. Os alunos de repente começam a encarar as coisas mais a sério. Estão aterrorizados pelo fantasma do vestibular. No colégio, o professor que chega falando em salto alto só consegue melhorar o humor dos estudantes. No cursinho, ele é capaz de mexer com angústias que estão à flor da pele.

Essa sensação de insegurança que cerca os candidatos ao vestibular está sendo experimentada neste ano por 2,8 milhões de jovens que concorrerão a 616.000 vagas nas faculdades e universidades brasileiras. No Rio de Janeiro, a estudante Viviane Kunisawa, de 17 anos, afirma que não consegue pensar em outra coisa além de vestibular, não importa a hora do dia ou da noite. Engordou 8 quilos de tanto comer chocolates nas madrugadas de estudo. Concentrada na prova para economia que se aproxima, ela abandonou as aulas de natação, tênis de mesa e vôlei para ter mais tempo de ficar com os livros. É a primeira aluna da classe, mas sua auto-estima está em frangalhos. "Morro de medo de zerar em biologia", diz Viviane, que por duas vezes já molhou as páginas dos livros em crises de choro. Em Brasília, no apartamento de Raphael Matias, de 18 anos, as luzes também ficam acesas até tarde. Aprovado por antecipação em todas as matérias do colégio, ele parece não ter motivo para temer o vestibular para administração de empresas. Só que em julho passado, apenas por experiência, ele se submeteu a um teste simulado e não passou. Esqueceu, então, as aulas de pólo aquático, jiu-jítsu e inglês, abandonou as corridas de kart e agora encara as madrugadas de estudo à base de guaraná em pó, vitaminas, Coca-Cola e capuccino. A história se repete na casa da baiana Samai Cunha, de 20 anos, que tentará uma vaga em medicina pela terceira vez. No início do ano, ao saber que não passara no vestibular, entrou em depressão, perdeu quase 10 quilos e apresentou um problema de queda de cabelos que os médicos identificaram como psicossomático. Agora, com a ajuda de um analista e comprimidos antidepressivos, ela se prepara para outra rodada.

Várias tentativas Passar no vestibular sempre foi um problema, mas a concorrência por uma vaga na faculdade ficou pesada demais. Em 1975, havia 2,2 candidatos por vaga, em média. Hoje, existem 4,6 mais do que o dobro. Isso acontece porque o número de candidatos cresce barbaramente, mas a oferta de vagas avança num ritmo bem menor. Na Universidade Estadual de Londrina, os candidatos a medicina triplicaram em dez anos, para um número de vagas que permaneceu estável. Na Universidade de Brasília, a procura pelo curso de direito cresceu sete vezes em vinte anos. Na Universidade de Viçosa, de Minas Gerais, que tem um dos cursos de veterinária mais concorridos do Brasil, a relação entre candidatos e vagas subiu de 33 para 45 nos últimos cinco anos. Resultado: fica cada vez mais difícil entrar na primeira tentativa. Segundo um levantamento da Fuvest, a fundação que organiza o vestibular da Universidade de São Paulo e de outras três entidades de ensino superior, 60% dos aprovados nos vestibulares que organiza só conseguiram entrar na faculdade depois de duas, três ou quatro tentativas.

Quando aumenta o número dos que disputam a mesma vaga, sobe a nota de corte das provas aquela pontuação mínima para seguir em frente. Na Fuvest, as notas de corte dos cursos mais disputados aumentaram em média 11% em dois anos. Na Universidade Federal do Paraná, a menor nota exigida no último vestibular para odontologia, 5,6, não seria suficiente para a aprovação neste ano, quando se precisará de pelo menos 6,6. Pressionados pelas dificuldades crescentes, os candidatos estão se preparando com maior cuidado, o que só contribui para tornar a disputa ainda mais árdua. Nos dois últimos anos, o índice de acerto na primeira fase em jornalismo na Universidade de São Paulo saltou de 50% para 58%. "Como não dá para conhecer o nível da concorrência, é bom garantir estudando muito", raciocina o mineiro Daniel Sartini Leonardo, de 18 anos, que quer ser engenheiro. Por garantia, matriculou-se em três cursinhos diferentes com o objetivo de freqüentar as aulas do melhor professor de cada matéria. Daniel estuda catorze horas por dia e abdicou da vida social. Quando se aproxima a hora do vestibular, o candidato se torna um obsessivo. Está diante do primeiro grande teste de sua vida adulta, um momento de vitória ou derrota que não significa apenas um ano a mais de aulas no cursinho. Sente que será julgado pelo desempenho nas provas e, talvez mais complicado ainda, ele mesmo se julgará a partir do resultado que conseguir. É injusto e cruel. Examinado a distância, o vestibular não tem tanta importância como imaginam os candidatos que a ele se submetem, mas eles estão de tal forma envolvidos pelo clima da competição que dramatizam as coisas. Imerso numa espécie de universo paralelo, o estudante tende a dividir as pessoas em duas categorias, a dos vestibulandos e a dos não vestibulandos. Tudo o que interessa gira em torno do primeiro grupo. O resto é apenas o resto. Nesse segundo batalhão, meio indistinto e cinzento, os personagens mais visíveis são os pais do candidato. O estudante está com os nervos excitados porque dorme menos, concentra-se mais em assuntos pesados e deixou de ter suas horas de lazer. As primeiras pessoas com quem se indispõe são geralmente eles mesmos, os pais, que também estão apreensivos com o resultado do filho no vestibular e tendem a ficar mais implicantes. Sobram também alguns tiros para amigos, irmãos e namorados.

educacao6.jpg (20542 bytes) educacao7.jpg (12123 bytes)
O mineiro Daniel, aflito com a concorrência em engenharia: três cursinhos ao mesmo tempo
Foto: Eugenio Savio

Fim do namoro A estudante gaúcha Marina Dornelles Camargo, 16 anos, matriculou-se em um cursinho em agosto e passou a estudar como alucinada para concorrer a uma vaga no curso de arquitetura. Só conseguia ver o namorado no final de semana. "Ele ia jantar lá em casa e eu dormia em cima da mesa", lembra ela. O resultado foi o fim de um namoro de três anos. Por causa dos estudos, Marina também abandonou as aulas de natação, que praticava três vezes por semana desde os 10 anos. Para completar, ficou com anemia. "O médico disse que eu precisava de uma alimentação balanceada, mas eu mal tenho tempo para engolir a comida", exagera. Djalmira Dornelles, mãe de Marina, até já se habituou com a agenda da filha. À noite, antes de dormir, ela passa pelo quarto da moça para removê-la, adormecida, de cima dos livros e depositá-la na cama.

Entre os vestibulandos, outro grande problema é o vizinho de cadeira, aquele estudante que se senta ao lado na escola ou no cursinho e que, como ele, também quer uma vaga na faculdade. Como 45% dos inscritos querem estudar medicina, direito, administração ou engenharia, é alta a chance de dois estudantes que se sentam juntos serem concorrentes. "Os alunos não são amigos. Não se ajudam nem na hora dos exercícios. Para eles, o vizinho é um adversário", diz o professor de biologia Dan Pinsetta, de São Paulo. Nos cursinhos, onde essa relação de concorrência com o vizinho é maior que na escola, a tensão pré-vestibular é assustadora. É freqüente que os alunos gritem "Aula!" quando o professor faz uma gracinha. Ninguém quer perder tempo. "Enquanto você está aqui tem um japonês estudando", diz uma inscrição deixada na parede do banheiro de um cursinho no Paraná. É uma piada, mas serve para mostrar como os candidatos não conseguem pensar em outra coisa. Até o humor tem a angústia do vestibular como fundamento. "O vestibular é uma das três grandes causas de stress na sociedade. As outras duas são morte de parente e desemprego", diz o psiquiatra Henrique Schützer Del Nero, do Instituto de Pesquisas Avançadas da Universidade de São Paulo.

Luxo de elite O vestibular é mais que um exame. Enquanto está no colégio, o aluno até pode ir mal numa prova, pois o que conta é sua média anual. Com o vestibular, não. Quem for mal sabe que só terá outra chance dali a um ano. Como se não bastasse, o teste resume os conhecimentos de uma vida de estudo num único dia. Ou seja, os oito anos do 1º grau e os três do 2º grau são aferidos num domingo, e qualquer dor de cabeça ou indisposição estomacal pode destroçar o desempenho. Só avança para a segunda fase das provas, a dos exames escritos, quem ultrapassa a barreira dos testes de múltipla escolha. É um tipo de avaliação perversa em que agilidade pode contar mais que conhecimento. Um candidato que conhece todas as respostas mas precisaria de quinze minutos a mais do que o tempo regulamentar para assinalá-las arrisca-se a perder a vaga para alguém com menos conhecimento mas capaz de entender-se melhor com o relógio. Nos Estados Unidos e na Inglaterra, há um teste depois do 2º grau, mas a avaliação depende de várias outras coisas, entre elas o histórico escolar, cartas de recomendação e o resultado de entrevistas na universidade. Nada é resolvido apenas numa tarde quente de domingo, como no Brasil. Na França, quem conclui o 2º grau tem direito à faculdade desde que seja capaz de agüentar o ritmo puxado dos estudos superiores, responsável pelo abandono do curso por mais da metade dos matriculados. Isso é muito diferente dessa tourada anual que exclui tantos jovens da faculdade.

O problema adquire contornos mais carregados quando se examina o papel da faculdade na expectativa profissional dos jovens. No início do século, universidade no Brasil era um luxo da elite. Em 1960, somente 1% da população possuía curso superior. Com a industrialização do país, esse perfil mudou. "A faculdade, hoje, é a tábua de salvação das famílias de classe média, que não conseguem acumular benc e `recisam recompor seu patrimônio a cada geração", explica a socióloga Gisela Taschner, da Fundação Getúlio Vargas, de São Paulo. Atualmente, 8% dos brasileiros possuem diploma universitário. "A universidade é valorizada porque, no mundo de hoje, o capital do cidadão médio é sua escolaridade", completa Gisela. Para as famílias que se equilibram com dificuldade entre a prestação da casa e a possibilidade de trocar de carro no final do ano, a faculdade dos filhos é o único patrimônio que se pode deixar. Para os filhos das famílias humildes, o diploma é uma das poucas esperanças de ascensão social.

A estudante Jordana Costa Soares, 21 anos, moradora de Osasco, cidade localizada na periferia de São Paulo, prestou no ano passado vestibular para fonoaudiologia na Pontifícia Universidade Católica, particular, e na Universidade de São Paulo, pública. Passou apenas na primeira e, por falta de dinheiro para bancar o curso, teve de se conformar com mais um ano de espera. "Meus pais não podem pagar uma mensalidade de 730 reais. Que alternativa eu tenho senão esperar?", lamenta. A preocupação de Jordana, desta vez, é controlar os nervos. Ela acredita que só não foi aprovada na Fuvest porque tremeu na base, e não quer repetir o erro. "Fico muito encucada com meus pais. Eles não me cobram nada, mas fico sempre com a sensação de que devo algo à minha família. Sei que eles fazem muito sacrifício para pagar o cursinho e penso no que pode acontecer se eu falhar novamente." De todas as vagas abertas nas universidades brasileiras, 75% estão em escolas privadas. E nas públicas, geralmente melhores, a maioria dos aprovados é de classe média ou alta. Na Fuvest, 65% dos aprovados em 1997 estudaram em colégios particulares, 62% possuem computador em casa e 55% são filhos de pais com curso superior.

Carro de presente A preocupação com a família, com o que "eles" vão pensar, é um dos grandes motores de stress pré-vestibular. E cada um trabalha isso como pode. Alguns pais tentam ajudar estudando com os filhos, outros cobram desempenho com fervor e um terceiro grupo prefere acompanhar a crise deles a distância, com medo de atrapalhar. Mas nenhum pai toma essas decisões com segurança (veja quadro). A família de Ana Carolina Smith, de 18 anos, candidata a uma vaga no curso de direito em São Paulo, mobilizou-se para apoiá-la. A mãe dispensou sua ajuda em tarefas domésticas, os irmãos foram proibidos de incomodá-la quando ela estiver estudando e ficaram suspensas as viagens do clã para o litoral nos finais de semana. Mesmo assim, Ana não consegue concentrar-se no estudo. Às vezes chega em casa cansada e passa boa parte do dia ouvindo música. Ou interrompe o exercício de matemática para descrever na sua agenda as angústias que sente em relação ao namorado ou ao vestibular. "Não tenho mais sossego. Agora, quando tenho tempo livre, sou obrigada a estudar", reclama Ana Carolina Smith. No último simulado que fez, ela acertou apenas 30% das perguntas, bem abaixo da média necessária. "Fiz o 2º grau em um colégio meio fraco. Mas não imaginava que era tanto assim", protesta, entre as dezenas de ursos de pelúcia que se amontoam em seu quarto.

educacao4.jpg (23525 bytes) A paulistana Ana Carolina em seu quarto, entre os bichos de pelúcia: "Não tenho mais sossego" educacao5.jpg (12925 bytes)
Foto: Egberto Nogueira

Em Natal, há duas semanas, os pais de vestibulandos pagaram para que seus filhos fossem assistir a uma palestra do mestre da auto-ajuda Lair Ribeiro, que reuniu 8.000 jovens num ginásio de esportes. Lair Ribeiro lançou em abril o livro Como Passar no Vestibular, uma coleção de conselhos para injetar autoconfiança nos estudantes. Vendeu 80.000 exemplares em seis meses. Na palestra, repetiu seus conselhos otimistas. "Seja ambicioso, faça sua mira na Lua. Se você errar, ainda vai estar entre as estrelas", disse Ribeiro. Para a maioria, o otimismo não parece ser suficiente. A pedagoga carioca Maria Ester de Souto Wanderley paga 2,30 reais por hora de estudo do filho Clóvis, de 19 anos, que quer ser economista. Com o incentivo, ele passou a estudar quatro horas por dia e engordou a mesada em 150 reais. Além do prêmio por hora, Clóvis tem no horizonte uma boa bonificação. "Se eu passar, ganho um Vectra", diz, com os olhos brilhando. "Os adolescentes de hoje são filhos de pais liberais, incapazes de dizer não", diz a educadora Tânia Zagury, do Rio de Janeiro, especialista em lidar com adolescentes. "Esses jovens não foram programados para sofrer frustração. Por isso o vestibular é tão assustador para eles. No vestibular, qualquer jovem corre o risco de ouvir um não", acrescenta Tânia.

educacao11.jpg (14113 bytes)
Lair Ribeiro, o papa da auto-ajuda, investe no mercado: 80.000 livros vendidos
educacao10.jpg (17176 bytes)
Foto: Paulo Francisco

"Ritual de passagem" Para combater a ansiedade em casa, um colégio tradicional de São Paulo, o Bandeirantes, campeão em aprovação em vestibular, implantou um programa de acompanhamento psicológico para alunos e pais às vésperas do exame. Num final de semana, reúne os alunos e, por meio de conversa, confecção de cartazes e vídeos, discute com eles suas tensões e angústias. No outro fim de semana, os pais são chamados a discutir o estado emocional dos filhos. A pressão psicológica sofrida por jovens e adultos é mais do que compreensível. Até os anos 60, entrar na faculdade era um prêmio extra para um número relativamente restrito de jovens. Para a classe média, o 2º grau era aceitável. Atualmente, uma parcela crescente da classe média sente-se obrigada a cursar uma faculdade, como quem fazia o ginásio no passado. Até para exercer cargos burocráticos nos departamentos administrativos das empresas já se recomenda um diploma em curso superior. Para os melhores cargos, o critério de desempate entre os candidatos já começa a ser o mestrado ou o doutorado. Portanto, não entrar na faculdade significa ser passado para trás e distanciar-se dos amigos que conseguiram avançar. O paulista Luiz Frederico Martins, de 19 anos, está preocupadíssimo em passar na segunda tentativa no vestibular de medicina, porque todos os seus amigos entraram no primeiro exame, enquanto ele fracassava no teste. "Perdi o contato com eles, mesmo porque não tenho mais assunto. Eles conversam como gente normal, eu só falo e só penso nas perguntas da prova." A socióloga Gisela Taschner, da Fundação Getúlio Vargas, define a prova com bastante clareza: "O vestibular cumpre uma função extra, além de selecionar os alunos. Ele é um ritual de passagem, como aqueles que, nas tribos indígenas, servem para indicar que o indivíduo abandonou a infância e entrou no mundo dos adultos".

O brasiliense Raphael, que não passou no teste simulado: madrugadas regadas a guaraná em pó
educacao9.jpg (15247 bytes)

educacao8.jpg (14370 bytes)
Fotos: Ana Araujo


 

De olho na ansiedade

Este teste foi elaborado pelo psiquiatra Henrique Schützer Del Nero, coordenador do grupo de ciência cognitiva do Instituto de Estudos Avançados, da Universidade de São Paulo, para avaliar o grau de ansiedade em pessoas submetidas a stress psicológico. O autor avisa que ele não é um diagnóstico médico, e, sim, uma indicação do estado em que o candidato se encontra às vésperas do exame. Dependendo do resultado, porém, é recomendável procurar orientação médica. Responda a cada uma das treze perguntas abaixo, lembrando se você sentiu algum dos sintomas nas últimas duas a quatro semanas. Faça um X nas alternativas 0, 1 ou 2. Marque 0 se a resposta for "não". Marque 1 se a resposta for "eventualmente" ou "às vezes". Marque 2 se a resposta for um "sim" categórico. Ao terminar, some os pontos obtidos e confira o resultado



















RESULTADO

De 0 a 8 pontos: Fique tranqüilo. Você até pode demonstrar alguma ansiedade, mas nada com que deva preocupar-se.

De 9 a 15 pontos: Aqui se concentra a maior parte dos candidatos a uma vaga na faculdade, sobretudo às vésperas da prova. Nessa faixa, mudanças de comportamento podem funcionar como uma espécie de válvula de escape para proteger o aluno contra a ansiedade exagerada, o que é bom. Mas você pode estar também à beira de um ataque de nervos. Se possível, tente descansar um pouco mais, evite fumar muito, diminua a quantidade de café, chá preto, refrigerantes do tipo cola e as bebidas alcoólicas. Em uma ou duas semanas, repita o teste. Se o número de pontos for menor, tudo bem. Se for igual ou maior, pode ser a hora de procurar a ajuda de um médico.

De 16 a 26 pontos: A proximidade da prova pode ter aumentado seu grau de ansiedade para muito além do normal, e isso é péssimo para quem precisa estar tranqüilo na hora dos exames. Em casos assim, o mais recomendável é procurar orientação médica. Muitas vezes, uma simples conversa com um profissional pode melhorar seu equilíbrio emocional.

 

 


Como ajudar seus filhos

educacao12.jpg (20541 bytes)
Fotos: Antonio Milena
Encontro de pais no Colégio Bandeirantes, em São Paulo: diálogo de gerações

Quem tem filho ou irmão fazendo vestibular já sabe. A casa inteira acaba se envolvendo na prova. Pai e mãe entram em tamanha aflição que até parece que eles é que são os candidatos a uma vaga na faculdade. Calma! O nervosismo dos mais velhos atrapalha. Aumenta a tensão, o medo, a expectativa como se a cobrança que o vestibulando faz dele mesmo já não fosse suficiente para tornar sua vida um inferno. Abaixo, alguns conselhos que ajudarão os pais a não aumentar a ansiedade dos filhos:

Nada de marcação. Os pais tendem a liberar sua ansiedade por meio de censura ou cobrança. De nada adianta ficar martelando que o rapaz ou a moça deveria estudar mais. O interesse pelos estudos é uma coisa complexa que se desenvolve a partir de muitos fatores, entre os quais o próprio exemplo dos pais, o ambiente na escola, as pressões exercidas pelo grupo social, o temperamento e a ambição de cada um. É um equívoco imaginar que alguém possa transformar-se em um aluno esforçado só porque papai e mamãe, tomados por súbita ansiedade, começam a agir como sargento. Evite perguntar a todo momento se o jovem está comendo bem, se está dormindo o bastante. Pode parecer demonstração de afeto, mas só enerva.

Cartaz feito por aluno sobre a cobrança familiar: angústia educacao13.jpg (20217 bytes)

Não se meta a professor. Não há nada mais irritante para um candidato do que ficar sendo submetido a testes fora de hora. Os pais devem evitar fazer a checagem diária do conhecimento dos filhos. Também é contraproducente tentar ensinar na última hora aquilo que o filho não conseguiu ou não quis aprender em meses de preparação para o vestibular. É mais útil tornar o ambiente doméstico um lugar acolhedor. O momento é de proteção.

Mude de assunto. Se todos na família estão envolvidos com os exames, é natural que esse seja o assunto dominante em casa. Nem poderia ser diferente. Mas tenha a sensibilidade de falar sobre outros assuntos de interesse de seu filho ou filha.

Leve-o para passear. Uma boa idéia é surpreender o filho candidato com um convite para jantar fora ou ir ao cinema. É uma forma de mostrar que ele tem aliados dentro de casa.

Não se faça de vítima. Muitos pais não resistem e dão um jeito de lembrar que se sacrificaram financeiramente para dar boa escola ao filho e, agora, esperam a retribuição de seu esforço com a vitória no vestibular. Alguns adolescentes entram em pânico. Os pais colocam os filhos na escola porque sabem que esse é o seu dever. Culturalmente, não está estabelecido que os jovens devem pagar o investimento em algum momento de sua vida. A exigência nesse sentido é um fardo a mais para o jovem.

Não chantageie seu filho. O velho discurso do "se você entrar na faculdade ganha um carro ou uma viagem para o exterior" é dos mais catastróficos. O que deveria servir de incentivo se transforma em fonte inesgotável de nervosismo.

Respeite os limites de seu filho. Quando o candidato é reprovado, isso já é punição suficiente. Não aumente o martírio do seu filho com bobagens do tipo "Eu não falei?" Nenhuma reação negativa de sua parte mudará o passado, mas pode ser determinante para o futuro. Tente analisar com ele o que houve de errado.

Vestibular em São Paulo,
na semana passada:
concorrência feroz
educacao17.jpg (18957 bytes)

Karina Pastore

Com reportagem de Daniela Pinheiro, de Brasília, Cândida Silva, de Salvador, Rachel Verano, de Minas Gerais, Alexandre Oltramari, de Porto Alegre e Daniel Nunes Gonçalves, de São Paulo



Copyright © 1997, Abril S.A.

 
 
voltar



VEJA on-line | VEJA Educação
copyright © 2001 - Editora Abril S.A. - todos os direitos reservados