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ESCRAVOS DA ANGÚSTIA
Na reta final do vestibular,
os jovens se apavoram
com a idéia de fracassar e vivem sob tensão
Valéria França e
Roberta Paixão


Fotos: Antonio Milena/Frederic Jean/Egberto
Nogueira/Ana Araujo
O professor
Claudio Vicentino estava dando mais uma aula de história no cursinho
Anglo, em São Paulo, quando viu dois alunos batendo um papo animado.
Foi aí que ele proferiu a frase que cortou o ar pesado da sala como
se fosse uma faca. "Vocês querem perder mais um ano da vida
se preparando para o vestibular?", gritou. "Quem fica
de salto alto, achando que sabe muito, não chega a lugar nenhum.
Vocês sabiam que Hitler prestou o vestibular duas vezes para arquitetura
e não passou? Viu no que deu, né..." Na sala, cujas janelas
estão cobertas por compensado para que os alunos não se distraiam
olhando a paisagem, todos ficaram em silêncio. Nem a referência
a Hitler, que na verdade tentou belas-artes e não arquitetura, foi
levada na galhofa. Cursinho é assim. Os alunos de repente começam
a encarar as coisas mais a sério. Estão aterrorizados pelo fantasma
do vestibular. No colégio, o professor que chega falando em salto
alto só consegue melhorar o humor dos estudantes. No cursinho, ele
é capaz de mexer com angústias que estão à flor da pele.
Essa sensação de insegurança
que cerca os candidatos ao vestibular está sendo experimentada neste
ano por 2,8 milhões de jovens que concorrerão a 616.000 vagas nas
faculdades e universidades brasileiras. No Rio de Janeiro, a estudante
Viviane Kunisawa, de 17 anos, afirma que não consegue pensar em
outra coisa além de vestibular, não importa a hora do dia ou da
noite. Engordou 8 quilos de tanto comer chocolates nas madrugadas
de estudo. Concentrada na prova para economia que se aproxima, ela
abandonou as aulas de natação, tênis de mesa e vôlei para ter mais
tempo de ficar com os livros. É a primeira aluna da classe, mas
sua auto-estima está em frangalhos. "Morro de medo de zerar
em biologia", diz Viviane, que por duas vezes já molhou as
páginas dos livros em crises de choro. Em Brasília, no apartamento
de Raphael Matias, de 18 anos, as luzes também ficam acesas até
tarde. Aprovado por antecipação em todas as matérias do colégio,
ele parece não ter motivo para temer o vestibular para administração
de empresas. Só que em julho passado, apenas por experiência, ele
se submeteu a um teste simulado e não passou. Esqueceu, então, as aulas de pólo aquático,
jiu-jítsu e inglês, abandonou as corridas de kart e agora encara
as madrugadas de estudo à base de guaraná em pó, vitaminas, Coca-Cola
e capuccino. A história se repete na casa da baiana Samai Cunha,
de 20 anos, que tentará uma vaga em medicina pela terceira vez.
No início do ano, ao saber que não passara no vestibular, entrou
em depressão, perdeu quase 10 quilos e apresentou um problema de
queda de cabelos que os médicos identificaram como psicossomático.
Agora, com a ajuda de um analista e comprimidos antidepressivos,
ela se prepara para outra rodada.
Várias tentativas
Passar no
vestibular sempre foi um problema, mas a concorrência por uma vaga
na faculdade ficou pesada demais. Em 1975, havia 2,2 candidatos
por vaga, em média. Hoje, existem 4,6 mais do que o dobro. Isso acontece porque
o número de candidatos cresce barbaramente, mas a oferta de vagas
avança num ritmo bem menor. Na Universidade Estadual de Londrina,
os candidatos a medicina triplicaram em dez anos, para um número
de vagas que permaneceu estável. Na Universidade de Brasília, a
procura pelo curso de direito cresceu sete vezes em vinte anos.
Na Universidade de Viçosa, de Minas Gerais, que tem um dos cursos
de veterinária mais concorridos do Brasil, a relação entre candidatos
e vagas subiu de 33 para 45 nos últimos cinco anos. Resultado: fica
cada vez mais difícil entrar na primeira tentativa. Segundo um levantamento
da Fuvest, a fundação que organiza o vestibular da Universidade
de São Paulo e de outras três entidades de ensino superior, 60%
dos aprovados nos vestibulares que organiza só conseguiram entrar
na faculdade depois de duas, três ou quatro tentativas.
Quando aumenta o número dos
que disputam a mesma vaga, sobe a nota de corte das provas
aquela pontuação mínima para seguir em frente. Na Fuvest, as notas
de corte dos cursos mais disputados aumentaram em média 11% em dois
anos. Na Universidade Federal do Paraná, a menor nota exigida no
último vestibular para odontologia, 5,6, não seria suficiente para
a aprovação neste ano, quando se precisará de pelo menos 6,6. Pressionados
pelas dificuldades crescentes, os candidatos estão se preparando
com maior cuidado, o que só contribui para tornar a disputa ainda
mais árdua. Nos dois últimos anos, o índice de acerto na primeira
fase em jornalismo na Universidade de São Paulo saltou de 50% para
58%. "Como não dá para conhecer o nível da concorrência, é
bom garantir estudando muito", raciocina o mineiro Daniel Sartini
Leonardo, de 18 anos, que quer ser engenheiro. Por garantia, matriculou-se
em três cursinhos diferentes com o objetivo de freqüentar as aulas
do melhor professor de cada matéria. Daniel estuda catorze horas
por dia e abdicou da vida social. Quando se aproxima a hora do vestibular,
o candidato se torna um obsessivo. Está diante do primeiro grande
teste de sua vida adulta, um momento de vitória ou derrota que não
significa apenas um ano a mais de aulas no cursinho. Sente que será
julgado pelo desempenho nas provas e, talvez mais complicado ainda, ele mesmo se julgará
a partir do resultado que conseguir. É injusto e cruel. Examinado
a distância, o vestibular não tem tanta importância como imaginam
os candidatos que a ele se submetem, mas eles estão de tal forma
envolvidos pelo clima da competição que dramatizam as coisas. Imerso
numa espécie de universo paralelo, o estudante tende a dividir as
pessoas em duas categorias, a dos vestibulandos e a dos não vestibulandos.
Tudo o que interessa gira em torno do primeiro grupo. O resto é
apenas o resto. Nesse segundo batalhão, meio indistinto e cinzento,
os personagens mais visíveis são os pais do candidato. O estudante
está com os nervos excitados porque dorme menos, concentra-se mais
em assuntos pesados e deixou de ter suas horas de lazer. As primeiras
pessoas com quem se indispõe são geralmente eles mesmos, os pais,
que também estão apreensivos com o resultado do filho no vestibular
e tendem a ficar mais implicantes. Sobram também alguns tiros para
amigos, irmãos e namorados.
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O mineiro Daniel, aflito com
a concorrência em engenharia: três cursinhos ao mesmo tempo
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| Foto: Eugenio Savio |
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Fim do namoro
A estudante
gaúcha Marina Dornelles Camargo, 16 anos, matriculou-se em um cursinho
em agosto e passou a estudar como alucinada para concorrer a uma
vaga no curso de arquitetura. Só conseguia ver o namorado no final
de semana. "Ele ia jantar lá em casa e eu dormia em cima da
mesa", lembra ela. O resultado foi o fim de um namoro de três
anos. Por causa dos estudos, Marina também abandonou as aulas de
natação, que praticava três vezes por semana desde os 10 anos. Para
completar, ficou com anemia. "O médico disse que eu precisava
de uma alimentação balanceada, mas eu mal tenho tempo para engolir
a comida", exagera. Djalmira Dornelles, mãe de Marina, até
já se habituou com a agenda da filha. À noite, antes de dormir,
ela passa pelo quarto da moça para removê-la, adormecida, de cima
dos livros e depositá-la na cama.
Entre os vestibulandos, outro
grande problema é o vizinho de cadeira, aquele estudante que se
senta ao lado na escola ou no cursinho e que, como ele, também quer
uma vaga na faculdade. Como 45% dos inscritos querem estudar medicina,
direito, administração ou engenharia, é alta a chance de dois estudantes
que se sentam juntos serem concorrentes. "Os alunos não são
amigos. Não se ajudam nem na hora dos exercícios. Para eles, o vizinho
é um adversário", diz o professor de biologia Dan Pinsetta,
de São Paulo. Nos cursinhos, onde essa relação de concorrência com
o vizinho é maior que na escola, a tensão pré-vestibular é assustadora.
É freqüente que os alunos gritem "Aula!" quando o professor
faz uma gracinha. Ninguém quer perder tempo. "Enquanto você
está aqui tem um japonês estudando", diz uma inscrição deixada
na parede do banheiro de um cursinho no Paraná. É uma piada, mas
serve para mostrar como os candidatos não conseguem pensar em outra
coisa. Até o humor tem a angústia do vestibular como fundamento.
"O vestibular é uma das três grandes causas de stress na sociedade.
As outras duas são morte de parente e desemprego", diz o psiquiatra
Henrique Schützer Del Nero, do Instituto de Pesquisas Avançadas
da Universidade de São Paulo.
Luxo de elite
O vestibular
é mais que um exame. Enquanto está no colégio, o aluno até pode
ir mal numa prova, pois o que conta é sua média anual. Com o vestibular,
não. Quem for mal sabe que só terá outra chance dali a um ano. Como
se não bastasse, o teste resume os conhecimentos de uma vida de
estudo num único dia. Ou seja, os oito anos do 1º grau e os três
do 2º grau são aferidos num domingo, e qualquer dor de cabeça ou
indisposição estomacal pode destroçar o desempenho. Só avança para
a segunda fase das provas, a dos exames escritos, quem ultrapassa
a barreira dos testes de múltipla escolha. É um tipo de avaliação
perversa em que agilidade pode contar mais que conhecimento. Um
candidato que conhece todas as respostas mas precisaria de quinze
minutos a mais do que o tempo regulamentar para assinalá-las arrisca-se
a perder a vaga para alguém com menos conhecimento mas capaz de
entender-se melhor com o relógio. Nos Estados Unidos e na Inglaterra,
há um teste depois do 2º grau, mas a avaliação depende de várias
outras coisas, entre elas o histórico escolar, cartas de recomendação
e o resultado de entrevistas na universidade. Nada é resolvido apenas
numa tarde quente de domingo, como no Brasil. Na França, quem conclui
o 2º grau tem direito à faculdade desde que seja capaz de agüentar
o ritmo puxado dos estudos superiores, responsável pelo abandono
do curso por mais da metade dos matriculados. Isso é muito diferente
dessa tourada anual que exclui tantos jovens da faculdade.
O problema adquire contornos
mais carregados quando se examina o papel da faculdade na expectativa
profissional dos jovens. No início do século, universidade no Brasil
era um luxo da elite. Em 1960, somente 1% da população possuía curso
superior. Com a industrialização do país, esse perfil mudou. "A
faculdade, hoje, é a tábua de salvação das famílias de classe média,
que não conseguem acumular benc e `recisam recompor seu patrimônio
a cada geração", explica a socióloga Gisela Taschner, da Fundação
Getúlio Vargas, de São Paulo. Atualmente, 8% dos brasileiros possuem
diploma universitário. "A universidade é valorizada porque,
no mundo de hoje, o capital do cidadão médio é sua escolaridade",
completa Gisela. Para as famílias que se equilibram com dificuldade
entre a prestação da casa e a possibilidade de trocar de carro no
final do ano, a faculdade dos filhos é o único patrimônio que se
pode deixar. Para os filhos das famílias humildes, o diploma é uma
das poucas esperanças de ascensão social.
A estudante Jordana Costa Soares,
21 anos, moradora de Osasco, cidade localizada na periferia de São
Paulo, prestou no ano passado vestibular para fonoaudiologia na
Pontifícia Universidade Católica, particular, e na Universidade
de São Paulo, pública. Passou apenas na primeira e, por falta de
dinheiro para bancar o curso, teve de se conformar com mais um ano
de espera. "Meus pais não podem pagar uma mensalidade de 730
reais. Que alternativa eu tenho senão esperar?", lamenta. A
preocupação de Jordana, desta vez, é controlar os nervos. Ela acredita
que só não foi aprovada na Fuvest porque tremeu na base, e não quer
repetir o erro. "Fico muito encucada com meus pais. Eles não
me cobram nada, mas fico sempre com a sensação de que devo algo
à minha família. Sei que eles fazem muito sacrifício para pagar
o cursinho e penso no que pode acontecer se eu falhar novamente."
De todas as vagas abertas nas universidades brasileiras, 75% estão
em escolas privadas. E nas públicas, geralmente melhores, a maioria
dos aprovados é de classe média ou alta. Na Fuvest, 65% dos aprovados
em 1997 estudaram em colégios particulares, 62% possuem computador
em casa e 55% são filhos de pais com curso superior.
Carro de presente
A preocupação
com a família, com o que "eles" vão pensar, é um dos grandes
motores de stress pré-vestibular. E cada um trabalha isso como pode.
Alguns pais tentam ajudar estudando com os filhos, outros cobram
desempenho com fervor e um terceiro grupo prefere acompanhar a crise
deles a distância, com medo de atrapalhar. Mas nenhum pai toma essas
decisões com segurança (veja quadro). A família de Ana Carolina Smith, de 18
anos, candidata a uma vaga no curso de direito em São Paulo, mobilizou-se
para apoiá-la. A mãe dispensou sua ajuda em tarefas domésticas,
os irmãos foram proibidos de incomodá-la quando ela estiver estudando
e ficaram suspensas as viagens do clã para o litoral nos finais
de semana. Mesmo assim, Ana não consegue concentrar-se no estudo.
Às vezes chega em casa cansada e passa boa parte do dia ouvindo
música. Ou interrompe o exercício de matemática para descrever na
sua agenda as angústias que sente em relação ao namorado ou ao vestibular.
"Não tenho mais sossego. Agora, quando tenho tempo livre, sou
obrigada a estudar", reclama Ana Carolina Smith. No último
simulado que fez, ela acertou apenas 30% das perguntas, bem abaixo
da média necessária. "Fiz o 2º grau em um colégio meio fraco.
Mas não imaginava que era tanto assim", protesta, entre as
dezenas de ursos de pelúcia que se amontoam em seu quarto.
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A paulistana
Ana Carolina em seu quarto, entre os bichos de pelúcia: "Não
tenho mais sossego" |
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| Foto: Egberto Nogueira |
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Em Natal, há duas semanas, os
pais de vestibulandos pagaram para que seus filhos fossem assistir
a uma palestra do mestre da auto-ajuda Lair Ribeiro, que reuniu
8.000 jovens num ginásio de esportes. Lair Ribeiro lançou em abril
o livro Como Passar no Vestibular, uma coleção de conselhos
para injetar autoconfiança nos estudantes. Vendeu 80.000 exemplares
em seis meses. Na palestra, repetiu seus conselhos otimistas. "Seja
ambicioso, faça sua mira na Lua. Se você errar, ainda vai estar
entre as estrelas", disse Ribeiro. Para a maioria, o otimismo
não parece ser suficiente. A pedagoga carioca Maria Ester de Souto
Wanderley paga 2,30 reais por hora de estudo do filho Clóvis, de
19 anos, que quer ser economista. Com o incentivo, ele passou a
estudar quatro horas por dia e engordou a mesada em 150 reais. Além
do prêmio por hora, Clóvis tem no horizonte uma boa bonificação.
"Se eu passar, ganho um Vectra", diz, com os olhos brilhando.
"Os adolescentes de hoje são filhos de pais liberais, incapazes
de dizer não", diz a educadora Tânia Zagury, do Rio de Janeiro,
especialista em lidar com adolescentes. "Esses jovens não foram
programados para sofrer frustração. Por isso o vestibular é tão
assustador para eles. No vestibular, qualquer jovem corre o risco
de ouvir um não", acrescenta Tânia.

Lair Ribeiro, o papa da auto-ajuda,
investe no mercado: 80.000 livros vendidos |
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Foto: Paulo Francisco |
"Ritual de passagem"
Para combater
a ansiedade em casa, um colégio tradicional de São Paulo, o Bandeirantes,
campeão em aprovação em vestibular, implantou um programa de acompanhamento
psicológico para alunos e pais às vésperas do exame. Num final de
semana, reúne os alunos e, por meio de conversa, confecção de cartazes
e vídeos, discute com eles suas tensões e angústias. No outro fim
de semana, os pais são chamados a discutir o estado emocional dos
filhos. A pressão psicológica sofrida por jovens e adultos é mais
do que compreensível. Até os anos 60, entrar na faculdade era um
prêmio extra para um número relativamente restrito de jovens. Para
a classe média, o 2º grau era aceitável. Atualmente, uma parcela
crescente da classe média sente-se obrigada a cursar uma faculdade,
como quem fazia o ginásio no passado. Até para exercer cargos burocráticos
nos departamentos administrativos das empresas já se recomenda um
diploma em curso superior. Para os melhores cargos, o critério de
desempate entre os candidatos já começa a ser o mestrado ou o doutorado.
Portanto, não entrar na faculdade significa ser passado para trás
e distanciar-se dos amigos que conseguiram
avançar. O paulista Luiz Frederico Martins, de 19 anos, está preocupadíssimo
em passar na segunda tentativa no vestibular de medicina, porque
todos os seus amigos entraram no primeiro exame, enquanto ele fracassava
no teste. "Perdi o contato com eles, mesmo porque não tenho
mais assunto. Eles conversam como gente normal, eu só falo e só
penso nas perguntas da prova." A socióloga Gisela Taschner,
da Fundação Getúlio Vargas, define a prova com bastante clareza:
"O vestibular cumpre uma função extra, além de selecionar os
alunos. Ele é um ritual de passagem, como aqueles que, nas tribos
indígenas, servem para indicar que o indivíduo abandonou a infância
e entrou no mundo dos adultos".
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O brasiliense
Raphael, que não passou no teste simulado: madrugadas
regadas a guaraná em pó
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Fotos: Ana Araujo |
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