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Adorável
selva
de brinquedos
Como
escolher o produto mais
adequado a cada faixa etária
das crianças, de zero a 12 anos

Cláudia
Granadeiro
Montagem sobre fotos de Celia Saito,
Pedro Rubens, Mari Queiroz, Jorge Butsuem, Marcelo Zocchio,
Eduardo Pozella, Luis Gomes, Marlos Bakker, Felipe Reis, Fernando
Lemos e divulgação
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Nas
prateleiras das lojas de brinquedo do Brasil há cerca de
4.200 tipos de produto à disposição
dos consumidores, quase metade dos 10.000
itens disponíveis em todo o mundo, segundo estimativas das
indústrias do setor. Não é de estranhar, portanto,
que os pais tenham dúvida na hora de escolher um presente
para o filho. Ou de saber se devem atender a um pedido insistente
para que comprem uma novidade, daquelas que eles talvez ainda nem
tenham ouvido falar, mas já viraram mania entre a garotada
na escola. Inspirada em experiências internacionais e com
o apoio de psicólogos e pediatras, a Associação
Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq) tem um guia destinado
às empresas associadas cujo teor contém recomendações
úteis também às famílias.
De
acordo com a cartilha, em primeiro lugar, os pais devem certificar-se
de que o brinquedo seja adequado à idade, para que o envolvimento
na brincadeira possa ser proveitoso e prazeroso. Embora a idéia
pareça óbvia, mesmo para os pediatras e pedagogos
pode haver dificuldade em casar a melhor opção de
brinquedo com fases diferentes do desenvolvimento físico
e psicológico, particularmente diante de uma indústria
detentora de um marketing agressivo e muita presença na televisão.
Em linhas gerais, os especialistas identificam cinco faixas etárias,
correspondentes a níveis progressivos na capacidade locomotora,
no movimento dos membros e no avanço da escolarização
(confira no quadro). A indicação da faixa etária,
entretanto, é uma referência importante, mas não
exclusiva. É necessário levar em conta os traços
pessoais de cada um e as preferências que costumam demonstrar,
segundo o presidente da Abrinq, Synésio Batista da Costa.
Os
aspectos de segurança são importantes em todas as
idades, mas a atenção deve ser redobrada até
os 6 anos. É preciso tirar e desfazer todas as embalagens
de um brinquedo antes de o dar a uma criança pequena, tomar
cuidado com peças de menor tamanho, evitar cordas e tiras.
"Infelizmente, o brinquedo oferece um risco real", afirma o toxicologista
Anthony Wong, do Instituto da Criança de São Paulo.
Não são raros os casos de acidentes que acabam num
hospital e até em mesa de cirurgia. De acordo com Wong, os
pais costumam ceder aos apelos do visual na hora de adquirir o produto,
sem observar os fatores de segurança. Uma regra de ouro é
verificar, no momento da compra, a existência do selo Inmetro,
um certificado do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização
e Qualidade Industrial que confirma que o produto passou por testes
de laboratório.
Com
o aprendizado da leitura e escrita, a criança pula para um
estágio de desenvolvimento avançado, dos 6 aos 9 anos,
quando passa a ser encarada como mais responsável por suas
atitudes e começa a mostrar sua individualidade e personalidade.
Para os pais, contudo, essa fase pode ser sinônimo de dor
de cabeça quanto aos brinquedos. No sexo masculino, o interesse
é grande por revólveres, espadas, metralhadoras, um
arsenal reluzente e barulhento que se associa às lutas marciais
e aos jogos de combate. Como pano de fundo, há sempre a polêmica
que opõe os partidários da proibição
de armas de brinquedo e os que não têm restrições
a elas. Autor do livro Psicologia da Agressividade, o psicólogo
Jacob Pinheiro Goldberg aconselha os pais a não tomar posições
extremadas. Segundo ele, passar um conceito de pacifismo radical
pode despreparar a criança para a competição
e o trato com a violência no mundo real. "Permita a arma de
brinquedo sem estimular seu uso de forma permanente", aconselha
o psicólogo. Os pais devem conversar com os filhos e falar
sobre as conseqüências de um tiro na vida real. A experiência
de Goldberg mostra que boa parte das crianças, quando esclarecidas
sobre seus efeitos, deixa de se sentir tão atraída
por esses brinquedos. Sobre isso, a Abrinq tem diretrizes para quem
fabrica esse tipo de produto. A recomendação é
apelar para a fantasia: a arma de verdade e a imitação
devem ter tamanhos diferentes, além de uma cor que não
deixe margem à confusão (branca, vermelha, laranja,
amarela, roxa ou rosa).
A
questão da violência permanecerá quando chegar
a idade dos 9 aos 12 anos, agora com a febre dos jogos eletrônicos
e do videogame. No caso, os pais devem observar os limites de idade,
que aparecem nas embalagens sob forma de selo, seguindo normas do
Conselho de Classificação dos Softwares de Entretenimento,
dos Estados Unidos. Os especialistas fazem restrições
também ao número de horas dedicadas ao divertimento
tecnológico, que não deve passar de uma por dia. "É
muito fácil confinar a criança no apartamento, em
frente a uma telinha, mas as brincadeiras ao ar livre não
podem ser abandonadas", prega a ludoeducadora Claudia Amalfi Marques.
Para Odair Furtado, professor do departamento de psicologia social
da Pontifícia Universidade Católica de São
Paulo (PUC), os pais devem ser alertados para que não produzam
"robozinhos pouco criativos". Longe de recriminar os avanços
da tecnologia, Furtado lamenta o estímulo à individualidade
excessiva da criança e a falta de participação
dos pais, preocupação endossada pela pedagoga Maria
Angela Barbato Carneiro, da área de política de educação
infantil da PUC. "As trocas afetivas são fundamentais", afirma
Maria Angela. Tão bom quanto acertar no brinquedo para o
filho é você reservar uma parte do tempo para estar
junto dele na hora da diversão.

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