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O garoto Patrick Luna, de 14 anos, fala e escreve em inglês, alemão e português, sua língua natal. No ano que vem, ingressa no curso de comércio exterior de seu colégio, em que vai aprender também o espanhol. "Já sairei poliglota da escola", garante o aluno da 8ª série do Colégio Visconde de Porto Seguro, de São Paulo. Patrick é um estudante globalizado. Ao se formar, estará capacitado a continuar os estudos e a trabalhar aqui e no exterior. A busca por esse tipo de formação, oferecida por escolas bilíngües que adotam simultaneamente currículos do Brasil e de países como Estados Unidos, Itália, Alemanha, França, Espanha e Suíça, é cada vez maior. Uma das vantagens é que os diplomas são válidos tanto aqui quanto nesses países. Estima-se que atualmente 25.000 estudantes estejam matriculados nas mais de trinta escolas bilíngües existentes no Brasil número cinco vezes superior ao de dez anos atrás. A escola em que Patrick estuda, fundada em 1878, por imigrantes alemães, inaugurou sua terceira unidade no ano passado, para atender ao aumento da demanda. Outra instituição tradicional de São Paulo, a Associação Escola Graduada, de inspiração americana, tem 400 crianças na fila de espera por uma vaga. "A procura por vaga nos últimos meses foi tão grande que tivemos de suspender a propaganda", afirma Aldo Diritti, superintendente da escola ítalo-brasileira Fundação Torino, de Belo Horizonte. Há dois anos, a Fundação adquiriu uma área de 16.000 metros quadrados, onde está construindo um centro educacional, para aumentar sua capacidade dos atuais 550 alunos para 2.000.
Astronomia A maioria das escolas bilíngües surgiu para educar filhos de imigrantes e de executivos de outros países deslocados para trabalhar no Brasil. Com o tempo, o perfil dos estudantes mudou. Na Fundação Torino, por exemplo, 85% dos alunos são brasileiros. A principal atração nas instituições bilíngües é a abrangência curricular. Na Torino, os alunos aprendem as primeiras palavras do idioma italiano já no maternal. Da 6ª série ao 2º grau, aprofundam-se no estudo do inglês e têm aula de disciplinas que geralmente não veriam em escolas convencionais, como latim, história e literatura italianas, educação musical, geografia astronômica e filosofia. O 2º grau é feito em quatro anos, um a mais que nas escolas brasileiras. Segundo estimativa das escolas bilíngües, mais de 40% dos alunos que passam por suas carteiras usam o diploma como passaporte para prosseguir os estudos em universidades no exterior. A baiana Lucianna Dannemann, 22 anos, por exemplo, mudou de cidade várias vezes, mas sempre estudou em escolas americanas. Assim que terminou o 2º grau, na Pan Americana da Bahia, Lucianna entrou no curso de comunicação e literatura alemã do Macalester College, dos Estados Unidos. "Essas escolas me tornaram cidadã do mundo", afirma ela, que concluiu os dois cursos superiores em julho passado e conseguiu emprego em um banco de Salvador. O valioso currículo que essas escolas oferecem, no entanto, tem um custo. A mensalidade é mais cara que a dos melhores colégios particulares e, às vezes, se exige o pagamento de uma "jóia" no ato da matrícula, que pode chegar a 7.000 reais. Além disso, o ingresso nem sempre é fácil. Algumas só aceitam calouros até determinada idade, fazem testes, análise de currículo e entrevistas. Em outras, o pretendente precisa submeter-se a um curso preparatório de seis meses antes de começar o ano letivo. José Edward e Cristiane Sanches
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