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A DIÁSPORA DE CÉREBROS
Professores deixam
a universidade pública
e vão para a particular
Joaquim de Carvalho
e Ricardo Balthazar
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| Foto: Antonio Milena |
| Professores titulares da
USP: tradição acadêmica, traje do século XVIII e a maior
crise da universidade pública |
Na cerimônia de posse do economista Jacques Marcovitch
como novo reitor da Universidade de São Paulo, a maior do Brasil,
aconteceu uma cena que provocou mal-estar. "Gostaríamos de
anunciar a presença do magnífico reitor da Universidade de Mogi
das Cruzes, e ex-magnífico reitor da Universidade de São Paulo,
o professor Roberto Leal Lobo e Silva Filho", disse o encarregado
das apresentações. Nem o rigor tradicional das vestes talares, que
todos os membros do Conselho Universitário trajavam, figurino herdado
da Coimbra do século XVIII, escondia a mudança profunda por que
passam as universidades. Alguns dos cérebros mais brilhantes, muitos
dos cientistas mais prolíficos, gente que devotou décadas à busca
do conhecimento e ao ensino de gerações está abandonando a universidade
pública e batendo às portas de escolas particulares as mesmas que até dez anos atrás, em tom
de chacota e desprezo, eram chamadas de "caça-níqueis",
"arapucas" e "pagou-passou". O professor Lobo,
57 anos, um respeitado mestre na área de física, com doutorado e
pós-doutorado em boas escolas dos Estados Unidos, é apenas o nome
mais conhecido entre milhares de talentos que as universidades públicas
estão perdendo, uma tragédia nem imaginada por quase 3 milhões de
vestibulandos que se engalfinham por uma vaga em seus cursos.
"No curto prazo, será o caos. As faculdades públicas
estão se desestruturando, e as particulares ainda não conseguem
oferecer uma alternativa à altura", sentencia a professora
Eunice Durham, aposentada pela USP, consultora do Ministério da
Educação. "Essa migração desmonta grupos de pesquisa armados
ao longo de décadas e tira lideranças importantes do cenário",
acrescenta Abílio Baeta Neves, secretário de ensino superior do
MEC. Nos últimos sete anos, a Universidade de São Paulo, USP, onde
o presidente Fernando Henrique Cardoso se formou, perdeu 782 de
seus 5579 docentes e hoje já convive na área de humanas com um problema
impensável
classes superlotadas, com alunos colocando cadeira no corredor para
conseguir assistir às aulas. A Universidade Estadual de Campinas,
a Unicamp, na qual o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, já
ocupou o cargo de reitor, acusou a baixa de 400 professores nos
seus trinta anos de história, perdendo 170 apenas nos dois últimos
anos. Na Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ, onde o ministro
da Indústria e Comércio, Francisco Dornelles, tirou seu diploma,
o movimento vem se acelerando ano a ano. Em 1996, 281 docentes deixaram
a instituição. Neste ano, já são 320, o equivalente a 10% de todo
o quadro docente. Há dez anos, o número de desligamentos anuais
na UFRJ não passava de 2% do total de docentes. A Universidade de
Brasília, onde o ex-presidente Fernando Collor estudou, também enfrenta
o problema. De janeiro de 1994 a novembro deste ano, 253 professores
saíram de seus quadros.
É uma debandada fácil de entender.
De um lado, existe a aposentadoria integral privilégio que não é oferecido a nenhum trabalhador
da iniciativa privada. De outro, escolas particulares ávidas para
contratar mestres com diplomas, títulos e prestígio acadêmico
até porque aumentaram as exigências legais para abrir uma faculdade.
Antes, bastavam professores graduados. Agora é necessário que pelo
menos 30% tenham no mínimo um curso de mestrado. Por fim, há o arrocho
nos salários. Nas universidades federais, por exemplo, os vencimentos
não são reajustados há três anos, o que provoca uma perda calculada
em 25%. Criadas a partir da década de 30 e mantidas durante muitos
anos como as jóias da elite nacional, as universidades públicas
fizeram todos os presidentes da República, à exceção dos militares
por sua vez formados em colégios mantidos
pelo Exército. Dos 26 ministros do governo Fernando Henrique, dezoito
cursaram escolas públicas e cinco se formaram em particulares. Dos
outros três que restam, um começou na universidade privada, mas
tirou o diploma numa pública
trata-se de Luiz Felipe Lampréia ,
o segundo completou um curso na pública e fez outro numa particular
é Clóvis Carvalho
e o terceiro começou numa pública mas não chegou até a formatura
Raul Jungmann, o único sem curso superior completo.
As universidades públicas possuem seus alunos ilustres, ali os estudantes
vindos de famílias ricas e especialmente cultas têm mais facilidade
de ingresso
justamente porque são mais disputadas ,
mas é um erro pensar que se trata de um abrigo de privilegiados.
Um levantamento com 5.000 estudantes de 38 universidades federais
mostra que 75% dos alunos vivem em famílias em que cada pessoa dispõe,
no máximo, de 240 reais de renda mensal
situação que está longe de marcar um patamar endinheirado.
Soldo de PM
Um professor concursado das universidades federais recebe em início
de carreira 986 reais, quase o mesmo salário pago a um soldado da
Polícia Militar em Brasília. No topo da carreira, com benefícios
relativos ao tempo de serviço, chega a 3600 reais. Nas estaduais
de São Paulo, os vencimentos também estão baixos. Um professor titular
da USP pode receber proventos de até 5500 reais. Em casos raros,
como o do ex-reitor Lobo, a incorporação de gratificações eleva
o salário para 10000 reais. Nessas condições, o afastamento de docentes
das escolas públicas submete-se à lógica do extrato bancário: tão
logo se completa o tempo de serviço trinta anos para homens, 25 para mulheres , entra-se com o pedido de aposentadoria e parte-se
para arrumar outra fonte de renda, dando aulas onde se paga melhor
nas particulares. Essa migração não é necessariamente ruim, pois
acabará elevando o padrão de ensino de faculdades particulares que
respondem pela formação de seis em cada dez estudantes brasileiros.
Mas há um risco: desmontar o pouco de vida acadêmica que o país
conseguiu produzir ao longo deste século.
"O convívio entre a sabedoria
e a experiência dos velhos mestres e a força e a criatividade dos
jovens estudantes é que sempre deu vitalidade à instituição universitária",
lembra o reitor Marcovitch, que acaba de trazer de volta à USP o
professor Antônio Cândido, 79 anos, aposentado há dezoito anos,
na condição de emérito. Esse liame de solidariedade intelectual
entre as gerações é que forma a mentalidade universitária, peça
essencial da cultura de um país. Quem tenha estudado numa universidade
pública na década de 70 lembra-se da amargura que envolvia sábios
como o físico e crítico de arte Mário Schemberg, ou o arquiteto
Villanova Artigas, ou o médico Hildebrando Pereira, ou os sociólogos
Fernando Henrique Cardoso e Octavio Ianni, aposentados compulsoriamente
pelo regime militar. Exilados do convívio de colegas e alunos, eles
transformaram-se em símbolos de uma universidade amordaçada. Seu
retorno era reclamado, primeiro à boca pequena, depois em grandes
assembléias, porque se sabia a falta que eles faziam. Considerava-se
uma violência o seu afastamento porque a carreira universitária
era vista como um projeto de vida, do qual muitos só se desligavam
por morte ou à força da "expulsória", um mecanismo que
obrigava os docentes a sair dos quadros universitários ao completar
70 anos. Continua sendo uma violência a saída de professores de
instituições que, afinal, investiram tanto tempo e tanto dinheiro
público para formá-los, mas eles, agora, evadem-se em alegre
revoada.
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| Foto: Geraldo Guimarães |
| Alunos excedentes Em 1970, as universidades usam
ginásios de esportes (na foto, o Ibirapuera)
para selecionar os candidatos. Nasce assim o vestibular,
e as escolas privadas começam a crescer, para atender alunos
que não encontram lugar na universidade pública |
Para trabalhar vinte horas por
semana na Universidade Federal Fluminense, o professor de filosofia
Leandro Konder ganhava 700 reais por mês. Há alguns meses, depois
de treze anos de carreira, pediu demissão, para se dedicar exclusivamente
à PUC, onde o salário pago pela mesma carga horária era quatro vezes
maior. "O meu lugar, sem dúvida, seria na sala de aula de uma
universidade pública, mas em condições razoáveis de trabalho. Não
desse jeito. É uma falta de respeito com o professor", diz
ele. Ativo pesquisador da poluição das águas, o biólogo Curt Sommer
trocou em julho a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde
trabalhou durante 23 anos, pela Universidade Luterana do Brasil,
Ulbra, instituição criada há menos de dez anos e sem tradição em
pesquisa. "O salário era baixo e já estava tendo de colocar
dinheiro do bolso para realizar minhas pesquisas. Não tive dúvida.
Peguei meu boné e fui embora."
De volta ao divã
Antes disso, Sommer passou pelo departamento pessoal da universidade
e, valendo-se do privilégio de poder aposentar-se aos trinta anos
de serviço e com vencimentos integrais, requereu o direito. Ele
somou ao tempo da UFRGS os sete anos como professor de outras escolas
do interior do Rio Grande do Sul. Hoje, ganha 2.500 reais de aposentadoria
e mais 1.600 reais para lecionar vinte horas na Ulbra. Além disso,
recebe verba das refinarias de petróleo da Petrobrás e Alberto Pasqualini
para desenvolver suas pesquisas. "Nunca pensei em sair da universidade
pública, mas, quando o governo começou a mexer nas regras da aposentadoria,
fiquei com medo de perder o direito adquirido", afirma o professor
de engenharia Nivaldo Lemos Cupini, de 52 anos, ex-superintendente
do Instituto de Tecnologia da Unicamp. Ele foi para a Unimep, de
Piracicaba, onde ganha 5.000 reais por mês para coordenar o curso
de pós-graduação. Para a ex-professora adjunta de história da UFRJ
Philomena Gebran, a decisão de trocar a universidade pública pela
Universidade Severino Sombra, de Vassouras, foi tão difícil que
ela acabou no divã de uma psicanalista. "Sempre disse que só
sairia da universidade com a aposentadoria compulsória, aos 70 anos
de idade, arrastada pelos cabelos. Como não cumpri meu plano, voltei
a fazer análise", afirma.
"Quando o professor está
no auge da sua produção científica, ele se aposenta e ainda conta
como tempo de serviço os anos do mestrado e do doutorado",
diz o ministro da Educação, Paulo Renato Souza. "Isso reduz
a vida útil do professor universitário a menos de vinte anos."
São cada vez mais raros exemplos como o do físico José Goldemberg,
de 69 anos. Ex-reitor da USP, ex-secretário de Educação de São Paulo
e ex-ministro da Educação, ele ainda trabalha na universidade, ocupando
uma modesta salinha do Instituto de Energia. Aposentado, depois
de 44 anos de docência e, ainda assim, porque assumiu o Ministério
da Educação no governo Collor, Goldemberg não recebe um tostão a
mais para continuar trabalhando
se estivesse em casa de pijama, seu contracheque seria exatamente
o mesmo. Convidado a assumir a direção de uma universidade privada,
Goldemberg recusou. "Poderia ganhar muito, mas se aceitasse
o convite passaria a imagem de que o ensino público, ao qual me
dediquei a vida toda, não tem mais jeito e o negócio é faturar.
Seria negar minha carreira", diz.
A agravar a sangria está o fato
de que os salários defasados dificultam a renovação. No final do
ano passado, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul abriu concurso
para um cargo de docente de matemática da computação. Apenas dois
candidatos se inscreveram. No dia da prova, nenhum dos dois apareceu.
Hoje, para não deixar os alunos sem aula, a universidade contratou
um professor substituto, que recebe 700 reais por mês e tem contrato
temporário. Em geral recém-formado, o docente temporário já ocupa
10% das vagas da Universidade Federal de São Carlos e 20% das vagas
da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Até 1990, as duas universidades
não contavam com nenhum substituto em seus quadros.
O mestre e o engraxate
O padrão de excelência que têm os cirurgiões
cardíacos da escola do professor Adib Jatene foi implantado por
um precursor dos transplantes, o grande Euryclides de Jesus Zerbini,
que só em 1982, aos 70 anos, abandonou a tarefa de formar as futuras
gerações na Faculdade de Medicina da USP. Mestres franceses deram
aulas ao sociólogo Florestan Fernandes, que tutelou a formação do
presidente Fernando Henrique. É o trabalho árduo de transmissão
de conhecimentos entre mestres e discípulos que explica por que
algumas instituições conseguiram converter-se em celeiros. E, inclusive,
permitir que membros de fora desse meio tivessem a oportunidade
de forçar a porta de entrada. Florestan, por exemplo, era filho
de uma lavadeira e chegou a ganhar uns trocados como engraxate.
O senador José Serra vem de uma humilde família de feirantes do
bairro da Mooca, em São Paulo, e foi estudante da Politécnica. São
feitos que só se explicam no prazo de gerações. Esse percurso as
particulares estão apenas iniciando, e assim mesmo de forma muito
diferenciada.
Não há por que condenar a criação
de novas escolas num país tão carente delas e numa época em que
até uma secretária leva vantagem ao fazer um curso superior. Nos
Estados Unidos, por exemplo, faculdades de boa qualidade não estão
nas mãos do Estado, tampouco seu ensino é tratado como alimento
para o cofre. Harvard e Columbia foram criadas há mais de 300 anos
por instituições religiosas e sobrevivem de mensalidades caras,
doações milionárias e dinheiro do governo, que arca com um terço
de suas despesas. Não têm fins lucrativos. A Universidade Stanford
foi criada com doações milionárias de uma família da Califórnia.
Para subsidiar a escola, Stanford construiu um shopping center no
município de Palo Alto. No Brasil, a história resvala para o lado
da piada. Uma das maiores universidades privadas do país, a de Guarulhos,
com 8.000 alunos, inverteu a parábola de Stanford: com o dinheiro
das mensalidades dos estudantes, seus proprietários tornaram-se
sócios de um shopping center. Num outro exemplo, uma certa Universidade
Bandeirantes, de São Paulo, faz seus anúncios dos vestibulares exibindo
jogadoras da Seleção Brasileira de Vôlei. Sobre a excelência dos
cursos oferecidos, nada.
A própria Universidade de Mogi
conseguiu o prodígio de ser reprovada em todos os cursos avaliados
pelo provão aplicado pelo MEC. Seus formandos de engenharia civil,
que pagaram 438 reais por mês para se manter na escola, são apenas
regulares. Os bacharéis em direito de Mogi, que estudaram à custa
de um desembolso mensal de 302 reais, e os administradores de empresas,
300 reais, são ruins mesmo. A mesma universidade mantém cursos de
medicina, ao custo para o aluno de 1.150 reais por mês, ainda não
avaliados. Mogi é apenas um exemplo. Nos cursos de administração,
apenas 8% das escolas privadas de todo o país alcançaram o conceito
máximo, expresso pela letra A. Já no âmbito das universidades públicas,
a nota máxima foi obtida por 21% das instituições. Nos cursos de
direito, enquanto só 5% das escolas particulares receberam a média
A, 26% das públicas ficaram com o conceito máximo. Em engenharia
civil, o terceiro curso avaliado, as particulares deram um completo
vexame. Nenhuma delas teve média A, enquanto 21% das universidades
públicas receberam a maior nota.
Preconceito
Transformar a pequena faculdade de fundo de quintal em universidade
é o sonho de dez entre dez empresários do ensino. Além do título
de chanceler que o dono recebe, e do prestígio que a mudança do
nome confere à instituição, vem no pacote a liberdade para criar
e fechar cursos e para aumentar e diminuir o número de vagas, sem
a necessidade do aval do Ministério da Educação. "Este é um
poder fabuloso, pois evita que as faculdades tenham prejuízo",
admite o professor Manoel Gonçalves Ferreira Filho, titular de direito
da USP e ex-presidente do Conselho Federal de Educação, o órgão
que autorizou o funcionamento da maior parte das universidades.
Há um mês, o próprio Ferreira Filho foi contratado para ser o reitor
da Universidade de Guarulhos
a do shopping center por salário cinco vezes maior do que o
da USP, onde ele leciona há mais de trinta anos. Nessa condição,
poderá fechar um curso que tenha poucos alunos ou abrir outro quando
a procura no vestibular for grande. A disputa por esse poder é tão
encarniçada que, há três meses, motivou a estrepitosa saída do filósofo
José Arthur Giannotti da Câmara de Ensino Superior do Conselho Nacional
de Educação. Amigo do peito do presidente Fernando Henrique e conhecedor
invulgar da instituição universitária, Giannotti insurgiu-se contra
a transformação de faculdades pés-de-chinelo em universidades. "Está
difícil elevar os critérios para a criação de universidades num
conselho formado por burocratas", disse Giannotti à época.
Não disse, mas estava subentendido, também submetido a toda espécie
de lobbies.
"É preciso acabar com o
preconceito que existe contra a escola privada de nível superior",
proclama o reitor de Mogi, Roberto Lobo. Ele acredita poder transformar
a universidade que dirige numa escola de verdade no prazo de cinco
anos. Para isso, conta com noventa doutores formados em escolas
públicas. Há três anos, eles eram 36. Antes de 1994, reconhece,
a importância que se dava à qualidade do ensino era nenhuma
nem se contabilizavam os títulos dos professores. O mesmo está acontecendo
com a Faculdade da Cidade, do Rio de Janeiro. Em 1990, ela possuía
apenas dois doutores no corpo docente. Agora, 33. Na Universidade
Luterana do Brasil, a Ulbra, do Rio Grande do Sul, esse número saltou
de 28 para 399. É um aporte de inteligência, competência e talento
que nenhuma dessas instituições teria condições de produzir intramuros.
É também um aporte que custa caro. Mas se os proprietários dessas
escolas resolveram investir nisso, uma boa razão eles têm. O Brasil
passa por uma extraordinária aceleração na demanda por vaga no ensino
superior. De 1990 para cá, o número de matrículas no 2º grau, o
degrau anterior ao da faculdade, passou de 3 milhões para 6 milhões.
Nos próximos anos, muitos desses estudantes estarão com seu diploma
na mão procurando vagas nas faculdades. Como o setor público não
dá sinais de se mexer para abrigar essa clientela o número de vagas não sofre grandes alterações
há dez anos ,
as particulares têm razão em correr para esse imenso mercado. Nos
anos 60, todos os estudantes que prestavam provas de ingresso à
faculdade eram aprovados, mas só um número correspondente ao de
vagas era chamado para fazer a matrícula. O restante, a maior parte,
era classificado como excedente. A pressão dos excluídos por vagas
nos cursos superiores acabou forçando a criação de novas universidades,
públicas e privadas. Consagrou-se um modelo de ensino centrado nas
universidades públicas, o ensino privado no papel de complementar.
É esse modelo que agora se inverte. As particulares ganham primazia
e, dentre elas, há quem pretenda ganhar a guerra oferecendo um ensino
de melhor qualidade, investindo em professores e infra-estrutura.
Essa é a questão. Quando se
verifica que o número de matrículas nas faculdades particulares
cresceu 2.000% de 1960 para cá. As universidades particulares chegaram
ao Brasil para ficar e é bom que, em vez de desprezá-las, se comece
a debater o papel que exercem e como podem participar da educação
da geração que está aí. Um bom começo são as escolas dos países
desenvolvidos. Existem lugares onde quase não existe ensino privado,
como na França e na Itália. Já nos Estados Unidos, são fundações
sem fins lucrativos. Esse dado parece básico: só deram certo escolas
em que a educação era mais importante do que o faturamento. Essa,
aliás, é uma lição que muitos brasileiros já sabem. Existem velhas
e boas escolas particulares, como as PUCs, o Mackenzie, em São Paulo,
e a Cândido Mendes, no Rio, para ficar em poucos exemplos, que costumam
mostrar-se à altura do esforço de seus alunos para pagar as mensalidades.
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| Foto: Frederic Jean |
Foto: Eduardo Albarello |
Roberto Leal Lobo
e Silva Filho |
Manoel Gonçalves
Ferreira Filho |
| Reitor da Universidade de Mogi das Cruzes (SP).
Físico, 57 anos. Ex-professor titular e ex-diretor
do Instituto de Física e Química de São Carlos, da
USP. Reitor da USP de 1990 a 1993. Aposentou-se em
1993 |
Reitor da Universidade de Guarulhos (SP). Advogado,
63 anos. É professor titular da Faculdade de Direito
da USP. Como não é contratado em regime de dedicação
exclusiva, trabalha também em Guarulhos |
| Quanto ganhava:
10.000 reais* |
Quanto ganhava:
3.000 reais* |
Quanto ganha:
25.000 reais*** |
Quanto
ganha:
18.000 reais* |
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| Foto: Antonio Milena |
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| Derblay Galvão |
Darcy Closs |
| Pró-reitor acadêmico da Universidade Cruzeiro
do Sul (SP). Engenheiro agrônomo, 69 anos. Ex-reitor
da Universidade Federal de Santa Maria (RS). Trabalhou
no Ministério da Educação e foi diretor do CNPq |
Vice-reitor da Universidade Anhembi Morumbi (SP).
Geólogo, 64 anos. Ex-professor da Universidade Federal
do Rio Grande do Sul, aposentado em 1993. Ocupou cargos
de direção na Capes e no CNPq |
| Quanto ganhava:
5.000 reais |
Quanto ganhava: 4.500 reais |
Quanto
ganha:
15.000 reais** |
Quanto
ganha:
11.500 reais** |
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| Foto: Frederic Jean |
Foto: Fernando Vivas |
| Isaac Roitman |
Sônia Galvão Couto |
| Diretor de pesquisa e pós-graduação
da Universidade de Mogi das Cruzes (SP). Cirurgião-dentista,
doutor em microbiologia, 58 anos. Ex-professor titular
da Universidade de Brasília, UnB, aposentado em 1995.
Ex-vice-reitor da UnB |
Professora da Universidade Salvador
(BA). Era professora titular de cálculo diferencial
da Universidade Federal da Bahia. Tem 48 anos e aposentou-se
em 1993 |
| Quanto ganhava:
5.000 reais* |
Quanto ganhava:
3.840 reais |
Quanto
ganha:
12.000 reais*** |
Quanto
ganha:
9.140 reais** |
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| Foto: Liane Neves |
Foto: Paulo Jares |
| Dalcídio Moraes Cláudio |
Leandro Konder |
| Coordenador do grupo de matemática
da computação da PUC do Rio Grande do Sul. Matemático,
51 anos. Professor e pesquisador da Universidade Federal
do Rio Grande do Sul, aposentou-se em 1996 com apenas
22 anos de serviço |
Professor da PUC do Rio de Janeiro.
Filósofo, 61 anos. Era professor na Universidade Federal
Fluminense e na PUC. Demitiu-se da federal, teve aumento
na PUC e no valor de sua bolsa do CNPq |
| Quanto ganhava:
4.000 reais |
Quanto ganhava:
4.100 |
| Quanto
ganha: 7.400 reais** |
Quanto
ganha: 4.800 |
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| Foto: Frederic Jean |
Foto: Paulo Jares |
Nivaldo
Lemos Cupini |
Antônio de
Almeida Pinho |
| Professor da Unimep (SP). Engenheiro
mecânico, 52 anos. Ex-superintendente do Instituto
de Tecnologia e da Câmara Curricular da Unicamp. Aposentou-se
em 1995 |
Professor em três faculdades
particulares do Rio de Janeiro. Físico, 55 anos. Doutor
em engenharia de sistemas e computação pela Universidade
Federal do Rio. Aposentou-se em 1994 |
Quanto ganhava:
4.000 reais |
Quanto ganhava:
3.500 reais |
Quanto
ganha:
9.000 reais** |
Quanto
ganha:
6.700 reais** |
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| Foto: Eugenio Savio |
Foto: Ricardo Stuckert |
| Milton do Nascimento |
Eunice Soriano
de Alencar |
| Professor da PUC de Minas Gerais.
Professor de lingüística, aposentou-se na Universidade
Federal de Minas Gerais em 1995. Tem 57 anos |
Professora da Universidade Católica
de Brasília. Psicóloga, 52 anos. Aposentou-se em 1995
na UnB. Foi professora da Universidade Federal de
Minas Gerais |
Quanto ganhava:
2.600 reais |
Quanto ganhava:
4.400 reais |
Quanto
ganha:
6.400 reais** |
Quanto
ganha:
9.700 reais** |
*Estimativa/**Inclui a aposentadoria e o novo salário
|
Com reportagem
de Sandra Brasil, de Brasília, Raquel Almeida,
do Rio de Janeiro, e Alexandre Oltramari, de Porto Alegre

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Copyright © 1997, Abril S.A.
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