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Pois é, chegou a hora. Depois de dois ou três anos como estudante universitário, você acabou de acertar os últimos detalhes para iniciar um estágio profissional nos próximos dias. Anime-se, porque vale a pena. Algum amigo seu pode achar inútil e querer convencê-lo de que fazer estágio numa empresa não é tão importante assim. Vai dizer que o dinheiro é pouco e que você não aprenderá nada de aproveitável para a sua carreira. Tentará mostrar que você corre o risco de ser apenas um ajudante de luxo, bom somente para operar a máquina de fotocópias ou fazer trabalho de mensageiro. E, se nenhum argumento funcionar, dirá que sua chance de efetivação é mínima. São observações tão enraizadas no imaginário do estudante que é de pensar se não é mais interessante ficar tomando chope no bar e deixar para procurar um emprego "de verdade" depois da formatura. Quem pensa assim está enganado. Os estágios não são mais apenas uma imposição burocrática da faculdade, mas uma fonte importante de recrutamento de novos profissionais. É isso, pelo menos, o que dizem os diretores de recursos humanos das grandes empresas e os especialistas em garimpar talentos para os programas de seleção.
O estágio é cada vez mais uma porta de entrada dos jovens para a vida profissional, e o aprendizado vai muito além da simples oportunidade de aplicar os conhecimentos adquiridos nas salas de aula. Tudo é novidade: o relacionamento com pessoas mais velhas, que conhecem na prática a carreira que você escolheu, o ambiente de trabalho e até mesmo a maneira de se dirigir às outras pessoas. "O estudante que passa pela experiência do estágio fica mais maduro e mais seguro", diz Sylvana Rocha, gerente educacional do Centro de Integração Empresa-Escola, Ciee, uma entidade que recebe currículos de estudantes do todo o país e os indica às empresas. "E muitas vezes ele nem percebe que já tem uma vantagem na hora de competir no mercado de trabalho", completa Sylvana.
As empresas estão investindo mais nesses programas, tanto em quantidade como em qualidade. Em 1997 foram preenchidas 85.000 vagas de estágio em todo o país. Neste ano, esse número deve passar de 110.000, incluindo os universitários e os estudantes de cursos profissionalizantes, de acordo com o Ciee. O trabalho do estagiário está ganhando mais importância. As empresas possuem quadros de funcionários cada vez menores, mas essa não é a única explicação. O estudante hoje tem responsabilidades e é encarado como um potencial novo funcionário. "No passado, nossas vagas eram sempre preenchidas por pessoas indicadas por alguém da empresa", diz Délsio Klein, diretor de recursos humanos do Citibank. "Hoje damos preferência aos estagiários ou a quem fez parte do nosso programa." O raciocínio é simples: o estagiário já passou por uma triagem e é uma pessoa que a empresa já conhece e vice-versa. "Mais ou menos 70% dos nossos estagiários conseguem ser efetivados", garante Claudio Piotto, responsável pelo programa da Natura, uma das maiores fabricantes de cosméticos do país. Dado animador, não?
Com reportagem de Priscila Sérvulo
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