Pouco melhor
Aumentam os anos de estudo, mas
qualidade ainda é desafio
Fabio Schivartche
Kiko Ferrite
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Na sala de aula:
o Brasil deu salto
na educação maior que países
ricos,
mas perde para a Argentina
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Quando se fala sobre educação no Brasil,
as primeiras imagens são sempre negativas:
professores mal preparados e desestimulados, estudantes
atrasados, evasão escolar e escolas caindo
aos pedaços. Um relatório da Organização
das Nações Unidas para a Educação,
Ciência e Cultura (Unesco) e da Organização
para Cooperação e Desenvolvimento Econômico
(OCDE) sobre condições de educação
em 45 países, divulgado na terça-feira,
mostra um indicador positivo para o país: o
aumento da expectativa de permanência na escola
entre 1991 e 1997. Foi um salto grande, de 2,7 anos
(aumentou de dez para 12,7 anos), no ensino básico,
maior que o registrado pelas nações
da OCDE, que inclui Estados Unidos e França,
cuja média foi de 2,4 anos. Em números
absolutos, contudo, mesmo se incluído o ensino
superior, ainda estamos atrás até de
nossa vizinha Argentina, cujos alunos têm a
expectativa de estudar por 15,4 anos, a mesma dos
membros da OCDE. O mais preocupante, aponta o relatório,
são os elevados índices de repetência.
O Brasil tem a maior expectativa de repetência
das crianças ao entrar no ensino fundamental
(2,23 anos) entre os dezesseis países subdesenvolvidos
estudados.
Na
última década, registramos um grande
avanço na área educacional com a massificação
do ensino. Em 1991, 89,1% dos jovens entre 7 e 14
anos estavam matriculados no ensino fundamental. Oito
anos depois já eram 95,4%. O desafio agora
é o aperfeiçoamento do ensino. Um bom
caminho pode ser o trilhado em São Paulo, onde
vem sendo reduzida ano a ano a repetência, que
diminui a auto-estima do aluno e tem custo financeiro
gigantesco. Foram implantadas classes de aceleração
e adotados os ciclos, que impedem que os alunos sejam
reprovados em séries intermediárias.
Os resultados são positivos. Em 1995, uma em
cada quatro crianças da 2ª série
do ensino fundamental apresentava defasagem de idade.
Hoje, apenas uma em cada dez está atrasada.
Ainda assim, a situação está
longe de ser confortável. Dos alunos paulistas
matriculados no ensino médio, considerado estratégico
pelo governo, metade tem mais de 17 anos (a idade
máxima ideal), uma pesada herança do
passado. "Se não dermos um salto qualitativo
no ensino médio, vamos perder a competitividade
na América Latina", diz Rose Neubauer, secretária
de Educação do Estado de São
Paulo.
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