Edição 1 639 - 8/3/2000

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Pouco melhor

Aumentam os anos de estudo, mas
qualidade ainda é desafio

Fabio Schivartche

 
Kiko Ferrite

Na sala de aula: o Brasil deu salto
na educação maior que países ricos,
mas perde para a Argentina

Quando se fala sobre educação no Brasil, as primeiras imagens são sempre negativas: professores mal preparados e desestimulados, estudantes atrasados, evasão escolar e escolas caindo aos pedaços. Um relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre condições de educação em 45 países, divulgado na terça-feira, mostra um indicador positivo para o país: o aumento da expectativa de permanência na escola entre 1991 e 1997. Foi um salto grande, de 2,7 anos (aumentou de dez para 12,7 anos), no ensino básico, maior que o registrado pelas nações da OCDE, que inclui Estados Unidos e França, cuja média foi de 2,4 anos. Em números absolutos, contudo, mesmo se incluído o ensino superior, ainda estamos atrás até de nossa vizinha Argentina, cujos alunos têm a expectativa de estudar por 15,4 anos, a mesma dos membros da OCDE. O mais preocupante, aponta o relatório, são os elevados índices de repetência. O Brasil tem a maior expectativa de repetência das crianças ao entrar no ensino fundamental (2,23 anos) entre os dezesseis países subdesenvolvidos estudados.

Na última década, registramos um grande avanço na área educacional com a massificação do ensino. Em 1991, 89,1% dos jovens entre 7 e 14 anos estavam matriculados no ensino fundamental. Oito anos depois já eram 95,4%. O desafio agora é o aperfeiçoamento do ensino. Um bom caminho pode ser o trilhado em São Paulo, onde vem sendo reduzida ano a ano a repetência, que diminui a auto-estima do aluno e tem custo financeiro gigantesco. Foram implantadas classes de aceleração e adotados os ciclos, que impedem que os alunos sejam reprovados em séries intermediárias. Os resultados são positivos. Em 1995, uma em cada quatro crianças da 2ª série do ensino fundamental apresentava defasagem de idade. Hoje, apenas uma em cada dez está atrasada. Ainda assim, a situação está longe de ser confortável. Dos alunos paulistas matriculados no ensino médio, considerado estratégico pelo governo, metade tem mais de 17 anos (a idade máxima ideal), uma pesada herança do passado. "Se não dermos um salto qualitativo no ensino médio, vamos perder a competitividade na América Latina", diz Rose Neubauer, secretária de Educação do Estado de São Paulo.

 

Saiba mais
Da internet
  www.inep.gov.br
  www.unesco.org

 

 


 
 
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