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Edição 1 703 - 6 de junho de 2001
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Essa vaga é minha

Empresas voltam a valorizar os
estagiários universitários e tornam
mais justa a competição entre eles

Fernanda Colavitti


Claudio Rossi

QUEM É
Elisangela Martins
IDADE
22 anos
CURSO
Quarto ano de psicologia na Universidade São Marcos (SP)
LOCAL DO ESTÁGIO
Alcoa (fabricante multinacional de alumínio)
DO CURRÍCULO
Conhecimento de inglês, domínio de informática, freqüentadora de seminários de recursos humanos, leitora regular de livros de psicologia e navegadora contumaz da internet

Com o sucesso recente dos programas de trainees, as grandes empresas passaram a valorizar uma figura antiga no mercado de trabalho. É o estagiário, aquele estudante universitário que muitas firmas aceitam em seus departamentos mas não sabem bem o que fazer com ele, às vezes tratado como um office-boy de luxo. Necessário em diversas áreas para obtenção do registro profissional, com freqüência o estágio não passa de uma relação burocrática entre chefes que fingem ensinar e universitários que fingem aprender. "A tendência agora, entretanto, é de maior investimento nos processos seletivos para admissão de candidatos, bem como uma melhor preparação para recebê-los e integrá-los à rotina das empresas", atesta a consultora Sofia Esteves, diretora da Companhia de Talentos, de São Paulo, com mais de dez anos de atuação no setor de recrutamento de jovens. De um lado do balcão existe uma perspectiva mais ambiciosa e uma aposta em gente muito nova para futuros cargos gerenciais. Do outro lado, há um acirramento na competição pelas vagas oferecidas, à semelhança dos concursos de trainees, nos quais costuma surgir mais disputa que em vestibular.

Para traçar o perfil dessa turma, a Companhia de Talentos acaba de fazer um levantamento com 1.135 candidatos a estágio, que passaram na triagem para uma difícil etapa do processo seletivo, a dinâmica de grupo, no segundo semestre de 2000 (confira os principais dados). Entre as empresas investigadas estão Alcoa, do setor de alumínio, Hewlett-Packard, fabricante de impressoras e outros equipamentos de informática, e Votorantim, em seu ramo de papel e celulose. A maioria dos jovens pode ser dividida em duas frentes. Na primeira há um pelotão de interessados em áreas mais estratégicas relacionadas aos negócios da empresa, como o marketing. Modismo? Pode ser. "Os estudantes associam a carreira ao glamour das propagandas de televisão, sem saber o que vão fazer exatamente no trabalho", explica a psicóloga Paula Oliveira, uma das coordenadoras da pesquisa. O outro esquadrão coloca seu foco mais no aprendizado das técnicas relacionadas com a própria profissão e na informática, pela possibilidade de aplicar o conhecimento adquirido na faculdade. A pesquisa confirma ainda o grande descompasso entre o que as universidades ensinam e o que as empresas esperam do futuro profissional.

Dentre as constatações positivas, destaca-se o fato de que as companhias não estão mais restringindo suas vagas aos alunos das chamadas faculdades de primeira linha, como Universidade de São Paulo, Fundação Getúlio Vargas, Universidade de Campinas ou Pontifícia Universidade Católica. Estudantes de mais de sessenta instituições passaram pelas primeiras triagens. Isso acontece porque as empresas não estão mais preocupadas somente com o pedigree acadêmico, mas com a capacidade real dos estudantes de se sair bem na oportunidade oferecida. É o caso de Márcio Flávio Duarte Lopes, de 22 anos. Ele cursa engenharia de produção na Universidade Paulista (Unip) e foi um dos selecionados entre os 2.500 candidatos que concorreram a uma das 45 vagas de estágio oferecidas pela Votorantim Celulose e Papel, no fim do ano passado. Outro responsável pelo aumento no número de faculdades participantes desses processos seletivos é a internet. Até três anos atrás, as firmas anunciavam suas vagas somente nas escolas mais tradicionais e os alunos de outras instituições nem tomavam conhecimento. Agora, esses estudantes podem entrar no site da companhia, preencher a ficha de inscrição e concorrer em igualdade de condições. Entre os candidatos, a internet é mesmo um fenômeno, com 100% de usuários regulares, dos quais 91% têm computador em casa e 87% utilizaram as fichas eletrônicas para inscrição pela rede. A estudante de psicologia Elisangela Martins, de 22 anos, por exemplo, além de colocar seu currículo em um site de recrutamento, recorreu novamente à rede para coletar informações sobre a Alcoa, quando foi recrutada para o processo seletivo da empresa, no ano passado. Da experiência dos encarregados da seleção e dos próprios selecionados, seguem duas orientações para os candidatos:

pode parecer lugar-comum atualmente, mas o domínio do inglês ajuda a decidir a vaga em seu favor, qualquer que seja a carreira escolhida. Um terceiro idioma aumenta ainda mais as chances;

mostrar interesse e conhecimento sobre a empresa indica que o candidato fez uma escolha consciente. Antes da entrevista, mergulhe com atenção no site da companhia e descubra tudo sobre ela.

 
 

 

 

   
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