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Essa vaga é
minha
Empresas
voltam a valorizar os
estagiários
universitários e tornam
mais justa a competição entre eles
Fernanda
Colavitti
Claudio Rossi
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QUEM
É
Elisangela Martins
IDADE
22 anos
CURSO
Quarto ano de psicologia na Universidade São Marcos (SP)
LOCAL
DO ESTÁGIO
Alcoa (fabricante multinacional de alumínio)
DO
CURRÍCULO
Conhecimento de inglês, domínio de informática,
freqüentadora de seminários de recursos humanos, leitora
regular de livros de psicologia e navegadora contumaz da internet
|
Com
o sucesso recente dos programas de trainees, as grandes empresas passaram
a valorizar uma figura antiga no mercado de trabalho. É o estagiário,
aquele estudante universitário que muitas firmas aceitam em seus
departamentos mas não sabem bem o que fazer com ele, às
vezes tratado como um office-boy de luxo. Necessário em diversas
áreas para obtenção do registro profissional, com
freqüência o estágio não passa de uma relação
burocrática entre chefes que fingem ensinar e universitários
que fingem aprender. "A tendência agora, entretanto, é de
maior investimento nos processos seletivos para admissão de candidatos,
bem como uma melhor preparação para recebê-los e integrá-los
à rotina das empresas", atesta a consultora Sofia Esteves, diretora
da Companhia de Talentos, de São Paulo, com mais de dez anos de
atuação no setor de recrutamento de jovens. De um lado do
balcão existe uma perspectiva mais ambiciosa e uma aposta em gente
muito nova para futuros cargos gerenciais. Do outro lado, há um
acirramento na competição pelas vagas oferecidas, à
semelhança dos concursos de trainees, nos quais costuma surgir
mais disputa que em vestibular.
Para traçar o perfil dessa turma, a Companhia de Talentos acaba
de fazer um levantamento com 1.135 candidatos a estágio, que passaram
na triagem para uma difícil etapa do processo seletivo, a dinâmica
de grupo, no segundo semestre de 2000 (confira
os principais dados).
Entre as empresas investigadas estão Alcoa, do setor de alumínio,
Hewlett-Packard, fabricante de impressoras e outros equipamentos de informática,
e Votorantim, em seu ramo de papel e celulose. A maioria dos jovens pode
ser dividida em duas frentes. Na primeira há um pelotão
de interessados em áreas mais estratégicas relacionadas
aos negócios da empresa, como o marketing. Modismo? Pode ser. "Os
estudantes associam a carreira ao glamour das propagandas de televisão,
sem saber o que vão fazer exatamente no trabalho", explica a psicóloga
Paula Oliveira, uma das coordenadoras da pesquisa. O outro esquadrão
coloca seu foco mais no aprendizado das técnicas relacionadas com
a própria profissão e na informática, pela possibilidade
de aplicar o conhecimento adquirido na faculdade. A pesquisa confirma
ainda o grande descompasso entre o que as universidades ensinam e o que
as empresas esperam do futuro profissional.
Dentre as constatações positivas, destaca-se o fato de que
as companhias não estão mais restringindo suas vagas aos
alunos das chamadas faculdades de primeira linha, como Universidade de
São Paulo, Fundação Getúlio Vargas, Universidade
de Campinas ou Pontifícia Universidade Católica. Estudantes
de mais de sessenta instituições passaram pelas primeiras
triagens. Isso acontece porque as empresas não estão mais
preocupadas somente com o pedigree acadêmico, mas com a capacidade
real dos estudantes de se sair bem na oportunidade oferecida. É
o caso de Márcio Flávio Duarte Lopes, de 22 anos. Ele cursa
engenharia de produção na Universidade Paulista (Unip) e
foi um dos selecionados entre os 2.500 candidatos que concorreram a uma
das 45 vagas de estágio oferecidas pela Votorantim Celulose e Papel,
no fim do ano passado. Outro responsável pelo aumento no número
de faculdades participantes desses processos seletivos é a internet.
Até três anos atrás, as firmas anunciavam suas vagas
somente nas escolas mais tradicionais e os alunos de outras instituições
nem tomavam conhecimento. Agora, esses estudantes podem entrar no site
da companhia, preencher a ficha de inscrição e concorrer
em igualdade de condições. Entre os candidatos, a internet
é mesmo um fenômeno, com 100% de usuários regulares,
dos quais 91% têm computador em casa e 87% utilizaram as fichas
eletrônicas para inscrição pela rede. A estudante
de psicologia Elisangela Martins, de 22 anos, por exemplo, além
de colocar seu currículo em um site de recrutamento, recorreu novamente
à rede para coletar informações sobre a Alcoa, quando
foi recrutada para o processo seletivo da empresa, no ano passado. Da
experiência dos encarregados da seleção e dos próprios
selecionados, seguem duas orientações para os candidatos:
pode parecer lugar-comum atualmente, mas o domínio do inglês
ajuda a decidir a vaga em seu favor, qualquer que seja a carreira escolhida.
Um terceiro idioma aumenta ainda mais as chances;
mostrar interesse e conhecimento sobre a empresa indica que o candidato
fez uma escolha consciente. Antes da entrevista, mergulhe com atenção
no site da companhia e descubra tudo sobre ela.
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