Desenvolvimento
Um mundo melhor
ONU constata que, apesar das crises,
a qualidade
de vida melhorou em muitos países
Reuters
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Fogos em Genebra: a pobreza
cedeu
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O relatório sobre a qualidade de vida das
pessoas, divulgado pela Organização
das Nações Unidas (ONU) na semana passada,
traz diversos motivos para comemoração.
Constata que, de uma forma geral, entre os países
em desenvolvimento, o grau de desnutrição
está diminuindo, a expectativa de vida aumentou,
a mortalidade infantil foi reduzida e a alfabetização,
entre os adultos, cresceu. No caso do Brasil, o salto
foi notável. Num ranking que analisa 174 países,
o Brasil passou da 79ª para a 74ª posição,
entre 1997 e 1998. O índice de desenvolvimento
humano (IDH) leva em conta três fatores: o PIB
per capita, o volume de matrículas nas escolas
de todos os níveis e a expectativa de vida
da população. O Brasil melhorou em todos
eles. E melhorou, nos últimos dez anos, mais
rapidamente do que os outros países sul-americanos.
Embora
lide com números antigos, o trabalho dos técnicos
da ONU é elucidativo em muitos sentidos. Ele
demonstra que a crise financeira internacional, que
se estendeu pelos anos de 1997 e 1998, não
teve efeito tão avassalador sobre o desenvolvimento
humano. Em 1998, a Rússia pedia moratória
de sua dívida externa. Para quem observava
o país de fora, a situação era
terrível. E, no entanto, o IDH russo melhorou
em relação ao ano anterior. "Nenhum
fator isolado é responsável pela prosperidade
de um povo", diz o ex-ministro Mailson da Nóbrega.
"A Rússia é um país empobrecido
com população de alto nível educacional.
A Índia, por sua vez, é democrática
e tem mais de cinqüenta anos de história
de profunda pobreza e desigualdade social."
Na semana passada, quando era divulgado o relatório
do IDH, reuniam-se em Genebra representantes de todo
o mundo para discutir o problema da pobreza no planeta.
Sim, porque, embora se esteja constatando que a qualidade
de vida das pessoas está melhorando e que isso
se deve em grande parte ao aumento da produtividade
das empresas e do comércio entre os países,
também é visível um aumento na
disparidade entre ricos e pobres. Explica-se: a qualidade
de vida melhora para todos, mas evolui de forma mais
acentuada entre os mais ricos. Esse problema precisa
ser contornado. Existe um quase-consenso de que o
progresso é mais efetivo quando os povos são
capazes de produzir e vender seus produtos no mercado
internacional do que quando recebem caridade. Mas
tarifas e leis restritivas atrapalham as vendas dos
países pobres para os ricos. Em novembro tentou-se
montar um debate em torno do comércio internacional,
em Seattle, nos Estados Unidos. Manifestantes com
um jeitinho anacrônico, que consideram o comércio
uma perversão que só beneficia ricos,
impediram as negociações. Existe uma
proposta européia para que se faça uma
nova tentativa ainda neste ano. Se a idéia
pegar, será um avanço.