Edição 1 656 -5/7/2000

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Desenvolvimento

Um mundo melhor

ONU constata que, apesar das crises, a qualidade
de vida melhorou em muitos países

Reuters

Fogos em Genebra: a pobreza cedeu

O relatório sobre a qualidade de vida das pessoas, divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU) na semana passada, traz diversos motivos para comemoração. Constata que, de uma forma geral, entre os países em desenvolvimento, o grau de desnutrição está diminuindo, a expectativa de vida aumentou, a mortalidade infantil foi reduzida e a alfabetização, entre os adultos, cresceu. No caso do Brasil, o salto foi notável. Num ranking que analisa 174 países, o Brasil passou da 79ª para a 74ª posição, entre 1997 e 1998. O índice de desenvolvimento humano (IDH) leva em conta três fatores: o PIB per capita, o volume de matrículas nas escolas de todos os níveis e a expectativa de vida da população. O Brasil melhorou em todos eles. E melhorou, nos últimos dez anos, mais rapidamente do que os outros países sul-americanos.

Embora lide com números antigos, o trabalho dos técnicos da ONU é elucidativo em muitos sentidos. Ele demonstra que a crise financeira internacional, que se estendeu pelos anos de 1997 e 1998, não teve efeito tão avassalador sobre o desenvolvimento humano. Em 1998, a Rússia pedia moratória de sua dívida externa. Para quem observava o país de fora, a situação era terrível. E, no entanto, o IDH russo melhorou em relação ao ano anterior. "Nenhum fator isolado é responsável pela prosperidade de um povo", diz o ex-ministro Mailson da Nóbrega. "A Rússia é um país empobrecido com população de alto nível educacional. A Índia, por sua vez, é democrática e tem mais de cinqüenta anos de história de profunda pobreza e desigualdade social."

Na semana passada, quando era divulgado o relatório do IDH, reuniam-se em Genebra representantes de todo o mundo para discutir o problema da pobreza no planeta. Sim, porque, embora se esteja constatando que a qualidade de vida das pessoas está melhorando e que isso se deve em grande parte ao aumento da produtividade das empresas e do comércio entre os países, também é visível um aumento na disparidade entre ricos e pobres. Explica-se: a qualidade de vida melhora para todos, mas evolui de forma mais acentuada entre os mais ricos. Esse problema precisa ser contornado. Existe um quase-consenso de que o progresso é mais efetivo quando os povos são capazes de produzir e vender seus produtos no mercado internacional do que quando recebem caridade. Mas tarifas e leis restritivas atrapalham as vendas dos países pobres para os ricos. Em novembro tentou-se montar um debate em torno do comércio internacional, em Seattle, nos Estados Unidos. Manifestantes com um jeitinho anacrônico, que consideram o comércio uma perversão que só beneficia ricos, impediram as negociações. Existe uma proposta européia para que se faça uma nova tentativa ainda neste ano. Se a idéia pegar, será um avanço.

 


 
 
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