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COLUNISTAS
dubitandum
Gustavo Ioschpe
Economista, especialista em educação “de omnibus dubitandum est”
(duvide de tudo)

DICAS
Site
Fuvest
Site com um detalhamento interessante das estatísticas dos alunos da Fuvest de 2007, incluindo perfil socieconômico. Em breve devem ir ao ar dados de 2008.
 
Livro
D. Pedro II, de José Murilo de Carvalho.
O texto deixa a desejar, mas o personagem é imperdível. Só no Brasil seria possível um príncipe de linhagem portuguesa ter mais espírito público do que a maioria dos líderes republicanos filhos da terra.
ARQUIVO
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03/12/2008: Violência escolar: quem é a vítima?
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19/2/2008: Educação é o legado mais duradouro de Cuba
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31/1/2008: Gustavo Ioschpe responde aos leitores
17/1/2008: Educação sem povo
15/1/2008: Educação de quem? Para quem?
2/1/2008: Os professores e a "frieza das estatísticas"
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19/10/2007: Os leitores e a gratuidade do ensino universitário público
16/10/2007: Opinião dos leitores
05/10/2007: Contra a gratuidade nas universidades públicas
20/09/2007: Educação e a incomunicabilidade dos Brasis
29/08/2007: Quem sou, de onde vim e por que estou aqui

NOTAS
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Terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
 

Educação é o legado
mais duradouro de Cuba

Reuters
Em Cuba, 100% dos alunos atingem o nível básico de leitura

Chega ao fim, melancolicamente, o reinado de Fidel Castro sobre Cuba. É difícil de prever o que acontecerá com a ilha no curto prazo, enquanto Fidel e seu irmão estiverem no poder, mas a médio e longo prazos parece inevitável que a ilha abandone o comunismo e se integre à economia global, provavelmente de maneira distinta das demais ilhas caribenhas, pois Cuba tem um patrimônio altamente estratégico: capital humano, a capacitação de sua população.

O sistema educacional cubano será certamente o legado mais duradouro e positivo que a passagem de Fidel deixará sobre o país (nada que justifique ou desculpe, é claro, a ditadura que se instalou por lá. A liberdade é um direito inegociável.)

Cuba é a exceção educacional da América Latina, o país que alcançou os níveis educacionais do Primeiro Mundo. Estudo da UNESCO do final da década de 90 coloca o ensino cubano com grande folga em relação aos demais países latinos. 100% de seus alunos atingem o nível básico de leitura e 92% dos alunos da rede urbana alcançam também o nível de compreensão mais avançado do estudo da linguagem (no Brasil são 58%, na Argentina 59% e no Chile 60%). A nota média cubana na área de linguagem foi de 342 pontos, contra 277 dos argentinos e 269 dos brasileiros. As diferenças são ainda mais gritantes na área de Matemática, em que três quartos dos cubanos das regiões urbanas chegam ao nível máximo de aproveitamento, contra índices de 10% a 12% de países como Chile, Argentina e Brasil.

O país matricula praticamente 90% de sua população entre 3 e 18 anos de idade. No nível de educação pré-primária, essa taxa é de 100%, índice que se mantém praticamente inalterado no ensino primário. A taxa de conclusão do ensino secundário bate nos 80%. A matrícula no ensino superior está em 61%, nível semelhante a vários países europeus.

Infelizmente, se sabe menos do que o ideal sobre como Cuba chegou a esses níveis. Sabe-se que o país investe muito em educação e que treina seus professores com afinco. Descobri recentemente que eles também utilizam um sistema surpreendentemente meritocrático na avaliação e remuneração dos professores. O salário é vinculado ao resultado da avaliação dos professores, e aqueles que recebem a avaliação mais baixa “ganham” um ano sabático em que o professor deve estudar e se requalificar. Não obtendo êxito no processo de requalificação, é demitido. Até que ponto o arcabouço educacional que norteia a educação cubana será compatível com um sistema democrático – em que governantes têm de lidar com sindicatos e imprensa livre, além de precisar ratear as verbas federais para outras áreas por questões de conveniência política – é uma questão em aberto que só poderemos responder depois que o país migrar para a democracia. Nesse momento, também será possível pesquisar o sistema cubano com maior liberdade – tanto em relação ao governo local quanto às patrulhas ideológicas que cercam a questão cubana fora da ilha.

Oxalá essa experiência de sucesso possa ser mantida no novo capítulo da história daquele país que agora se abre, e que possa servir de fonte de políticas públicas replicáveis em outros países.

P.S.
AINDA CUBA

Em entrevista sobre Cuba para a UOL News, em 19 de fevereiro, Frei Betto declarou que seria ilusão pensar que a queda de Fidel representa o fim do socialismo, bem como afirma que não há nenhum setor significativo dentro da sociedade cubana hoje interessado na volta do capitalismo.

Acredito que pela primeira vez concordo integralmente com as palavras do religioso. O fim do socialismo como alternativa viável de sistema de economia política ocorreu há mais de quinze anos, com o esfacelamento do Pacto de Varsóvia. Nada a ver com Fidel, Kim Jong Il ou o PSTU, portanto. E os setores que gostariam do retorno do capitalismo estão mortos, presos, em Miami ou são suficientemente prudentes para saber que não devem abrir o bico ou correm o risco de ir parar nas masmorras do regime castrista – endurecidas y sin ninguna ternura. Estive em Cuba há uns quinze anos, e era visível o pânico que até gente simples e anônima, como taxistas e garçons, tinha de fazer qualquer crítica ao regime. Que alguém acredite na suposta opinião pública de um estado ditatorial beira a má-fé.

 

OPINIÃO
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